<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341</atom:id><lastBuildDate>Mon, 09 Nov 2009 02:40:33 +0000</lastBuildDate><title>O Canto do Conto</title><description>Uma mistura de tudo e de quase nada. Bem-vindos.</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Peka_)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>126</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3146454086284765088</guid><pubDate>Sat, 29 Aug 2009 01:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-28T22:48:25.886-03:00</atom:updated><title>II - pause</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Fiquei pensando, e pra pensar naquele momento, precisava de uma pausa. De alguns dias, várias horas, muitos minutos de silêncio. Completo e vazio. Preto, escuro, sem luzes no fim do caminho. Até porque o caminho eu já conhecia, de olhos fechados poderia chegar ao final. Mas esse final eu não sabia exatamente onde chegaria. Precisei ficar fora por alguns dias. Nesses dias, que se passaram em várias horas de um sono que nunca chegou eu fiquei pensando. Dos muitos minutos que fiquei em completo silêncio, mas ainda pensando.&lt;br /&gt;Pensei em tantas coisas que até agora poderia ficar pensando, continuando no mesmo ritmo flatulendo, parecido com o andar do trem. Aqueles que contornam montanhas, que desviam das barreiras monstruosas pra chegar ao seu final. Do túnel, do caminho, do que ele nos conta.&lt;br /&gt;Esse era o momento de apertar o pause e aguardar por alguns segundos, talvez fosse necessária vários minutos ou muitas horas. O momento de respirar profundamente, sem esperar que os anjos dissessem amém. Não sei porque fui parar pra pensar em anjos. Onde estava o meu? Será que ele era homem mesmo? Preferia pensar que sim. Confiava mais no anjo homem, talvez porque precisasse de um porto seguro, forte, no sentido literal, o anjo. Com seu artigo bem definino - o. Mas depois de vários segundos, lembrei de Patrícia. Ah como era fácil me lembrar dela nesses momentos de amarga sanidade e lucidez. De clareza numa noite como aquelas.&lt;br /&gt;Sabe quando você precisa ficar sozinha? Pois eu precisava. Off por uns tempos, ou por aqueles vários segundos ou muitos minutos que ainda havia para o dia clarear.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3146454086284765088?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/ii-pause.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-2458446559668937191</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2009 15:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-28T12:55:49.095-03:00</atom:updated><title>I don't even like it.</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Manu o que você ta fazendo? - sua voz era alta, volume máximo, me irritou naquele mesmo instante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Estava dormindo Renata, até você me ligar e começar a gritar no telefone - falei com a voz pastosa ainda de sono.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas hoje é sexta!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu sei - falei irritada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas você está sozinha aí?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, a Carol veio dormir aqui comigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ta ficando com a Carol? Mas ela não estava ficando com a Marta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela ta ficando com você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não Renata, ela veio aqui dormir, só isso. Conversamos até pegarmos no sono. Aliás, que horas são hein?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É cedo, meia noite passada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Hmm - meus olhos estavam pesados, queria continuar a dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vamos sair?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não Renata eu vou dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu to passando aí agora, ta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, eu quero dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Em dez minutos eu chego aí!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Renata...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela desligou o telefone. Olhei para a cama de Débora e Carol permanecia dormindo. Talvez não estivesse ouvido quando eu falara com Renata. Até porque quem estava gritando era ela e não eu. Fechei novamente meus olhos, e depois de uma eternidade ouvi meu celular tocando novamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Acorda Manu!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que voz de sono é essa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu estava dormindo, esqueceu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu to aqui na frente, vem abrir a porta pra mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah Rê, eu quero dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ouvi ela falar com alguém.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- To subindo aí, o tio deixou eu entrar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;3 minutos depois ela estava batendo na porta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ta aberto, entra sem fazer barulho - falei alto de mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Renata entrou e sem falar mais nada pulou na minha cama em cima de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Bom dia princesa - falava animada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você ta me machucando Rê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- To nada - me deu um beijo demorado na bochecha - tava com saudade de você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas a gente se viu hoje de manhã na aula.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pra mim parece ser uma eternidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Fala baixo que a Carol ta dormindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi Carol - gritou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi pra você também Rê - respondeu rindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Viu só, você acordou ela, agora sai de cima de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, não menospreza meu abraço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não to menosprezando nada, você que está me sufocando - tentava empurrá-la, mas ela se segurava firme em mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que nós vamos fazer hoje? - ela estava animada, pelo visto não ia ser pouca coisa para conseguir tirá-la dali.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu vou dormir e suspeito que Carol também - falei pedindo apoio a ela com os olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu acho que vou pra casa Manu, já ta na minha hora, ainda consigo pegar um ônibus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ta muito tarde pra você ir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não ta não Manu, mesmo, eu prefiro ir pra casa, não to muito animada por baladas hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Depois de me dar um beijo, no que pode me alcançar pois Renata permaneceu deitada por completo por cima de mim, saiu do quarto fechando a porta delicadamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Agora que estamos só eu e você aqui, quero fazer uma proposta pra você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ih, lá vem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Manu desde quando você não confia em mim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu confio, você não me deixa respirar só isso!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela foi um pouco para o lado, não o suficiente para sair de cima de mim, mas o bastante para me deixar respirar novamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vamos sair eu e você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas a gente sempre sai, não sei o que tem de novo nisso - sorri virando-me para ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, vamos jantar então. Eu pago, tipo um encontro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Soltei uma gostosa gargalhada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Encontro? Você andou se drogando?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não Manu, porque, pra quere sair com você só estando drogada?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, mas pra você me propor uma coisa dessas sim!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você acha que eu sou um monstro né?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não - sorri.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Deixa eu levar você para jantar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas olha a hora que é.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que tem? Eu conheço vários lugares que a gente poderia jantar agora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu não to com fome Rêzinha querida, vamos dormir?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então eu posso dormir aqui?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Dorme ali na cama da Débora, nesse final de semana que ela não estará em casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas eu quero ficar com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas você ficará bem perto de mim - sorri.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Se é pra eu ficar eu vou dormir com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Desde que você não ronque - ri.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não roncarei, prometo - sorriu de volta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Entrou para baixo das cobertas comigo, ficou me olhando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que foi?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Apaguei a luzinha da cabeceira. Pouco mais de dois minutos depois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Manu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A gente não vai... ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vai o que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Se aproximou mais de mim passando seu braço por cima de mim me abraçando. Se inclinou para seu rosto ficar mais próximo do meu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vai o que sua louca?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Me beijou o pescoço passando sua mão por baixo da minha blusa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você está louca? - repeti rindo. Tirei sua mão de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A gente vai dormir Renata!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sério?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Claro que sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas pelo menos eu vou dormir abraçada em você - riu se aconchegando em mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não tenho muitas opções mesmo né?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Assim dormimos. Renata vez por outra tentava alguma coisa mais ousava, mas a cortava antes mesmo de começar. Ela ria. Me tirou o sono. Ficamos conversando o resto da noite sobre qualquer coisa, nada de muito importante. Mas ainda assim, dormimos. Na verdade ela, não eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-2458446559668937191?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/i-dont-even-like-it.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-6155692054677504462</guid><pubDate>Sun, 23 Aug 2009 20:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-23T17:31:58.360-03:00</atom:updated><title>Não sei</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;- Não sei, o que você acha?&lt;br /&gt;- Não tenho muito o que achar.&lt;br /&gt;- Mas pensei que você estivesse braba comigo - se calou por um breve momento - por eu ter ficado com ela. Não queria que ninguém me entendesse errado.&lt;br /&gt;- Mas ninguém está dizendo nada, pode ter certeza. Todo mundo quer que você seja feliz.&lt;br /&gt;- Pois é, mas tenho certeza de que muita gente acha que eu sou uma... - passou as mãos sobre o rosto esfregando seus olhos.&lt;br /&gt;- Mas quem é essa gente?&lt;br /&gt;- Os parentes dela, a prima dela, os amigos em comum, todo mundo que viu tudo começar e acabar.&lt;br /&gt;- Mas não foi você disse que havia acabado há muito mais tempo?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Então, todo mundo viu que as coisas não iam bem, não sei porque você se importa com isso e não com o que você realmente sente.&lt;br /&gt;- Me importo com ela. A gente ficou juntas por muito tempo, não queria que as coisas acabassem desse jeito.&lt;br /&gt;- Mas me diz uma coisa, existem outras formas de terminar um namoro?&lt;br /&gt;- Claro que sim, a gente podia continuar amigas, eu não me importaria.&lt;br /&gt;- Mas é difícil você ser amiga de uma ex.&lt;br /&gt;- A gente nunca foi amigas, a gente sempre se gostou, desde sempre. Amiga é você - sorriu.&lt;br /&gt;- Então, não tem porque querer ser amiga agora.&lt;br /&gt;- Mas eu continuo me preocupando com ela.&lt;br /&gt;- Pois não se preocupe, mais dia menos dia ela acha alguém para cuidar dela... - me arrependi um pouco de ter falado aquilo.&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Assim como você arranjou.&lt;br /&gt;- Eu não arranjei ninguém, não to querendo compromisso, quero ficar um pouco sozinha. É isso que ela não entendeu.&lt;br /&gt;- Ela sempre foi louca, e desculpe por falar isso, mas essa é a realidade, ela é chata!&lt;br /&gt;- Muito chata né?!&lt;br /&gt;- Sim!&lt;br /&gt;- Pois é, mas eu gostava dela.&lt;br /&gt;- Mas isso é passado, guarda as coisas boas e bola pra frente.&lt;br /&gt;- Sabe que eu não consigo mais encontrar nada de bom que possa ter restado deste nosso relacionamento?&lt;br /&gt;- Sempre tem alguma coisa.&lt;br /&gt;- Eu fico triste por isso, a gente deixou a coisa chegar a tal ponto que não tenho mais lembranças de coisas boas que a gente fez juntas.&lt;br /&gt;- Então isso é mais um motivo pra você deixar isso pra trás de vez.&lt;br /&gt;- Mas eu deixei.&lt;br /&gt;- E porque estamos falando sobre isso ainda?&lt;br /&gt;- Porque eu não queria que as pessoas me vissem como a monstra da história, eu sempre fiz de tudo pra que a gente não terminasse, eu que aguentei tudo sozinha, ninguém venho me ajudar e me perguntar se estava tudo bem. Todos só acreditavam nela.&lt;br /&gt;- Você se preocupa de mais com que a família dela pensa ou vai pensar. Você não namorou com o pai dela, e sim com a sua filha. A gente não pode agradar a todos, isso é impossível.&lt;br /&gt;- Mas a única pessoa que eu tinha que agradar era ela.&lt;br /&gt;- Exatamente.&lt;br /&gt;- Só que pra agradar a ela eu tinha que agradar aos seus parentes. Todos eles!&lt;br /&gt;- Mas agora você não está mais com ela.&lt;br /&gt;- Eu sei, mas eles devem ta me xingando agora, me chamando de horrores, dizendo que eu não presto. Tudo que eu demorei tantos anos pra construir em relação a seus pais, a confiança que principalmente o pai dela tinha sobre mim, depois de tudo, simplesmente por água abaixo.&lt;br /&gt;- Mas quem disse que foi em vão? Você fez o que pode enquanto precisava ser feito.&lt;br /&gt;- Queria falar com o pai dela.&lt;br /&gt;- E porque você não vai lá e fala?&lt;br /&gt;- Porque não tenho cara de chegar e falar.&lt;br /&gt;- Acho que isso é muito menos constrangedor do que você está achando.&lt;br /&gt;- Eu sinceramente queria agradecer a ele por tudo que ele fez, por ter mudado tanto pra agradar nós duas.&lt;br /&gt;- Mas o que te impede de ir lá e falar?&lt;br /&gt;- Ela. É capaz de quando eu chegar lá ela ache que eu to indo lá pra falar com ela, pra pedir pra voltar e faça um escandalo.&lt;br /&gt;- Mas se fizer vai ser só mais um.&lt;br /&gt;- Não sei Manu, é complicado isso.&lt;br /&gt;- Tudo sempre é complicado, cabe a gente resolver essas coisas.&lt;br /&gt;Ela me olhou por alguns segundos sem falar absolutamente nada.&lt;br /&gt;- E você como está?&lt;br /&gt;- To bem, nada de mais.&lt;br /&gt;- Nada de mais mesmo?&lt;br /&gt;- Naquelas - sorri não conseguindo esconder.&lt;br /&gt;- Você quer conversar sobre isso?&lt;br /&gt;- Não sei - respondi franca.&lt;br /&gt;- Ela é uma menina muito especial mesmo. Só que tudo que a Maria tinha de chata ela tem de louca, ela é de lua, complicada mesmo. Por isso que nunca insiti em ficar com ela - sorriu.&lt;br /&gt;- Ela quem? - me fiz de desentendida.&lt;br /&gt;- Yumi.&lt;br /&gt;Concordei em silêncio.&lt;br /&gt;- A Má sempre me disse que vocês ainda ficariam.&lt;br /&gt;- Eu duvido muito.&lt;br /&gt;- Ela é complicada mas não é impossível.&lt;br /&gt;- Mas pra tudo a gente tem um limite. Meu limite com ela já acabo.&lt;br /&gt;- Acabou nada.&lt;br /&gt;- Acabou sim. Acabou pra isso, pra outras coisas eu tenho paciência o suficiente - sorri.&lt;br /&gt;- Ela gosta de você.&lt;br /&gt;- Gosta nada.&lt;br /&gt;- Ela veio falar comigo esses dias.&lt;br /&gt;- E aí? - não me contive.&lt;br /&gt;- Ela me falou do escandalo de vocês - sorriu pegando mais um cookie de cima da cama.&lt;br /&gt;- Ela acha que eu sou uma idiota, sabe?&lt;br /&gt;- Ela não sabe o que quer.&lt;br /&gt;- Percebi isso, mas eu sei o que eu quero.&lt;br /&gt;- E o que você quer?&lt;br /&gt;Sorri olhando-a.&lt;br /&gt;- Viu, nem você sabe o que você quer!&lt;br /&gt;- Eu sei sim Carol. Ela que não sabe o que quer.&lt;br /&gt;- Ela sofreu de mais no seu último namoro antes da Jéssica, e antes daquele outro cara. A primeira vez que ela namorou de verdade. Mas se eu contar pra você, você vai me jurar que nunca vai comentar isso com ela.&lt;br /&gt;- Prometo que não conto.&lt;br /&gt;- Resumidamente ela se apaixonou por uma menina da escola dela. Elas ficaram por alguns meses, ela era louca por aquela menina. Como era o nome dela mesmo... Era Suzy se não me engano era isso. Ela terminou com a Yumi porque disse que era complicado pra ela namorar assim, os pais da menina acabou descobrindo, enfim, foi um inferninho tudo. A menina desistiu de namorar porque era muito difícil. A Yumi ficou muito triste, emagreceu horrores, foi parar no hospital porque não comia, ninguém entendia direito porque de tudo isso acontecer. Ficou com depressão.&lt;br /&gt;- Nossa.&lt;br /&gt;- É, a partir daí ela tem medo de namorar, de se envolver com alguém e depois a pessoa terminar com ela. Eu vejo que ela fica com as pessoas que são simples, que não tem erro de dar alguma coisa inesperada sabe?&lt;br /&gt;- Sim, mas namorar com a Jéssica deve ser difícil, se ela gosta da menina e não pode ficar com ela sempre.&lt;br /&gt;- Mas ela não gosta da Jéssica, isso é só mais uma pessoa na vida dela.&lt;br /&gt;Estranhamente fiquei feliz.&lt;br /&gt;- Mas porque ela namora então?&lt;br /&gt;- Porque ela precisa de alguém pra ela poder terminar, pra ter alguém que dê atenção à ela. Ela é louca, eu falei.&lt;br /&gt;Ri.&lt;br /&gt;- Mas não comenta isso com ela.&lt;br /&gt;- Pode deixar que não comentarei nada.&lt;br /&gt;Ela voltou a deitar na cama de Débora, seu olhar ela distante. Talvez estivesse pensando em Maria.&lt;br /&gt;- Posso te fazer uma pergunta Manu?&lt;br /&gt;- Se eu puder não responder - sorri.&lt;br /&gt;- Você gosta dela né?!&lt;br /&gt;- Dela quem?&lt;br /&gt;- Da Yumi.&lt;br /&gt;Mordi meus lábios, apertei meus olhos, me calei. Ela concordou também em silêncio. Não acho que isso faria alguma diferença naquele momento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-6155692054677504462?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/nao-sei.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-7114953816139254633</guid><pubDate>Thu, 20 Aug 2009 10:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-20T07:56:31.489-03:00</atom:updated><title>Round 2, fight!</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tomei um banho rápido, mas o suficiente para levar pelo ralo toda minha irritação de outrora. Enquanto aquela água quente caía sobre meu rosto fiz esforço para deixar Yumi ir embora da minha cabeça e do meu coração. Que ela fosse apenas mais uma amiga, era isso que ela queria, e que eu enfim iria querer também. Bastavam alguns dias, algumas festas, algumas doses de tequila com limão e sal que tudo ficaria bem. Quando saí do banheiro dei de cara com um rapaz baixinho e barbudo, apenas lancei-lhe um sorriso simpático que o desarmou do possível xingamento pela demora no banheiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Abri a porta do quarto e levei algum tempo até entender que havia outra pessoa além de Débora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela disse que precisava falar com você - Débora apontou para o lado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Era Yumi com uma cara estranha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que você ta fazendo aqui?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas antes que ela começasse a falar olhei para Débora que fingiu continuar a ler um livro qualquer, puxei Yumi pelo braço e levei-a até o saguão de entrada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No caminho não falamos absolutamente nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Chegando lá Yumi despejou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você é louca por sair daquele jeito?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você veio aqui pra me chamar de louca?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu não entendo, pra que sair daquele jeito da minha casa? Nem conversar comigo você conversou, simplesmente saiu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Toda a raiva que havia descido pelo ralo enquanto tomava banho deu lugar ao sangue que me subiu à cabeça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você só pode estar brincando. Eu - frisei - eu não quis falar com você? Eu fiquei esperando mais de vinte minutos você fazer o que quer que seja que estivesse fazendo pra falar comigo e o máximo que obtive foi um "já vai"! E vai me dizer que eu - fresei novamente - que eu sai que nem uma louca? Ah, dá um tempo né Yumi?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas eu estava brigando com a Jéssica, você bem que podia compreender isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu já compreendi coisas de mais com você, não sou uma palhaça pra sair cansada do trabalho, andar metade da cidade pra ir te ajudar pra chegar à tua casa e ficar esperando você resolver os teus problemas amorosos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pensei que você fosse minha amiga.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não me venha com essa Yumi, amizade é diferente de ser palhaça dos outros. Agora se você veio aqui pra me chamar de louca e duvidar da minha amizade por você, então com licença. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Virei as costas e sai caminhando. Ela me segurou com força.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Espera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Esperar o que Yumi?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela ficou em silêncio me olhando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Eu tentava conter minha raiva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sinceramente Yumi - respirei fundo - o que você quer de mim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Olhei-a diretamente nos olhos. Ela por sua vez desviou o olhar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Olha pra mim Yumi, só quero saber isso, o que você quer de mim, porque eu faço tudo pra você e você sabe disso, você não é burra, então vamos deixar tudo esclarecido. Eu fui correndo te ajudar, pra chegar lá e ficar que nem uma idiota esperando você fazer todas as suas coisas até chegar a minha vez, pra enfim você me dar atenção e falar comigo. Me fala Yumi, o que você quer de mim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela não respondia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Yumi eu vou ser franca com você, eu podia te jogar de um prédio agora de tanta raiva que eu to de você, porque ninguém gosta de ser tratada assim, como uma coisa qualquer, ainda mais quando a gente gosta da pessoa. Quer dizer, eu confio em você, você sabe disso. Não gosto de ser tratada assim por alguém que é tão importante pra mim. Só que eu quero entender as coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela permanecia imóvel, sua mão ainda segurava meu braço com força. Seus olhos eram pra tudo, menos pra mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Yumi, quando você souber o que você realmente quer de mim me avisa. E olha bem, isso não é uma ameaça nem coisa parecida. Eu só to me cansando disso tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela ficava quieta, aquilo me fez ficar com mais raiva ainda, perdi qualquer vestígio de paciência que aquela senhorinha havia plantado dentro de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E você agora fica quieta com essa cara de paisagem - explodi, essa era a hora de tomar coragem e alguma atitude, não importando para que lado pendesse, mas que pendesse para o mais urgente - Yumi eu to caindo fora - falei respirando forte - eu sei o que eu quero de você, quando você decidir nessa tua cabecinha louca aí o que você quer de mim você me avisa. Até lá vê se me esquece um pouco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Me desvencilhei dela, indo enfim para o meu quarto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sentia raiva por Yumi ter ficado apática com tudo que eu estava falando. E ali, estática sem fazer absolutamente nada. Nem um sorriso, nem uma lágrima, nem um piscar de olhos, nem eles voltados para mim. Nada, absolutamente nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Como sempre, o nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Aquela quarta-feira estava sendo o pior dia da minha vida. Entrei no quarto e dei de cara com Débora. Ela percebeu que eu estava nitidamente nervosa, pois caminhava de um lado para o outro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Aconteceu alguma coisa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela aguardou alguns minutos até continuar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A menina que estava aqui...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que tem ela? - perguntei com raiva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela... Ela tava estranha, parecia que tinha acontecido alguma coisa de muito ruim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Deve ter acontecido mesmo, ela deve ter olhado no espelho e visto uma louca nipônica. Completamente louca! - praguejei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Hm.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E eu não acredito que ela veio até aqui pra ME chamar de louca. Eu, uma louca, imagina!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Posso fazer uma pergunta pra você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Faz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela é sua namorada?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Olhei incrédula para ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sei lá, vocês meio que parecem namoradas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Soltei uma gargalhada maquiavélica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não Débora, nós definitivamente não somos namoradas. Antes fosse - ainda completei para o seu horror - antes ela fosse minha namorada porque ao menos eu poderia ter o gostinho de terminar com ela. Mas nem isso aquela louca me deixa fazer. Nem isso!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-7114953816139254633?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/round-2-fight.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3209948578406641050</guid><pubDate>Thu, 20 Aug 2009 01:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-19T22:27:43.963-03:00</atom:updated><title>Quarta-feira de cinzas</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Estava no ônibus indo depois do trabalho para a casa de Yumi. Ela insistentemente havia me forçado (eu sem tanta resistência assim, confesso) a ir para a sua casa ajudá-la a fazer um trabalho da faculdade. Eu já havia lhe explicado inúmeras vezes como ela poderia resolver suas dúvidas, mas ela insistia que eu fosse lá. Eu fui, não era besta, ou justamente por eu ser besta, lá estava eu tocando no interfone. E como eu era idiota, ela nem ao menos veio abrir a porta para mim, apenas soltou um "oi, sobe". Eu que desse meia volta e mandasse ela ir pra p. que pariu. Ela pensava que eu era o que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Quando sai do elevador percebi que a porta estava entreaberta, entrei sem hesitar. Ouvia apenas o som de teclas sendo digitadas. Então ela estava no computador, ocupada de mais para abrir a porta pra mim. De certo estava falando com Jéssica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Yumi?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vem cá, to no quarto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Entrei devagar pensando se iria ou não dar meia volta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi Yumi - falei desanimada constatando que realmente ela estava na frente do computador com o MSN ligado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi Manu, só um instante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Aguardei 10 minutos sem falar absolutamente nada, esperando que enfim ela parasse de falar com Jéssica. Sim, pude ver através de alguns movimentos de Yumi que elas estavam brigando por alguma coisa que não entendi, também não estava muito a fim de ficar prestando atenção na conversa delas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mais 10 minutos, entre um "já to indo Manu".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Respirei fundo, estava mais do que na hora de eu dar um basta em tudo aquilo. E aquilo eu me referia a mim mesma, não à Yumi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Respirei mais uma vez fundo. Nada de Yumi se voltar para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pra mim chega - falei sem esperar resposta nem o seu olhar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sai do apartamento sem olhar para trás. O elevador não estava me esperando, então desci as escadas quase correndo, bufando de raiva. Raiva de mim, de me prestar a tudo isso pra nada. E a desgraçada nem pra vir atrás de mim perguntar alguma coisa, falar comigo. Talvez eu fosse isso pra ela mesmo, uma nada que, alguém que não valia a pena perder tempo e sua atenção. Enquanto eu ficasse assim na sua mão era assim que ela continuaria me tratando. Mas eu não era tão burra assim. Eu que começasse a por em prática minhas tentativas de deixar Yumi de vez pra trás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pelo menos dei sorte encontrar alguém no portão para abri-lo para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Caminhava rápido, nem sentia minhas pernas. E nem ao menos ela veio falar comigo. Aquela louca!, praguejei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Entrei no ônibus com a cara fechada, talvez até de mais, pois o cobrador me lançara um olhar estranho, quase piedoso para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sentei em um banco sozinha, que bom que por um milagre divino naquela hora ainda haviam bancos disponíveis. Um senhora sentou ao meu lado, sorrindo. Eu lhe retribui minha cara de ódio por Yumi. Seu sorriso ainda assim não diminuiu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Acho que vai chover hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Espero que não pois não tenho guarda-chuva - respondi ríspida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas você desce muito longe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, é perto por sorte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Novamente me virei para a janela, tentando mostrar com meus braços cruzados, cara fechada, fone de ouvidos no máximo, que não estava a fim de conversas de ônibus. Mas ela insistia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Nossa, hoje eu resolvi fazer umas comprinhas aqui perto, comprei presente para o meu sobrinho, ele ta de aniversário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Hm - respondi por que eu ainda era educada, apesar da raiva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Quer ver o que eu comprei pra ela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ai que saco! - sim, posso ver - forcei um sorriso que saiu rasgando da minha boca, quase metralhando a vovó.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tirou de uma das sacolas um carrinho azul que acendia uma luz quando apertava no botão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Será que ele vai gostar? Ele já tem cinco anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Acho que vai, quando a gente é criança os únicos presentes que gostamos são os brinquedos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É? Faz tanto tempo que eu não sou mais criança que eu quase me esqueço como é. Comprei para a minha netinha de seis anos um casaquinho da Hello Kity, será que ela não vai gostar então?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vai sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas você disse que as crianças gostam de brinquedos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Já estava perdendo a paciência com a senhora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não te estressa, criança gosta de qualquer coisa! - bufei involuntária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Hm - respondeu um pouco acuada. Ficou quieta por alguns segundos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Aceita uma balinha - me estendeu um saco cheio de balas de goma - comprei esse saco por um real, acredita?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que legal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Quer uma? - ainda com as mãos estendidas para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, obrigada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, essa juventude de hoje preocupada com a saúde acha que uma balinha dessas vai engordar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sorri quase fuzilando a senhora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu não gosto muito dessas balas aí, grudam nos dentes, um saco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pois eu gosto, elas são bem docinhas, ajudam a adoçar a vida - ficou me olhando. Olhei para o lado duas vezes para ter certeza de que ela permanecia na mesma posição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então eu preciso de um saco inteiro dessas aí.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A tua vida não anda muito doce?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não! - lembrei de Yumi e sua total falta de atenção para comigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Nessa idade tudo parece não dar certo, ou falta dinheiro pra balada, ou é o namorado que fica com outra, ou é a amiga que pega alguma coisa que não devia. Vocês jovens deveriam aproveitar mais essa idade. Essa é a fase mais gostosa que temos. Ainda não se tem família pra sustentar, já tem autonomia pra fazer as suas coisas, mas as consequências nem sempre caem em cima de vocês. Não hoje, só amanhã. Mas como o que importa é o hoje, eu sugiro que você coloque um belo de um sorriso nessa tua carinha linda, pois você é uma menina muito bonita e simpática (nesse momento me pergunto de onde ela tirou que eu sou simpática) que me fez ver que minha netinha não irá gostar só de uma roupa né?! - sorriu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Acho que se a senhora desse algum brinquedo ela ficaria mais feliz - falei me desarmando um pouco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E o que você diria que uma garotinha de seis anos gostaria?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Aí eu já não posso lhe ajudar, não tenho muitas experiências assim com crianças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas você já foi criança há muito menos tempo que eu, pode ter certeza! - sorriu simpática.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Isso é! - falei enfim sorrindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Antes de se levantar a senhora ainda falou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sabe, na tua idade eu também era assim, achava que os problemas com o namorado ou a falta de dinheiro pra ir pra um boteco beber era a pior coisa que existia na vida, que a faculdade era cansativa de mais. Agora pense, na minha idade infelizmente nem isso mais eu tenho pra me preocupar, nem faculdade, nem dinheiro e nem muito menos um namorado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Saiu sorrindo. Fiquei pensando no que a senhora simpática havia falado. Meus problemas não eram tão problemáticos assim. Yumi que era meu problema. Não reclamava da minha faculdade, do meu trabalho, das minhas amigas, só de Yumi. Mas depois do papo com a velhinha me senti mais leve, sem tanta raiva assim. Que Yumi fosse só uma roupa da Hello Kity que eu trocaria por um novo brinquedo, talvez esse mais animado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3209948578406641050?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/quarta-feira-de-cinzas.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-8881148165407623189</guid><pubDate>Tue, 18 Aug 2009 12:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-18T10:12:16.672-03:00</atom:updated><title>Uma gota caída</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;- Tem certeza de que não quer uma água?&lt;br /&gt;- Déia, eu tenho certeza.&lt;br /&gt;- Então saí dessa agora.&lt;br /&gt;- Sai.&lt;br /&gt;- Quero ver.&lt;br /&gt;- Ta vendo aquela menina aqui reto? - apontei discretamente com meu dedo.&lt;br /&gt;Déia espalhafatosa como sempre escancarou seu braço em direção à menina. Segurei-a.&lt;br /&gt;- Essa mesma.&lt;br /&gt;- O que tem ela?&lt;br /&gt;- Ta me olhando já faz um tempo.&lt;br /&gt;- Ela é gostosa - riu-se - vai lá falar com ela!&lt;br /&gt;- Pois é, faz tempo que eu não faço isso - sorri.&lt;br /&gt;- Mas chegar em menina é que nem andar de bicicleta, aprende uma vez e nunca mais esquece.&lt;br /&gt;- Nossa Déia, hoje você ta parecendo um homem, só falta agora coçar o saco - ri.&lt;br /&gt;- Eu só espero que quando essa tua paixonite pela Yumi acabar você não continue com essa incerteza das coisas.&lt;br /&gt;- Você acha que é por causa de Yumi?&lt;br /&gt;- Tenho certeza, a não ser que você tenha mudado de personalidade ou aquela menina que você me contou ser há tempos atrás nunca existiu.&lt;br /&gt;Antes que pudesse começar a devagar em meus pensamentos, a menina me deu um sorriso.&lt;br /&gt;- Vai que agora é a hora! - Déia me empurrou com força em sua direção.&lt;br /&gt;Praguejei em silêncio, pois me aproximara o suficiente dela a ponto de não poder mais abortar. Ela percebera a intenção de Déia e voltou a sorrir.&lt;br /&gt;Talvez eu estivesse assim mesmo por causa de Yumi.&lt;br /&gt;- Oi - sorriu.&lt;br /&gt;Mas porque era estranho tudo aquilo que acontecera com nós duas lá em cima do apartamento de Marta.&lt;br /&gt;- Oi - respondi sentindo que ela se aproximara de mim.&lt;br /&gt;O nosso quase beijo.&lt;br /&gt;- Tudo bem com você?&lt;br /&gt;E aquela sensação de que aquilo sim fora muito maior do que um beijo qualquer em qualquer pessoa.&lt;br /&gt;- Tudo, e com você?&lt;br /&gt;Yumi era uma vaca  mesmo. Ficava me incitando a fazer as coisas, e na hora H simplesmente virava o rosto, como se eu pudesse me conter sempre, e simplesmente estancar tudo que eu sentia por ela.&lt;br /&gt;- Agora ficou ótimo.&lt;br /&gt;E ainda essa xavecada?&lt;br /&gt;Sorri sem saber o que dizer.&lt;br /&gt;- Eu tava te olhando de longe, tenho a impressão de que já vi você por aqui.&lt;br /&gt;- Pode ser - sorri sem saber realmente o que falar - eu ando sempre por aqui - péssimo.&lt;br /&gt;Mas que Yumi fosse para o inferno, eu que aproveitasse minha vida, minhas coisas, aquela menina que estava ali na minha frente me olhando, com aquele diálogo só esperando eu dar uma brecha ou tomar alguma posição. Que fosse. Parasse de ficar esperando as coisas acontecerem, essa não era eu.&lt;br /&gt;E assim sem grandes papos a beijei. Assim sem muito tempo depois já estava em sua casa. Tudo aconteceu muito rápido e mais do que rápido, meio inodoro, meio incolor, meio sem gosto. Depois daquele ápice em sua cama, ela quase a dormir, perguntei sem esperar resposta, já que meus olhos pesavam.&lt;br /&gt;- Qual é seu nome mesmo?&lt;br /&gt;- Hm?&lt;br /&gt;- Qual é seu nome? - já não conseguindo mais diferenciar o que era sonho da realidade.&lt;br /&gt;- Jaqueline.&lt;br /&gt;Senti o mundo girar algumas vezes durante os dois segundos de silêncio em que ambas se calaram.&lt;br /&gt;- E o seu?&lt;br /&gt;Resmunguei.&lt;br /&gt;- E o seu nome, qual é?&lt;br /&gt;- Manuela.&lt;br /&gt;- Hm.&lt;br /&gt;Adormeci.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-8881148165407623189?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/uma-gota-caida.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-8383157101138224249</guid><pubDate>Mon, 17 Aug 2009 13:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-17T10:26:06.226-03:00</atom:updated><title>Telefone sem fio</title><description>&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vocês podem fazer em duplas ou trios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vem Manu - falou Renata se aproximando de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A gente podia chamar alguém pra fazer isso com a gente, o que você acha? Alguma menina nova aí.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela sorriu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Agora você ta interessada em meninas novas? - me olhou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ué, temos que revigorar as forças né?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E a pele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Nesse final de semana a Débora não vai ficar em casa, tenho que arranjar alguma companhia pra mim, sabe como é, fico muito sozinha naquele lugar tão grande.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Riu - sei como é. Eu não te falei né? Ontem Manu do céu, eu fiquei com a menina mais linda que eu já vi na minha vida, você não faz ideia!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah é? Onde?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu fui de última hora na casa de uma amiga minha que você não conhece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E você nem me chama né?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Foi de última hora Manu, nem eu sabia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Hm.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Linda Manu, linda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E aí?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela concordou com a cabeça, nem precisava perguntar mais nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Por isso que cheguei atrasada hoje, aquela menina me deu um cansaço que você não pode i-ma-gi-nar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Meninas, vocês precisam de ajuda? - perguntou a professora que certamente escutara pelo menos metade da conversa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não professora - sorriu Renata displicentemente - tudo sob controle!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela lançou um olhar estranho para Renata que o revidou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você não pegou ela né?! - perguntei depois que tive certeza de que ela não nos ouviria mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Claro que não Manu! - soltou uma gostosa gargalhada - mas acho que essa mulher aí deve fazer loucuras na cama.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que coisa Rê, ela é nossa professora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela é uma mulher de no máximo trinta anos. Isso é flor da idade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas ela nos dá aula Rê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Adoro aprender coisas novas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Divertia-se da minha cara.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Posso me juntar a vocês? - perguntou uma menina muito pequeninha de cabelo ruivo e muito curtinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Claro - falou Renata sem hesitar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sorriram uma para outra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Depois de fazer um trabalho muito mal feito, mais conversamos do que qualquer outra coisa, Renata já havia conseguido todos os dados da menina, inclusive arrancar de sua boca que ela estava solteira, que tinha saído há três meses de um namoro com uma pessoa, assim mesmo, sem gênero definido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Fomos para o RU falando sobre a menina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi meninas! - Yumi se aproximou de nós, também entrando na fila.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E aí Yumi, o que você está fazendo aqui? - perguntou Renata.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu estudo aqui perto né?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah é...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Tudo bem Manu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sim e com você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Tudo bem, como foi a festa dos solteiros? - continuava a me olhar diretamente nos olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah tava boa... Nada de mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Como assim nada de mais Manuela? E aquela mulher maravilhosa que você pegou foi o que? - interrompeu Renata.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, nada de mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Nada de mais? Você e ela sumiram, fiquei sabendo que você foi dormir na casa dela e tudo! - ela se divertia ao me ver constrangida na frente de Yumi. Yumi me olhava apertando seus olhinhos, fazendo com que eles lhe parecessem quase inexistentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É Manu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É, fiquei com uma menina aí - respondi olhando para os lados, pegando uma bandeja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Quando encontramos alguma mesa pra lugar de três pessoas, havia um menino ocupando um dos lugares, Yumi começou o que parecia ser mais um interrogatório.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então você pegou uma mulher?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Um mulherão - completou Renata.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É, fiquei com uma menina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O rapaz que dividia a mesa conosco nitidamente parou de comer para prestar atenção em nossa conversa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E qual era o nome dela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, que pergunta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela sorriu sem muito ânimo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você não sabe o nome dela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sei né Yumi, não costumo ficar com as pessoas sem saber seu nome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então qual é o nome dela? - repetiu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Agora me esqueci - sorri encabulada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Yumi riu desacreditada. Renata e o rapaz se divertiam com a minha tentativa de lembrar o nome da menina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E você foi dormir na casa dela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Acabei indo, ela não tava muito bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Renata e o rapaz a cada nova resposta minha riam com mais vontade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, dormi né.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Dormiu sem perguntar seu nome?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu perguntei né Yumi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu só me esqueci - não consegui conter meu sorriso acompanhando os dois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Yumi continuava séria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E vocês transaram - fez uma pausa - sem você nem conhecer a menina?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Renata largara seus talheres pondo suas mãos em frente a boca para abafar a risada. O rapaz fingia um acesso de tosse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas eu conheci ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Quando?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Na festa!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ai Manu!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ai o que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sei lá. E você pegou o telefone dela também, já marcaram de sair de novo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ri.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que perguntas são essas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Só quero saber, só isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu peguei o telefone dela, mas fiz questão de apagar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A é? Foi tão ruim assim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, primeiro porque não saberia por quem perguntar caso ligasse. Já pensou? Oi, aqui é a Manuela, sabe? A gente dormiu juntas domingo passado, lembra?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E ai a mãe dela responde: dormiram juntas? Você ta falando da minha filha? Ela disse que tava estudando ontem a noite na casa de uma amiguinha - interrompeu Renata rindo muito, engasgando-se com o suco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É mais ou menos isso. E em segundo lugar porque não acho que ela me agregará qualquer coisa a mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A mais do que uma noite de sexo com uma estranha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Até parece que você nunca fez isso Yumi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela se calara.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sorri vitoriosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Bom, mas pelo visto a festa foi boa. Pelo menos isso. E você Renata, também foi parar na cama de uma qualquer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Na festa não, mas ontem Yumi... Fiquei com a menina mais linda do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Yumi olhava para nós duas incrédula.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E você pelo menos sabe o nome dela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ela ficou em silêncio, e riu após Yumi soltar um suspiro de desaprovação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Claro que sei né Japa, o nome dela é Amanda... Ou será que é Natália?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ria-se de Yumi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, vocês duas tão me fazendo de boba.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E como foi o teu final de domingo Yumi? - perguntei tentando mudar enfim de assunto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Foi um saco!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que você fez?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que eu não fiz você quis dizer né? Deveria ter ido com vocês na festa! Fiquei esperando até tarde que a Jéssica me ligasse, mas ela aparentemente se esqueceu.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Olha Yumi, termina esse namoro antes que ela queira morar junto com você - Renata se divertia - no começo elas parecem assim, não se importar com nada, esquecer de certas coisas, daí quando você reclamar que ela está sendo muito displicente com você, ela vai entender que você está completamente apaixonada por ela, e vai te pedir em casamento, com direito a papagaio e tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O rapaz ria agora sem esconder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Desde quando você tem experiência com relacionamentos Rê? - perguntei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Desde quando eu tenho experiência com o rompimento de relacionamentos antes de começarem! Mulheres sempre se enganam em relação aos sentimentos. Acham que estão apaixonadas só porque a menina lhe dá atenção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Entendi que este seu último comentário fora diretamente pra mim, mas me fiz de desentendida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Saímos da mesa e o rapaz ainda não havia terminado de almoçar, quase nos deu tchau quando enfim nos levantamos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Depois do trabalho, de um belo banho, já deitada na cama lendo um livro, meu celular tocou. Era Yumi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi Japa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Tudo bem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Débora entrara no quarto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Tudo e com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- To bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que tava fazendo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Nada de mais, pode falar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não ta a fim de vir aqui em casa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Hoje?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Porque o espanto de hoje?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ué, porque não estamos no final de semana...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Se você não quer vir é só falar, não precisa me dar essas desculpas esfarrapadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Nossa Yumi, o que te deu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não deu nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não vou poder ir aí porque tenho aula muito cedo amanhã de manhã e ainda tenho que terminar de ler um livro. Aliás, começar né?! - soltei uma risadinha que foi abafada pelo seu suspiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É bom estudar só pra variar sabia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu precisava de uma ajuda aqui no PC.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então é pra isso que você quer que eu vá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Agora ta me usando é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Percebi que Débora passara a prestar atenção na minha conversa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu te usando? Imagina - riu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E você ainda assume que é só pra isso? - falei brincando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Continuou rindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É... só pra isso que quer minha companhia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sério Manu, eu precisava fazer um negócio aqui e não to conseguindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Depois de algumas explicações sobre o programa que ela queria usar, ficamos em silêncio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Viu, nem precisei sair da minha caminha quentinha pra te ajudar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas queria que você viesse - senti meu coração bater mais rápido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pra que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Porque você é minha amiga poxa, que pergunta é essa agora?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E a Jéssica?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Porque você sempre insiste em perguntar dela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Porque você namora com ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Débora tossiu sem conseguir conter com as mãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas não somos siameses né?! Cada uma tem a sua vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pelo visto as coisas não tão boas né?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Tão sim Manu, às vezes parece que vocês querem que eu termine meu namoro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vocês quem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você, Renata, Carol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então não sou só eu que acho que a Jéssica é um saco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Hei, não fale desse jeito da minha namorada!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não to falando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ficamos novamente em silêncio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Jaqueline.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Jaqueline.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Quem é Jaqueline?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A mulher que a gente tava falando hoje no almoço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A que você ficou na festa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É, lembrei agora do nome dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então você fez mal em não ter pego o telefone dela. Porque agora que você sabe o nome dela poderia ligar sem medo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É, vai ver que eu fiz mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-8383157101138224249?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/telefone-sem-fio.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3779967227418961874</guid><pubDate>Fri, 14 Aug 2009 14:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-14T13:41:39.865-03:00</atom:updated><title>A festa</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Então fomos para a festa, àquela destinada apenas aos solteiros, ou solteiras. Um viva às mulheres (e aos homens, lembrou mais uma vez Paulinho). A nossa saída, aquele clima de descompromisso me lembrou quando este clima começou a se apoderar de mim, já namorando com Patrícia. Era estranho ver todo aquele mundo lá fora, e que a partir daquele momento poderia fazer parte de dentro e de perto do meu mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dançávamos com animação e com vontade. Patrícia como sempre linda, aos meus olhos e aos de algumas meninas que insistiam em lhe lançar olhares maliciosos, como se desconsiderassem a minha presença ali. Puxei-a mais para perto de mim, ela sorriu satisfeita, talvez nem percebesse que aquelas meninas intrusas soltaram suspiros de insatisfação ao me ver beijando-a.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela estava com sede e eu precisava ir ao banheiro. Seria a primeira vez que nos desgrudaríamos em uma festa daquelas, naquele lugar. Seria a primeira vez que nos distanciaríamos para nunca mais voltar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Depois de um tempo, assim de cabeça fria, vendo as pessoas dançarem sem grandes pretenções, eu até poderia dizer que eu não fui a única a cometer uma quebra de cláusulas. Preferia acreditar nessa minha hipótese que se tornara a mais completa verdade do que pensar por assim dizer que fui eu e só eu que iniciara aquele fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lhe dei mais beijo, e naquela época não pude entender o que era aquele gostinho de despedida que senti. Aqueles segundos a mais de olhos fechados depois do beijo, como se quisesse guardar para sempre aquele momento que jamais voltaria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Hoje, sozinha naquele mesmo bar, com quase as mesmas pessoas, afinal nenhuma tinha nome nem cara naquele tempo nem hoje, entendia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fui em direção ao banheiro, muito apertada e tentando ao máximo ser gentil com as pessoas que insistiam em não me dar licença. Sabe quando tudo parece estar em câmera lenta só porque você precisa urgentemente ir ao banheiro? Pois então, esta fora a minha primeira impressão naquele momento. Mas depois de ir ao banheiro, ufa, e sair da cabine sendo praticamente empurrada por meninas que rapidamente trancaram a porta atrás de si, a câmera continuava lenta. Como num filme. Como em Closer quando aqueles "estranhos" se olharam pela primeira vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando fui lavar minhas mãos, levantei meu rosto em direção ao espelho e avistei refletido nele uma menina. Não era apenas uma menina. Era uma menina de cabelos castanhos quase loiros, olhos vidrantes e uma boca carnuda. Arrisquei descer um pouco mais meu olhar, tentando não lhe parecer criminosa, um vestido muito justo, com um decote de deixar qualquer pessoa louca. Daquela posição poderia dizer que era quase vulgar, mas era engraçado que o conjunto da obra, aquela bela obra parecia prima, de primeira classe. Toda a vulgaridade se transformava, ainda naquele mesmo segundo olhar, em sensualidade. E em um desejo, como se ele fosse reprimido e enfim encontrara aquela relíquia perdida. Me dei conta tarde de mais que ainda permanecia com meus olhos postos nela. Ela percebeu e ficou me olhando até eu desistir de olhá-la, já com certa vergonha, já pensando que estivesse fazendo errado com Patrícia (depois de algum tempo encrementei minhas desculpas com o namoro). Ela manteve um sorriso perverso no canto da  boca enquanto passava seu baton, deixando aquele movimento tremendamente desnecessário fisgar até minha respiração, demoradamente. Passou um lábio no outro, sorriu, talvez mais para si mesma do que pra mim, e saiu. Acompanhei seu movimento até sumir pela porta. Voltando à realidade reparei que várias meninas me olhavam brabas por eu ainda estar ocupando o espelho tão desputado por elas. Sai do banheiro secando minhas mãos nas velhas calças jeans. Ainda tentei encontrar aquela menina tão encantadora com os olhos, mas me deparei com uma Patrícia me olhando estranha. Talvez o primeiro rompimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nesse espaço de tempo entre o beijo e aquele olhar silencioso, a nossa história encontrara enfim o ponto final. Sabíamos, que o ponto não viria assim tão pragmático. Ele demoraria o tempo necessário para que aquela nossa história encontrasse o pior fim. O mais doloroso, mais cheios de mentiras e de outras histórias além da história de nós duas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Olhei para os lados, tentando não revelar aquele tão pouco que acontecera no banheiro, mas que fora o suficiente para mudar tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que foi? - me perguntou segurando uma garrafinha de água pela metade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ta estranha...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tô não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Hm.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Resolvi olhá-la, sentindo que virara-se para o lado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Havia alguma coisa estranha em sua expressão. Talvez preocupação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que foi?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela virou-se para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que foi o que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ta esquisita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu não! Você que está me fazendo essa pergunta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tô não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Realmente eu que estava. Achar alguma coisa diferente, naquele momento vendo Paulinho dançar até o chão com um cara dois metros maior que ele, me fez perceber que era coisa minha. Só minha, desde aquele sorriso cauteloso da menina refletida. Talvez aquele espelho refletisse mais coisas do que uma menina e eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Manu, você não vem dançar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu tô com um pouco de dor de cabeça, acho que bebi de mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Quer água?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não, brigada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que foi?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não foi nada não, acho que eu vou pra casa, sei lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O que aconteceui? - passou sua mão de leve no meu rosto, como se estivesse a medir minha febre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não to doente - sorri.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Então o que?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Permaneci em silêncio sem saber o que dizer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Me olhou no fundo dos olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- É a Yumi né?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ai Déia, você e essa sua mania de colocar a Yumi no meio da história.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Claro que é a Yumi e os quase qualquer coisa que vocês nunca têm, você não tinha dito que iria desencanar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu vou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Se vai é porque ainda não foi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Como você é espertinha Déia, me admiro!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Como você é pamonha! A tua vida vai passar e você não vai nem ver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Até parece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Até parece que você faz alguma coisa pra mudar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Quem disse que eu quero mudar a minha vida?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E quer permanecer apaixonada por uma menina que não ta nem aí para você - viu minha cara de tristeza ou de sei lá o que - não Manu, não adianta fazer essa cara, se ela estivesse aí pra você ela não ficaria te fazendo de gato e sapato, uma hora parecendo que quer, outra que não quer, se fazendo e te usando, porque é isso que ela ta fazendo. Ela sente que você ta a fim dela, pode ter certeza, só um idiota pra não perceber isso...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Só um idiota pra culpar Patrícia por minhas loucuras e fraquezas. Pela minha falta de sinceridade naquele momento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Pati não é nada viu? To só com dor de cabeça, já vai passar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sei...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe o que vai fazer passar minha dor de cabeça mais rápido?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O que? - me perguntou preocupada, ainda segurando aquela garrafinha de água.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Um beijo da minha namorada linda - sorri. Ela me lançou um sorriso apaixonante, com seus olhos brilhando aquém das luzes do bar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Primeira vez que me desvirtuara estando à tão poucos metros de distância de Patrícia. Primeira vez que seu beijo me fizera esquecer momentaneamente do resto. O problema seria quando nem os beijos assim o fizessem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3779967227418961874?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/festa.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-8241682351788453687</guid><pubDate>Thu, 13 Aug 2009 11:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-13T08:48:20.086-03:00</atom:updated><title>Era isso</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Yumi chegou enquanto brindávamos sorrindo. Vez por outra me lançava um olhar de soslaio, que eu tentava fazer de conta que não o via.&lt;br /&gt;- Vocês tão brindando à que?&lt;br /&gt;- Aos solteiros.&lt;br /&gt;- À liberdade - Maurício falou alto muito animado.&lt;br /&gt;- À felicidade.&lt;br /&gt;- Ao mundo!&lt;br /&gt;- Às mulheres - Renata riu com uma cara de quem iria aprontar.&lt;br /&gt;- Aos homens - completou Maurício.&lt;br /&gt;- Ao fim dos relacionamentos chatos! - Paulinho falou por fim.&lt;br /&gt;Todos se calaram.&lt;br /&gt;- É sério! - e soltou uma gostosa gargalhada.&lt;br /&gt;- Então não posso brindar.&lt;br /&gt;- Porque você ainda está num relacionamento chato né?! - falou Déia virando-se para mim.&lt;br /&gt;- Eu não! Quem te disse isso? - também voltou-se para mim.&lt;br /&gt;Arregalei os olhos levantando minhas mãos como se desfizesse a minha culpa.&lt;br /&gt;- Você quem sabe Mi - disse Paulinho sem perceber o que havia acontecido - eu sei que hoje nós vamos comemorar a vida!&lt;br /&gt;- Mas existe vida durante o namoro também - defendeu Yumi.&lt;br /&gt;- Até parece - falei mais alto do que previa.&lt;br /&gt;- Claro que existe! Eu tenho vida - sorriu.&lt;br /&gt;Todos olhavam quietos para ela, como se Yumi fosse um E.T. que recém havia aterrissado na sacada.&lt;br /&gt;- Cadê a Jéssica então?&lt;br /&gt;- Ih, começou - falou Paulinho.&lt;br /&gt;Eu fiz que não com a cabeça.&lt;br /&gt;- Vocês duas que deveriam namorar - riu Maurício.&lt;br /&gt;Todos se olharam muito rapidamente, talvez tão rápido que ninguém havia percebido os vários olhares daquele pouco mais de dois segundos.&lt;br /&gt;- Ok o importante é a festa, pra onde vamos? - Renata falou rapidamente, como se previsse a futura briga entre Yumi e eu.&lt;br /&gt;Passado alguns minutos de discussão sobre onde seria a nossa balada, nada de novo. O mesmo lugar de sempre. Seria interessante sair assim, sem peso nenhum, sem Yumi ou os seus fantasmas.&lt;br /&gt;Ela continuava me olhando, talvez esperando que eu dissesse que não iria, ou que falasse qualquer outra coisa. Fiquei perdida algum tempo olhando-a. Ela também. Senti um forte cutucão vindo do meu lado.&lt;br /&gt;- O que você acha Manu?&lt;br /&gt;- Hm?&lt;br /&gt;- O que você acha?&lt;br /&gt;- Acha do que? - voltei à Déia um pouco encabulada, mesmo sabendo que ela não havia percebido que me desconcentrei por causa de Yumi. Mas Yumi sorriu vendo meu desconcerto, talvez porque percebeu que assim eu estava justamente por sua causa. Até satisfeita. Mas sinceramente eu queria entendê-la, saber o que tanto a impedia de ficar comigo, porque a essa altura ela já sabia. Todos já sabiam. Mas ela sim, pra ela já havia caído a ficha, mesmo antes de eu me convencer de que assim era. Mesmo antes de várias tantas coisas não terem acontecido por questão de pouca coisa. Aquela noite em que dormimos juntas, e no sentindo literal, mas que ficamos tão próximas, também no sentido denotativo, havia mudado algo. Talvez o seu olhar quando o mirava para mim. Talvez seu sorriso que agora era muito mais fácil. Ela sabia que algo tinha. Ela sentia. E eu sentia e sabia que era mútuo. Talvez para mim fosse menos complicado, porque apenas sentia. Yumi por sua vez pensava, pensava até de mais. Pesava muitas coisas, mesmo que a estas não cabiam medidas. Ela namorava, tentava me convencer que era só por isso que ela não me deixava chegar mais perto. Chegar no sentido literal, sem mais delongas.&lt;br /&gt;- De irmos lá pra casa antes da balada.&lt;br /&gt;Concordei com a cabeça ainda sem prestar atenção.&lt;br /&gt;Yumi voltou-se para Paulinho, voltou-se ao seu copo de cerveja, voltou-se ao seu celular que volta e meia piscava dando alerta de nova mensagem, mas sempre no fim voltava-se para mim, quase esperando eu ir falar com ela. Sentia que havia assinado um tal contrato mental com ela. E talvez não fosse interessante ultrapassar as regras que haviam sido impostas. Eu sentia que devia algo para Yumi. Mas não que isto tivesse algum peso de uma dívida. Mas era um peso de compromisso. Podia parecer loucura tudo isso, mas era o que eu sentia, mesmo às vezes não acreditando muito. Me sentia responsável por Yumi. Pela sua felicidade, pela sua saúde, pelo seu sorriso no final da tarde, pelo seu boa noite. E talvez eu não estivesse tão enganada assim porque ela me dava esse espaço. Espaço até de mais. Ficava com medo de infringi-lo e estragar tudo. Não sabia muito bem quais eram meus limites. Mas estava a fim de testá-los, mesmo que isso custasse muito mais do que umas férias na praia.&lt;br /&gt;- O que você está esperando?&lt;br /&gt;- Esperando o que?&lt;br /&gt;- Onde você está?&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;Bufou. Continuava olhando para Yumi, ela sorriu. Ou continuava sorrindo.&lt;br /&gt;- Esquece - Déia saiu de perto de mim indo em direção à cozinha.&lt;br /&gt;Todos continuavam conversando já planejando como seria a noite. Eu confesso que estava por fora, não sentia aquela excitação de todos. Fui ao banheiro, lavei meu rosto, me olhei firme no espelho tentando fazer aquela nuvenzinha que pairava por cima de mim sair para longe. O que estava me dando afinal?&lt;br /&gt;Quando sai do banheiro dei de cara com Yumi escorada na porta.&lt;br /&gt;- Oi - sorri ainda tomada pelo susto de sua súbita aparição.&lt;br /&gt;- Oi - continuou parada na minha frente.&lt;br /&gt;- Vem sempre aqui? - sorri.&lt;br /&gt;- Se você vier eu venho - sorriu também ainda parada.&lt;br /&gt;- Então vou começar a vir sempre - imitei-a.&lt;br /&gt;Sorrimos juntas.&lt;br /&gt;Fui em sua direção, mais para passar do que para qualquer outra coisa. Ela talvez entendendo errado meu sinal, foi para trás assustada, como se tivesse medo de que eu tentasse beijá-la naquele momento.&lt;br /&gt;- Manu...&lt;br /&gt;- Sim? - falei parecendo (ou tentando) ser displicente.&lt;br /&gt;- Eu queria falar uma coisa com você.&lt;br /&gt;- Pode falar - tentei transparecer calma, apesar do meu coração ter dado um salto ao ouvir estas últimas palavras.&lt;br /&gt;- Aqui não dá.&lt;br /&gt;- Então aonde?&lt;br /&gt;- Vem cá.&lt;br /&gt;A segui. Saímos do apartamento, ninguém nos viu. A segui pelo corredor, encaramos um jogo de escadas, ela abriu uma porta que dava para o terraço.&lt;br /&gt;- Como você sabia da existência daqui? - perguntei surpresa.&lt;br /&gt;- Ah, eu tenho meus contatos - sorriu, indo em direção ao peitoral que dava direto para a imensidão da cidade.&lt;br /&gt;- Bonito aqui né?! - tentei parecer casual.&lt;br /&gt;- Sim - concordou.&lt;br /&gt;- O que queria falar comigo? - falei antes que ficássemos em silêncio.&lt;br /&gt;- Ahm, queria te pedir desculpas – falou pausadamente.&lt;br /&gt;- A gente veio até aqui pra você me pedir desculpas? Estava esperando um pedido de casamento depois de tanto suspense - falei brincando. Ela riu me empurrando gentilmente.&lt;br /&gt;- Como você é besta.&lt;br /&gt;- Ué, to tentando entender por que você está me pedindo desculpas.&lt;br /&gt;- To te pedindo desculpas por essas coisas todas.&lt;br /&gt;- Que coisas todas?&lt;br /&gt;- Todas as coisas.&lt;br /&gt;- Que coisas?&lt;br /&gt;- Essas que tão acontecendo.&lt;br /&gt;- Que coisas que estão acontecendo? Por enquanto não ta acontecendo nada - sorri mais para mim mesma do que pra ela.&lt;br /&gt;- Pois é. Então que seja por isso.&lt;br /&gt;- Isso o que?&lt;br /&gt;- Essas coisas que não estão acontecendo.&lt;br /&gt;- Hm - interroguei-a - o que têm elas?&lt;br /&gt;- Então você sabe do que eu estou falando?&lt;br /&gt;- Claro - respondi tentando entender o porquê daquela conversa.&lt;br /&gt;- Então peço desculpa por essas coisas que não estão acontecendo.&lt;br /&gt;- Não precisa pedir desculpa por nada - falei um pouco mais fria do que gostaria, mas no fundo do jeito que queria.&lt;br /&gt;- Claro que preciso.&lt;br /&gt;- Não precisa mesmo - retruquei ficando com um pouco de raiva daquele acesso de piedade dela para comigo.&lt;br /&gt;- É que eu não entendo o que ta acontecendo.&lt;br /&gt;- Mas a gente não acabou de dizer que não está acontecendo nada?&lt;br /&gt;Ela me lançou um olhar de descrença.&lt;br /&gt;- Olha Yumi, somos bem grandinhas, não precisa me pedir desculpa por nada. Você não me deve absolutamente nada.&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;- Então pra que pedir desculpas?&lt;br /&gt;- É verdade né? Eu que sou uma besta por vir te chamar aqui e tentar entender o que está acontecendo - olhou triste para os pés.&lt;br /&gt;Me senti um pouco deslocada com aquela constatação.&lt;br /&gt;- Não ta acontecendo nada Yumi.&lt;br /&gt;- É por isso que eu to aqui.&lt;br /&gt;- Porque não ta acontecendo nada? - sorri daquele diálogo de loucas.&lt;br /&gt;- Sim e não. Sim porque não está acontecendo nada. E não porque é por não estar acontecendo que eu to te pedindo desculpa.&lt;br /&gt;- Agora eu que te peço desculpas, não to entendendo nada - ri sincera.&lt;br /&gt;- Olha Manu eu devo ta enxergando coisas de mais, é isso. Esquece o que eu falei ta?&lt;br /&gt;- Não, eu to aqui pra tentar entender - permaneci parada.&lt;br /&gt;Ela olhou profundamente para o infinito daqueles prédios que nos rodeavam. Respirou fundo.&lt;br /&gt;- Eu confio em você Manu.&lt;br /&gt;- E isso é um problema? - me escorei ao seu lado.&lt;br /&gt;- Você é minha amiga.&lt;br /&gt;- E?&lt;br /&gt;- E amigas não ficam - soltou.&lt;br /&gt;- Mas a gente não ficou - comecei a ficar nervosa com aquilo tudo.&lt;br /&gt;Ela me olhou ainda escorada.&lt;br /&gt;- E porque a gente não ficou?&lt;br /&gt;- Porque somos amigas?&lt;br /&gt;- Você acredita mesmo que é por causa disso?&lt;br /&gt;- Não, eu acho que é porque você tem namorada e gosta dela - falei olhando para os lados, com medo de que ela percebesse a mentira que neles refletia.&lt;br /&gt;Ela riu.&lt;br /&gt;- É mesmo que você acredita nessa viagem que você está me dizendo?&lt;br /&gt;- Mas você não gosta da sua namorada?&lt;br /&gt;- Claro que gosto.&lt;br /&gt;- Então pra mim basta.&lt;br /&gt;- Pra mim também.&lt;br /&gt;- Então pronto, não tem nada que me pedir desculpas.&lt;br /&gt;- Mas eu me sinto culpada.&lt;br /&gt;- Não se sinta, você não fez nada, aliás a gente nunca fez nada e nunca vai fazer - falei irritada - não tem porque pedir desculpas. Peça desculpas à Jéssica por namorar com ela sem gostar dela.&lt;br /&gt;- Quem disse que eu não gosto dela.&lt;br /&gt;- Olha Yumi, como eu sou sua amiga eu acho que posso te dizer que você só namora com as pessoas porque elas são fáceis. E eu sinceramente não acredito que algo que comece desse jeito possa dar certo.&lt;br /&gt;- Mas quem disse isso?&lt;br /&gt;- Você mesma disse isso.&lt;br /&gt;- Você está louca Manu.&lt;br /&gt;- Não estou, olha o jeito que você trata a Jéssica, por mais que eu não goste dela, eu acho que ela não merecia essa tua falta de interesse por ela.&lt;br /&gt;- Quando que eu não demonstrei interesse por ela?&lt;br /&gt;- Você nunca demonstra.&lt;br /&gt;- Me diz uma vez.&lt;br /&gt;- Todas as vezes que eu to com você eu nunca vejo você tratando ela bem.&lt;br /&gt;- Mas é que... - calou-se.&lt;br /&gt;- Ontem mesmo.&lt;br /&gt;- Pois é, ontem. Era sobre isso que eu queria falar também... - voltou novamente seu olhar para o horizonte.&lt;br /&gt;- Não temos nada para falar sobre ontem Yumi. Aconteceu e não aconteceu. Eu também não estou facilitando.&lt;br /&gt;- Não, eu que estou fazendo tudo errado.&lt;br /&gt;Era a minha deixa para concordar com tudo aquilo e tentar entender o que estava acontecendo. Acompanhei o seu silêncio.&lt;br /&gt;- Eu só queria te pedir desculpas ta Manu?! Será que é tão difícil de aceitar isso?&lt;br /&gt;- Posso aceitar, mas queria entender porque você está me pedindo desculpas.&lt;br /&gt;- Porque eu... - ela olhava agora para os lados, talvez pedindo apoio a um dos tantos edifícios que nos olhavam mudos e cinzas - você não entende.&lt;br /&gt;- Se você me explicasse eu poderia entender.&lt;br /&gt;Ela parecia nervosa, balançava seus dedos freneticamente.&lt;br /&gt;- Yumi, eu to aqui com você, não precisa ficar assim, outra hora a gente conversa, ta legal?&lt;br /&gt;- Ok.&lt;br /&gt;- Não precisa se estressar, eu sei entender quando as coisas não são pra ser.&lt;br /&gt;- Mas não é isso.&lt;br /&gt;- Enquanto você não tem outra explicação melhor pra me dar, ficamos entendidas que é isso sim - sorri tentando parecer amigável. Me aproximei mais dela. Meu braço tocou no seu. Empurrei-a com o ombro, com meu sorriso demonstrando um ato de paz entre nós.&lt;br /&gt;Ela sorriu de volta. Me virei em sua direção, passando minha mão sobre seu rosto. Ela por alguns segundos fechou os olhos, mas logo os tornou atentamente para os meus.&lt;br /&gt;- Você é linda... - falei olhando para seus olhinhos puxados que sorriram ao me ouvir. Passava meus dedos lenta e delicadamente sobre a sua maçã do rosto, descendo em direção aos seus lábios semi-abertos. Revelavam um sorriso.&lt;br /&gt;- Desculpa se eu não soube me conter... - continuei pousando meu indicador sobre sua boca. Olhei-a mais uma vez, agora diretamente para sua boca - mas prometo que isso não vai se repetir.&lt;br /&gt;Sai de perto dela, aquilo era tortura de mais.&lt;br /&gt;Antes de fechar a porta atrás de mim ainda ouvi um resmungo dela de "você não entende". Não tinha nada o que não entender. Era aquilo. Ela tinha as coisas dela, ela tinha a sua namorada, tinha a sua vida, suas facilidades e vantagens ao namorar Jéssica. Tinha feito suas escolhas e dizer que eu "não entendia" era mais fácil. Tudo bem, eu sabia perder, não iria ser aquilo que me faria estragar a noite.&lt;br /&gt;Juntei-me aos solteiros. Eles sim saberiam curtir a vida sem confusão alguma. Sem dramas! Era isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-8241682351788453687?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/era-isso.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-1184757861364933361</guid><pubDate>Tue, 11 Aug 2009 16:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-11T13:53:36.674-03:00</atom:updated><title>Problemas técnicos</title><description>Amanhã às 20h as postagens voltam ao normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-1184757861364933361?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/problemas-tecnicos.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3397981828377540881</guid><pubDate>Sun, 09 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-09T09:00:03.880-03:00</atom:updated><title>Feliz dia do desnamoro</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;- Como vocês demoraram hein?&lt;br /&gt;- Ah, a gente ainda passou pra buscar as meninas.&lt;br /&gt;Depois de um breve oi para todo mundo, Luiz, Leandro, Paulinho e Maurício já nos esperavam, de um largo sorriso de Marta quando nos viu, enfim sentamos na sala.&lt;br /&gt;Marta nos serviu de uma cerveja argentina muito boa e tão logo começamos a beber e a conversar, meu constrangimento pelo que havia acontecido (ou não acontecido) entre Yumi e eu desaparecera. Paulinho e Leandro estavam estranhos, nunca os vira sendo tão ríspidos um com o outro como daquela maneira. Brigavam por qualquer coisa, pairava um clima muito pesado entre eles. Percebia que Carol com sua enorme simpatia tentava amenizar as coisas, mas seu esforço era praticamente em vão.&lt;br /&gt;Luiz na volta do banheiro sentou-se ao meu lado.&lt;br /&gt;- E aí Manu, quanto tempo que não nos víamos né?!&lt;br /&gt;- É verdade - concordei não sentindo mais tanta felicidade assim.&lt;br /&gt;Como vai a faculdade, o papagaio e as coisas em geral, esse foi o máximo de diálogo entre nós. Novamente Luiz tentava aos pouquinhos inserir o assunto que não havíamos nos conhecido muito bem naquelas férias, que poderíamos nos conhecer agora, que tinha assistido a um filme e lembrado de mim, que achava uma pena nossas férias terem acabado daquela maneira. Fiz um sinal estranho para que Renata me tirasse dali, e ela mais estranhamente ainda, entendeu, me chamando. Fomos para a enorme sacada. Marta morava num apartamento muito grande e bem arrumado. Fiquei pensando se era ali que ela morava com a sua ex-esposa.&lt;br /&gt;- O cara já tava te enchendo o saco é?&lt;br /&gt;- Sim, ele não entende que eu gosto de mulher - sorri olhando para aquela selva de pedras. Parecia que os prédios disputavam entre si quem seria o mais alto e feio. Quase não dava para enxergar o vazio do céu.&lt;br /&gt;Déia se aproximou de nós.&lt;br /&gt;- Sobre o que vocês estão conversando?&lt;br /&gt;- Sobre o que mais seria?, mulheres - respondeu Renata satisfeita.&lt;br /&gt;- Que mulher em específico?&lt;br /&gt;- A Manu nesse primeiro momento - riu olhando para mim.&lt;br /&gt;- Você vai nos contar o que pegou com a Yumi ontem né?! - Déia escorara-se ficando de frente para mim.&lt;br /&gt;- Não aconteceu nada e esse é o problema.&lt;br /&gt;- Você que não sabe chegar em mulher Manu - falou Renata.&lt;br /&gt;- Sei sim! Ela que é muito fresca.&lt;br /&gt;Conteve brevemente sobre a noite, o pouco que tinha pra contar.&lt;br /&gt;- Ela está se fazendo.&lt;br /&gt;- Sim eu sei, mas e aí, o que eu faço?&lt;br /&gt;- Vira a página e passa pra próxima da fila.&lt;br /&gt;Fiz que não com a cabeça.&lt;br /&gt;- Ah Manu, você é muito retrô. Já deu tempo suficiente pra você chorar pela Patrícia, já deu tempo suficiente para você chegar na Yumi, agora game over, começa outro jogo.&lt;br /&gt;- Como se fosse assim.&lt;br /&gt;- É assim sim Manu, você que está complicando coisas de mais. A vida é simples.&lt;br /&gt;- Também acho Manu - Renata também voltou-se para mim - você é jovem, tem muita coisa pra viver além de uma orientalzinha fazida.&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;- É Manu, vamo sair hoje?!&lt;br /&gt;- Sair pra onde?&lt;br /&gt;- Pode ser pra qualquer lugar, desde que você não leve a Yumi consigo.&lt;br /&gt;- Nem em pensamento - completou Renata.&lt;br /&gt;Sorri para as duas. Talvez fosse o melhor a fazer. Yumi não queria nada, sabe-se-lá por que. Talvez porque estivesse namorando, talvez porque não gostava de mim, talvez por tudo isso e mais. Então chega desse assunto, pensei anotando mentalmente. Que fosse feliz de outras maneiras.&lt;br /&gt;Paulinho juntou-se a nós cabisbaixo.&lt;br /&gt;- Que foi meu lindo?&lt;br /&gt;- Ah, homens.&lt;br /&gt;Rimos as três.&lt;br /&gt;- Cansei de homens, de verdade!&lt;br /&gt;- O que aconteceu? - perguntei tentando conter meu riso.&lt;br /&gt;- O Leandro é um animal insensível.&lt;br /&gt;- E nós aqui reclamando que mulheres são sensíveis até de mais - falou Déia abraçando-o.&lt;br /&gt;- Mas cadê ele?&lt;br /&gt;- Eu terminei com ele.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Ah, cansei desse cara. Ele é grosso de mais, ele me ignora na frente dos outros, me trata mal, não me dá atenção, é um ogro.&lt;br /&gt;Maurício também juntou-se a nós.&lt;br /&gt;- Ele já foi - olhou-o ternamente.&lt;br /&gt;- Que bom, espero nunca mais ver aquele miserável!&lt;br /&gt;Paulinho parecia estar mais brabo do que triste. Mais irritado do que sentido pelo término do seu namoro.&lt;br /&gt;- Sabe Paulinho, a gente mesmo tava planejando uma noite dos solteiros, pra curtir a vida mesmo, vem com a gente?&lt;br /&gt;- Aonde que vocês pensam em ir suas loucas? - falou com os olhos vermelhos, como se estivesse prestes a chorar.&lt;br /&gt;- Em qualquer lugar que casados não entrem - sorriu amigavelmente.&lt;br /&gt;- A situação ta feia hein? - Maurício escorou-se ao lado de Renata.&lt;br /&gt;- Feia não, isso sim que é bom! - falou Déia erguendo seu copo de cerveja para que pudéssemos brindar.&lt;br /&gt;- Um brinde aos solteiros!&lt;br /&gt;Todos fizeram um mesmo movimento em direção ao céu. Que brindássemos então aos solteiros, à falta de compromisso com os outros, a uma nova vida, mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3397981828377540881?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/feliz-dia-do-desnamoro.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-7287387256462469178</guid><pubDate>Sat, 08 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-08T09:00:02.314-03:00</atom:updated><title>Pizza</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;- A Marta nos chamou pra almoçar na casa dela, a Carol me ligou antes... - ela falava olhando para o guarda-roupas.&lt;br /&gt;- Eu acho que vou pra casa - eu olhava para ela.&lt;br /&gt;- Não... Quer dizer, a Carol queria que todos estivessem juntos.&lt;br /&gt;- Quem mais vai?&lt;br /&gt;- Ah, não sei. O Luiz, os meninos, ela disse pra você chamar a Déia e a Renata também - fora para frente do guarda-roupas abrindo as portas em busca de alguma coisa com os olhos.&lt;br /&gt;- Não sei, estou meio cansada, tenho umas coisas pra fazer ainda, semana que vem tenho que entregar um relatório ainda.&lt;br /&gt;Preferia que não tivesse sonhado nada.&lt;br /&gt;- Bom, você quem sabe... Acho que ela ficaria feliz se você fosse ela parecia bem animada.&lt;br /&gt;- Se todo mundo vai eu não vou fazer falta - sorri sem graça.&lt;br /&gt;- Claro que vai - disse muito rápido, talvez mais rápido do que pode refletir.&lt;br /&gt;Sentei na cama ainda com os olhos sobre ela. Queria dizer alguma coisa, nem que fosse desculpa. Mas seria um pedido de desculpas pelo que? Ela que deveria me explicar alguma coisa, não eu.&lt;br /&gt;- Vai você lá, eu sinceramente prefiro ir pra casa.&lt;br /&gt;- Por quê? - não olhava pra mim.&lt;br /&gt;- Porque tenho outras coisas pra fazer.&lt;br /&gt;- Que coisas?&lt;br /&gt;- Estudar.&lt;br /&gt;- Até parece...&lt;br /&gt;- Olha pra mim - falei segurando sua mão.&lt;br /&gt;- To olhando - virou-se.&lt;br /&gt;- Nós somos amigas.&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;Concordei com a cabeça.&lt;br /&gt;- Vô pra casa.&lt;br /&gt;Me levantei.&lt;br /&gt;- Por favor, vai lá com a gente.&lt;br /&gt;- Pra que?&lt;br /&gt;- Porque elas são tuas amigas, a Carol ta toda animada, só Deus sabe o quanto ela sofreu por causa da Maria. Acho que é importante a gente dar apoio a ela.&lt;br /&gt;Seu celular tocou. Rapidamente ela atendeu.&lt;br /&gt;- Que bom que você ligou a Manu não ta querendo ir, diz que vai estudar, vê se pode. Sim eu sei, peraí - virou-se para mim - ela quer falar com você - me entregou seu celular.&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;- Cara, claro que você vem almoçar com a gente, Marta me ensinou a fazer pizza.&lt;br /&gt;Pouts, pizza de novo não, pensei cansada.&lt;br /&gt;- Ah que legal Carol.&lt;br /&gt;- Sim é muito legal, eu que fiz, queria que vocês experimentassem.&lt;br /&gt;- É que to um pouco cansada, sério... Acho que é tpm - inventei.&lt;br /&gt;- Ah pára Manu, que frescura é essa? É por causa da Marta né?&lt;br /&gt;- O que? Não! - ri.&lt;br /&gt;- Ah, pode parar, é por causa dela né? Você queria ter ficado com ela e eu fiquei, e eu que te apresentei né?! Sacanagem minha, poxa Manu desculpa.&lt;br /&gt;- Não fala besteira - interrompi.&lt;br /&gt;- Tem certeza?&lt;br /&gt;- Claro que não é por causa da Marta – sorri de sua ingenuidade.&lt;br /&gt;- Então é por causa de quem?&lt;br /&gt;- Quem disse que era por causa de alguém que eu não vou? - nesse momento Yumi virou-se novamente para mim, mas disfarçou indo pegar um casaco sobre a cadeira em frente ao computador.&lt;br /&gt;- Então é por causa do que?&lt;br /&gt;- Porque tenho que estudar.&lt;br /&gt;- Ai que mania que vocês têm de estudar quando começa a faculdade, é só um almoço tá? Não vamos ficar até amanhã aqui, é só almoçar daí eu mesma te levo em casa, fechado?&lt;br /&gt;- Fechado - não resistia à simpatia de Carol.&lt;br /&gt;- Chama as meninas também, beijos.&lt;br /&gt;- Tchau - falei ficando um pouco mais animada, mas não o suficiente para deixar de me sentir extremamente constrangida por aquela situação. Há poucos minutos atrás tudo aquilo estava acontecendo com Yumi e agora parecia que nada havia acontecido. Aquilo me irritava, me lembrava nos tempos em que Patrícia e eu queríamos ficar a sós e não conseguíamos por que sempre havia alguém para nos atrapalhar. Me irritava tantas coisas para acontecer mas que nunca chegavam de fato a existir. Me irritava mais ainda a displicência de Yumi que fazia de conta que realmente tudo era só coisa da minha cabeça. Como se eu fosse uma qualquer.&lt;br /&gt;- Então você vai?&lt;br /&gt;- Vou né, fazer o que?&lt;br /&gt;Entramos no carro em silêncio indo em direção ao apartamento das meninas. Elas já nos esperavam na frente, Déia muito animada como sempre, Renata com cara de sono. O restante do caminho foi em silêncio, tirando alguns comentários de Déia sobre as roupas das pessoas pela rua, de como o dia estava agradável, de como o mundo era bonito.&lt;br /&gt;- O que você fez ontem Déia?&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque você ta toda feliz?!&lt;br /&gt;- Minha noite foi maravilhosa!&lt;br /&gt;- Conta.&lt;br /&gt;- Ah...&lt;br /&gt;Renata fez um muxoxo.&lt;br /&gt;- Ela se encontrou com a Micheli.&lt;br /&gt;- Aff... Só o que me faltava vocês começarem a namorar agora.&lt;br /&gt;Ela ficou em silêncio.&lt;br /&gt;- Não acredito que vocês estão namorando!&lt;br /&gt;Renata e Déia riram juntas.&lt;br /&gt;- Sério?&lt;br /&gt;- Claro que não! - falou me deixando aliviada.&lt;br /&gt;- Ah, já pensei que havia perdido mais uma amiga para o namoro.&lt;br /&gt;- Jamais.&lt;br /&gt;- E porque você ta assim radiante?&lt;br /&gt;- Porque a gente conversou sobre isso, e eu deixei bem claro que a gente não está e nem estará juntas.&lt;br /&gt;- Nossa!&lt;br /&gt;- E ela concordou feliz, porque achava que eu pensava que a gente tava namorando.&lt;br /&gt;- Que confusão.&lt;br /&gt;- Confusão não, tudo fica mais fácil quando a gente conversa. Ainda mais quando se tem duas meninas - sorria de orelha a orelha.&lt;br /&gt;- Fico feliz por você.&lt;br /&gt;- E vocês o que fizeram ontem?&lt;br /&gt;Instintivamente Yumi e eu nos olhamos demoradamente. Déia nos olhou quieta. Renata cochilava no banco de trás. Permaneceu tudo como antes, no mais absoluto silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-7287387256462469178?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/pizza.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-1255245307775340307</guid><pubDate>Fri, 07 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-07T09:00:04.058-03:00</atom:updated><title>Sonhos</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Acordei no meio da noite com frio. Havíamos dormido daquele jeito, deitadas de barriga pra cima. Olhei para o lado e lá estava Yumi. Ali na verdade. Parecia que mesmo dormindo em sua boca ainda havia vestígios de sorriso. Parecia que ela continuava com aquele ar enigmático me convidando. Com delicadeza consegui puxar o colcha onde estávamos deitadas em cima para nos cobrir. Ela se mexeu um pouco, meio que protelando por quase acordá-la. Quando passei a colcha por cima de nós ela se encolheu um pouco, aproximando todo seu corpo contra o meu. Colocou sua cabeça um pouco abaixo da minha, encaixando-se entre meu peito e meu pescoço, passando seu braço por cima de mim me abraçando. Ou eu estava sonhando ou ela também não estava dormindo. Pousei o meu braço sobre ela na expectativa de a qualquer momento abortar. Mas ela só fez aproximar-se mais ainda de mim. Era mais fácil voltar a dormir assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que horas é pra ir? Sei... - riu - Não eu não sei. Tudo bem, marcado então. Certo. Doze? Mas que horas é? Ok, então estaremos aí.&lt;br /&gt;Era a voz de Yumi muito perto de mim. Ainda estava com os olhos fechados. Talvez aquilo fosse mesmo um sonho. Havia imaginado enquanto dormia que estava deitada junto dela, abraçada, na mesma cama aquela.&lt;br /&gt;Permaneci de olhos fechados, esperando a qualquer momento que abortassem meu sonho, que acordaria sozinha numa cama qualquer. Sentia seu corpo quente encostado no meu. Meus olhos estavam fechados, mas ainda sentia seu cheiro, seu calor, sua vida ao meu lado. Meu braço ainda estava sobre ela, e ele ainda assim permaneceu quando Yumi se mexeu encaixando-se mais em mim. Talvez estivesse mesmo sonhando. Talvez estivesse mesmo imaginando coisas de mais. Mas se fosse sonho não haveria problema algum em eu encenar e ensaiar as tantas coisas que desejava  fazer com Yumi. Pois se estivesse sonhando, que fosse o sonho mais belo, para que quando acordasse não restassem dúvidas de que aquilo era de fato um sonho. O melhor sonho.&lt;br /&gt;Abaixei minha cabeça sentindo seu rosto mais próximo do meu. Parei ainda de olhos fechados. Aguardando. Tudo permaneceu igual. Continuei. Com meu braço busquei-a mais para perto de mim. Com o seu braço senti seu abraço apertado, escorregando por minhas costas até chegar a minha cintura. Sua perna ficou sobre a minha. Meu rosto ficou mais próximo do seu. Seu rosto subiu na altura para que nossas bocas pudessem se olhar. Mas eu continuava de olhos fechados, com medo de abri-los e acordar, dando fim aquele sonho. Sentia a sua respiração acelerar junto com a minha. Senti que meu corpo não aguentaria ficar por muito mais tempo de olhos fechados. Sua mão escorreu por baixo da minha blusa chegando a minha pele. Minha mão subiu até chegar à sua nuca, sentindo por entre meus dedos seus fios de cabelos. Nossos narizes se encostaram. Estava com medo de abrir meus olhos e acordar daquele sonho.&lt;br /&gt;- Manu...&lt;br /&gt;Aproximei minha boca da sua, não era a hora certa de acordar. Sua respiração encontrava minha boca, que queria a todo o custo encontrar a sua boca. Sua mão ainda por baixo da minha blusa me puxou forte contra si. Porém seu rosto se distanciou de mim.&lt;br /&gt;- Manu, eu não posso.&lt;br /&gt;Abri os olhos, o sonho acabara.&lt;br /&gt;Ela ainda permanecia na minha frente, sua mão continuava embaixo da minha blusa, sua boca ainda estava olhando para a minha. Consenti com os olhos, ela não podia, mas fazia de tudo para parecer que sim, que estava ali, que aquilo era mais que um sonho. Então pra que insistir em fazê-lo existir, mas não acontecer?&lt;br /&gt;Encostou sua testa na minha, me olhando nos olhos. O que outrora era enigmático se tornara claro. Mas na verdade deixava-se entender até um certo ponto, o ponto mais preciso, porém o resto ainda estava obscuro. Ela deixou tudo acontecer até este ponto, o resto só descobrindo.&lt;br /&gt;Fez um gesto negativo com a cabeça, e murmurou algo como desculpa. Demorou ainda um tempo até tirar todo seu corpo que estava colado no meu de mim. Antes de levantar da cama ainda me lançou novamente aquele olhar que deixava transparecer poucas coisas ou quase nada.&lt;br /&gt;Eu permaneci na cama ainda tentando entender estas tais poucas coisas que podia compreender. Olhava para todos os lados entanto encontrar alguma coisa, qualquer coisa que fizesse eu ter acordado daquele sonho em outro lugar, não ali, não ao seu lado. Antes fosse outra coisa. Mas ainda continuava na cama de Yumi, porém naquele momento completamente sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-1255245307775340307?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/sonhos.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-7892490870064086745</guid><pubDate>Thu, 06 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-06T09:00:04.434-03:00</atom:updated><title>Se</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Estávamos deitadas de barriga pra cima. Já era setembro, algumas provas em vista e uma bela tarde de sol. Um sábado. Uma pizza requentada. Uma cama. Nós duas.&lt;br /&gt;- O que a gente vai fazer hoje?&lt;br /&gt;- Não sei, o que você quer fazer?&lt;br /&gt;- Nada, é bom ficar assim deitada depois de comer.&lt;br /&gt;- Você é uma bela de uma velha que só pensar em dormir.&lt;br /&gt;- Tem coisa melhor pra se fazer?&lt;br /&gt;- E a Jéssica?&lt;br /&gt;- O que tem ela?&lt;br /&gt;- Ela não vem?&lt;br /&gt;- Nesse final de semana não.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque eu precisava estudar, tenho um trabalho super gigante pra fazer.&lt;br /&gt;- E porque você não está fazendo?&lt;br /&gt;- Porque eu to aqui com você - sorriu. Senti com o canto do olho que ela olhava para cima curtindo aquele momento.&lt;br /&gt;- Mas a gente não ta fazendo nada.&lt;br /&gt;- Eu sei. E por isso que é bom!&lt;br /&gt;Escorei minha cabeça com a mão deitando-me de lado ficando de frente para ela.&lt;br /&gt;Deixei escapar um olhar de relance sobre seu corpo tão perto de mim. Agora ela sorria mais, talvez por sentir todo meu olhar sobre ela. Talvez até satisfeita.&lt;br /&gt;- E a Marta?&lt;br /&gt;- Pois é, perdi.&lt;br /&gt;- Perdeu mesmo um mulherão!&lt;br /&gt;- Engraçado que você não parecia querer que eu ficasse com ela, nem ontem, nem nas outras vezes.&lt;br /&gt;- Eu não tenho nada o que querer ou não querer.&lt;br /&gt;- Não tem.&lt;br /&gt;- Não tenho.&lt;br /&gt;- Mas fala.&lt;br /&gt;Ela tentou esconder seu sorriso virando-se para mim.&lt;br /&gt;- Não posso falar?&lt;br /&gt;- Pode.&lt;br /&gt;- Hmm - continuava sorrindo. Cada vez que sorria, ou se mexia, encostava-se em mim, até assim permanecer - bom saber.&lt;br /&gt;Eu sorri de volta. Permanecemos assim sem falar absolutamente nada, apenas sorrindo. Olho no olho. Não havíamos mais tocado no assunto do nosso quase-beijo. Em nenhum dos tantos que não aconteceram pra falar a verdade. Talvez por nunca terem saído do projeto. Mas eu havia tentado ao menos uma vez fazer daquele quase beijo algo real. E era como se nada tivesse feito, afinal continuava no zero a zero.&lt;br /&gt;- Mas a Carol ta se dando bem agora, fico feliz por ela.&lt;br /&gt;- Eu também fico.&lt;br /&gt;- Você acha que elas não voltam?&lt;br /&gt;- Não sei, mas tomara que não né? - olhava de vez em quando nos meus olhos, de vez em quando pra minha boca. Começava a ficar nervosa com aquela situação.&lt;br /&gt;- Por quê? - não conseguia conter aquele sorriso no canto da boca.&lt;br /&gt;- Porque eu quero que a minha amiga seja feliz.&lt;br /&gt;- Mas a Má não é tua amiga também?&lt;br /&gt;- Sim, quero que as duas sejam felizes.&lt;br /&gt;- Mas você acha que elas separadas serão mais felizes do que juntas?&lt;br /&gt;- Tenho certeza absoluta. Sabe fico pensando - agora fora a sua vez de virar-se para mim por completo - às vezes fico viajando...&lt;br /&gt;- Sobre?&lt;br /&gt;- Ah, às vezes penso que tem certas pessoas que não nasceram pra ficar juntas?&lt;br /&gt;- Você acredita no destino? - ri.&lt;br /&gt;- Não besta, não to falando disso. To falando de coisas além de qualquer história que inventem pra dar desculpas sobre amores que não dão certo. To falando que existem pessoas que se dão tão bem como amigas que se um dia virarem namoradas é provável que não dêem certo.&lt;br /&gt;Tentei fazer de conta que aquilo não poderia ser uma indireta.&lt;br /&gt;- Mas elas eram amigas antes?&lt;br /&gt;- Até onde eu sei mais ou menos.&lt;br /&gt;Ri de sua incerteza.&lt;br /&gt;- Mas sei lá. Às vezes a gente confunde amor com amizade, o fato de você se dar super bem com uma pessoa, ter várias coisas em comum, às vezes mais até do que você esperava quando conhece a pessoa, e por isso acha que pode namorar. Aliás, pode não, deve.&lt;br /&gt;- Interessante essa tua teoria, é isso que você aprende na escolinha?&lt;br /&gt;- Não - riu me empurrando - não é isso que eu aprendo na escolinha, é isso que eu vejo acontecer.&lt;br /&gt;- Hmm.&lt;br /&gt;Ela revirou os olhos.&lt;br /&gt;- Eu já encontrei uma pessoa que parecia ter saído da mesma forma que eu, gostávamos das mesmas músicas, lugares, cores, roupas, livros, textos, momentos, tudo era compartilhado e mútuo.&lt;br /&gt;- E aí?&lt;br /&gt;- E aí que não deu certo, obviamente.&lt;br /&gt;- A é? Mas justamente por ter tantas coisas em comum é mais fácil de lidar com a pessoa, não?&lt;br /&gt;- Não, eu gosto quando as pessoas são diferentes de mim.&lt;br /&gt;- É, eu também gosto.&lt;br /&gt;- Pois então, como você pode namorar alguém tão parecido com você? Você nunca vai ter uma surpresa, porque tudo que vocês fazem já é premeditado, pois vocês compartilham os mesmos gostos.&lt;br /&gt;- Continuo achando interessante - sorri.&lt;br /&gt;- É interessante sim - sorriu de volta.&lt;br /&gt;Trocamos um longo olhar sem dizer nada. Seus olhos fecharam e abriram com calma, muito devagar, como se soubesse que eu os cuidava com toda atenção.&lt;br /&gt;- Sabe, eu prezo muito meus amigos.&lt;br /&gt;- Eu continuo concordando - sorri tentando novamente não encarar aquilo como indireta.&lt;br /&gt;- Você não acha que pode estragar uma amizade ficando com uma amiga?&lt;br /&gt;- Acho que vai depender do que você sente e do que ela sente. Do valor que você dá pra amizade e da maneira como você vê ficar com a pessoa.&lt;br /&gt;Sorriu concordando com a cabeça.&lt;br /&gt;- Mas você já ficou com suas amigas né?!&lt;br /&gt;- Já.&lt;br /&gt;- E nunca estragou a amizade?&lt;br /&gt;- Até onde eu sei não.&lt;br /&gt;- Você já ficou com a Déia né?!&lt;br /&gt;- Como você sabe disso?&lt;br /&gt;- Os boatos rolam por aí. Mas vocês continuam amigas né?!&lt;br /&gt;- Sim, muito amigas. O fato de eu ter ficado com ela parece que passou batido na nossa amizade, e é disso que eu falo. Depende da maneira como você vê essa amiga, e a amizade.&lt;br /&gt;- Mas com a Renata também foi assim?&lt;br /&gt;- Não sei, com a Renata por incrível que pareça as coisas são mais complicadas.&lt;br /&gt;- Pois é, esse sempre foi meu medo de ficar com alguma amiga minha.&lt;br /&gt;Esperei que dessa vez isso fosse uma indireta.&lt;br /&gt;Ela se calou me olhando e com aquele sorrisinho quase imperceptível. Me deu vontade de lhe dar um beijo e tocar um dane-se pra tudo. Dessa vez eu ia ficar em silêncio para ver até aonde seu olhar e aquele sorriso iriam.&lt;br /&gt;Ela por sua vez pareceu ter a mesma ideia que eu. Ficamos assim um longo período em silêncio apenas nos olhando nos olhos. E era difícil mantê-los parados, fixos numa única posição. Queria olhar para ela toda, sua boca, seu sorriso. Mas sentia com os olhos seu sorriso. Sentia na minha perna a sua encostando em mim. Ela olhou para o lado, ainda com seu rosto virado pra mim. Depois calmamente voltou-se de barriga para cima. Sempre acompanhada daquele sorriso. Pousou suas mãos por cima de sua barriga e assim ficou.&lt;br /&gt;Continuei olhando-a, agora vencida pela sua beleza, pela sua boca, pelo seu corpo.&lt;br /&gt;Ela sabia que eu estava assim, olhando-a mesmo. E ela continuava sorrindo, sem falar nada, apenas sorrindo. Um sorriso diferente de todos os sorrisos que eu já vira. Era um sorriso que eu conseguia sentir o gosto. Do que exatamente eu não sei, mas sentia. E ao mesmo tempo que ele me dizia tantas coisas, ele era enigmático. Como se estivesse a minha espera para desvendá-lo. Me convidando, me provocando.&lt;br /&gt;Foi a minha vez de novamente me deitar de barriga pra cima. Inevitavelmente nossas pernas se tocaram, e assim permaneceram. Eu não conseguia esconder aquilo tudo que eu estava sentindo apenas pelo seu sorriso. Nunca tinha imaginado que o seu silêncio pudesse me fazer tão bem. E aquele sorrisinho no canto da boca.&lt;br /&gt;Quando me dei conta eu estava sorrindo ainda, com muito menos timidez que outrora, chegava até a mostrar os dentes. Senti com o olho que ela virara para mim. Olhei para ela na hora em que abrira a boca para falar alguma coisa. Mas parou, com a boca semi-aberta. Olhou profundamente para minha boca. Sorriu. Olhou pra meus olhos. Continuou a sorrir. Para a minha boca. Eu sorri. Para os seus olhos.&lt;br /&gt;Assim ficamos pelo resto da noite. Naquele momento percebi que nada além de olhos e sorrisos importava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-7892490870064086745?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/se.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3398609301963567323</guid><pubDate>Wed, 05 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-05T09:00:03.697-03:00</atom:updated><title>Primeira ida</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ta pronta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- To e você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Então vamos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você ta nervosa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não e você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Também não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Então vamos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sim, vamos – me estendeu a mão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Vamos – lhe retribui com um sorriso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Entramos naquele lugar tão esperado e desconhecido. Tinha muitas gentes e por incrível que pareça, várias pessoas com seus respectivos namorados e namoradas. Sorri satisfeita, aí sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Encontramos com o André e o Beto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Vocês demoraram hein?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você não sabe a mão que a gente fez pra chegar aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não entendo porque vocês não vieram comigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Porque a gente ainda tem aula.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Esqueci que vocês ainda são crianças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Oi Beto, tudo bem com você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tudo ótimo, vocês estão lindas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Papo vai papo vem encontraram um amigo deles, desapareceram nos deixando sozinhas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E aí meu amor – falei dando-lhe um beijo – o que você está achando?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Muito legal – seus olhos brilhavam. Fiquei feliz de vê-la assim. Enfim poderíamos nos beijar a vontade naquela festa. Nossa primeira balada GLS. Ainda era estranho ver todo mundo sendo autêntico, podendo demonstrar o seu afeto sem medo de punição. Era gostosa aquela sensação de apenas segurar a sua mão sem olhares. Aqueles olhares que matavam, que castigavam mesmo sem culpa. E as vozes. Os resmungos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas ao mesmo tempo que era boa aquela sensação de liberdade, tanta liberdade dava medo. Ainda sentia culpa. Ainda sentia o peso daquela situação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu te amo – fui surpreendida. Ela me olhava nos olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu também – sorri apaixonada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas culpa por quê? Eu não estava fazendo nada de errado. Não estávamos, estávamos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O que foi meu amor?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Fala, eu te conheço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Só tenho pensado numas coisas ultimamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- No que, posso saber?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ahm, me sinto mal por ter que fazer tudo escondido com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Mas hoje você não precisa se esconder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Mas pra estar aqui hoje estamos nos escondendo, não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Estamos supostamente na festa do pijama de uma colega nossa que nem existe, assim como às vezes o nosso relacionamento parece não existir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Como parece não existir?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Quem mais além de nós duas sabe do nós, de tudo que eu sinto por você. Que eu te amo, que eu só penso em você, que você é a menina mais linda do mundo. Que eu sou a menina mais sortuda e a mais feliz com você? Quem mais além de nós duas sabe que você é o amor da minha vida, que a gente está juntas há tanto tempo, que eu te amo desde a primeira vez que...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Colocou seu dedo delicadamente sobre meus lábios me fazendo parar de falar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Quem mais além de nós duas pra sentir tudo isso que a gente tem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3398609301963567323?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/primeira-ida_05.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3774789951663290276</guid><pubDate>Tue, 04 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-04T09:00:07.182-03:00</atom:updated><title>Reflexos</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Já estava meio desiludida daquela festa que não acabava. Marta e Carol continuavam conversando muito, suspeitei que estivessem perto de mais pra quem estava apenas trocando algumas ideias. Provavelmente elas haviam ficado. Eu não culpava Carol, ela tinha seus motivos. Na verdade ela tinha todos os motivos pra isso, idiota era a Maria, sempre com sua incansável chatice. Ela que ficaria sozinha no fim. Solteira com gatos, mil gatos, no zero a zero até o fim do jogo.&lt;br /&gt;Fui ao banheiro. Me olhei profundamente no espelho. Quem eu via? Alguém sozinha, e nem ao menos gatos eu tinha. Apenas histórias pra contar. E nem gatos eu tinha pra contar. Nem histórias, apenas roteiros não produzidos. Nenhuma história até o fim. Aquele fim esperado. Apenas projetos guardados dentro daquela gaveta de cabeceira, junto com um monte de lixo, aquelas coisas que nunca sairiam dali. Apenas eu aqui e lá. Só eu. E os lixos. Os tais roteiros. A trajetória que eu vi de longe, que nunca fez parte de mim.&lt;br /&gt;E a Patrícia? Onde será que ela tava agora? De certo mais do que onde, ela estava como. Como sempre sonhou. Viajando, aprendendo, e de certo com o coração bem ocupado da Rafaela. Do amor. E o meu amor, onde tava? Vazio, perdido em qualquer canto daquele lugar sujo, cheio de gente, de barulho, do instantâneo e do solúvel. E eu?&lt;br /&gt;Sozinha. Sem ela, sem o nós, sem ninguém. Todas as vezes que tive, desfiz. E depois de tanto desfazer ou não deixar que o fizessem nada, lá estava eu. Sozinha. Apenas num reflexo solitário. Sozinha não. Na verdade eu e minha decepção. Não. Eu, minha decepção, meu não estar e meu mal estar.&lt;br /&gt;É, no fim eu não estava sozinha, estava com todas as minhas coisas. Eu e meu reflexo. Os reflexos das minhas coisas. Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3774789951663290276?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/reflexos.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3593369833608036764</guid><pubDate>Mon, 03 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-03T09:00:08.601-03:00</atom:updated><title>Dois lados</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Avistei a menina-bonita-da-praia. Yumi negara meu beijo, não tinha nada a perder - iria falar com a menina, o que mais poderia acontecer, ela me negar um beijo também? Não havia morrido pelo primeiro beijo negado da noite, não morreria se assim tivesse o segundo.&lt;br /&gt;Caminhei decidida em sua direção. Ou caminhei como pude, pois havia tantas pessoas por metro quadrados que mal conseguia sair do lugar, quando cheguei à posição em que ela estava, novamente havia perdido ela de vista. Sorri para mim mesma desiludida, esta noite não era pra mim.&lt;br /&gt;Voltei à mesa com as meninas, Jéssica e Yumi já não estavam mais. Carol e Marta travavam uma conversa engraçada, as duas gesticulavam muito, Carol por certo já estava bêbada de mais, talvez triste pelo término de seu namoro. Marta assumira um tom maternal novamente, parecia que aos poucos conseguia acalmá-la.&lt;br /&gt;Não estava muito disposta a ficar ali servindo de ombro amigo, afinal eu é que precisava de um. Então que eu achasse algum ombro para chorar, pensei triste. Fui novamente em direção ao bar, porque afinal de contas todas as vezes que foram buscar alguma bebida haviam se esquecido de me dar alguma.&lt;br /&gt;Dei de cara com Déia e Renata, ambas muito bêbadas. Déia sorriu, vindo em minha direção com os braços abertos.&lt;br /&gt;- Oi meu amor - segurou-se firme em mim - onde você estava?&lt;br /&gt;- Levando um fora da Yumi - falei no tom exato para que Renata pudesse ouvir também. Cada uma ficou de um lado meu.&lt;br /&gt;- Duvido que aquela japa idiota tenha te dado um fora - falou Renata se aproximando mais de mim.&lt;br /&gt;- Pois eu também duvido - Déia a imitara. As duas estavam praticamente se beijando, ou me beijando, não fazia diferença.&lt;br /&gt;- Vocês estão bêbadas - sorri - e eu não, então me deixem comprar alguma coisa pra ficar no mesmo nível de sanidade de vocês.&lt;br /&gt;Tentei passar minha cabeça por baixo do braço das duas, porém elas me impediram.&lt;br /&gt;- Sabe Manu... - iniciou Renata.&lt;br /&gt;- a gente tava pensando numa coisa - continuou Déia.&lt;br /&gt;- Lá vem - suspirei suspeitando.&lt;br /&gt;- Você ta solteira, eu também.&lt;br /&gt;- E eu também - completou Renata.&lt;br /&gt;- Sim, então vamos procurar alguém pra gente não continuar mais solteiras? - falei já prevendo o provável desfecho.&lt;br /&gt;- Sabe aquela historinha de que a gente procura procura as coisas que estão bem debaixo do nosso próprio nariz?&lt;br /&gt;Soltei uma gargalhada, não era possível que elas estavam falando aquilo. Ou eu estava ouvindo coisas de mais.&lt;br /&gt;- Hm, o que tem essa história? - me fiz de desentendida.&lt;br /&gt;- A Rê é linda.&lt;br /&gt;- Sim eu também acho.&lt;br /&gt;- A Déia é linda - falou Renata.&lt;br /&gt;- Continuo concordando.&lt;br /&gt;- E você é linda - foi a vez de Déia continuar.&lt;br /&gt;- Se vocês dizem - continuei rindo.&lt;br /&gt;- Pra que negar aquilo que a vida nos disponibiliza? - Renata se aproximou ainda mais de mim.&lt;br /&gt;Eu comecei a rir sem parar naquela situação.&lt;br /&gt;- Déia ela acha que a gente ta brincando.&lt;br /&gt;- Ela é do interior, deve ta pensando que estamos brincando mesmo.&lt;br /&gt;- Vamos mostrar pra ela que a gente não brinca em serviço.&lt;br /&gt;Ali na minha frente, Renata se aproximou de Déia beijando-a, a poucos cm do meu olhar. Mais do que qualquer outra coisa, estava achando aquela situação muito engraçada.&lt;br /&gt;Após o beijo as duas voltaram-se para mim, num mesmo olhar fixo e mútuo, minha boca.&lt;br /&gt;- Vocês tão brincando...&lt;br /&gt;Renata não esperando eu terminar a frase passou seus braços em volta de mim me envolvendo, me puxando e me beijando, sem chance de segunda opção. Só parou de me beijar, pois eu começara a rir sem conseguir me conter.&lt;br /&gt;- Aí Rê, você não sabe fazer nada que preste mesmo hein? – falou Déia tentando me puxar pelo braço.&lt;br /&gt;- Calma aí Déia – segurei-a pelos braços, estava quase me beijando também.&lt;br /&gt;- Desde quando você acredita em monogamia? – perguntou Renata me olhando.&lt;br /&gt;- Eu não acredito.&lt;br /&gt;- Então?&lt;br /&gt;- Então nada, vocês estão bêbadas.&lt;br /&gt;- E?&lt;br /&gt;- E ponto.&lt;br /&gt;- Dois pontos Manu, o que está por vir.&lt;br /&gt;- E o que está por vir?&lt;br /&gt;- Pode ser um beijo meu.&lt;br /&gt;- Ou?&lt;br /&gt;- Ou da Renata.&lt;br /&gt;- E ou?&lt;br /&gt;- Ou você dá nas duas – sorriu.&lt;br /&gt;- Ou? – ainda tentei.&lt;br /&gt;- Ou você leva mais um fora de Yumi e ou – falou interrompendo minha tentativa de prosseguir – ou você fica sozinha. Uma velha, solteira, caída, sem gata nenhuma, com gatos, mil gatos, zero a zero, game over.&lt;br /&gt;Não consegui conter minha risada.&lt;br /&gt;- O que você tem a perder Manu?&lt;br /&gt;- Nossa amizade?&lt;br /&gt;- Você não disse que estamos bêbadas, ninguém se lembrará de nada amanhã.&lt;br /&gt;- Mas eu não estou.&lt;br /&gt;- A gente confia em você.&lt;br /&gt;Fiquei em silêncio sem saber o que fazer. Ri, apenas continuei rindo.&lt;br /&gt;- Manuela você é chata de mais, peloamordedeus – falou por fim Déia me deixando sozinha com Renata. Ela por sua vez ficou me olhando por alguns instantes sem falar absolutamente nada, esperando talvez alguma reação, e vendo que não o fiz, nem de longe, saiu. Fiquei sozinha. Eu e apenas eu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3593369833608036764?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/dois-lados.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-6231223387926809763</guid><pubDate>Sun, 02 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-02T09:00:01.375-03:00</atom:updated><title>Re-cortes</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que papo de louca é esse Carol, você não ta falando sério, ta?&lt;br /&gt;- Eu to.&lt;br /&gt;- Mas ta tudo bem? - interrompi o questionário de Yumi.&lt;br /&gt;- Ta tudo perfeito.&lt;br /&gt;- Como assim? - insistia Yumi – Mas o que aconteceu?&lt;br /&gt;- O de sempre, porém eu to farta desse nosso sempre.&lt;br /&gt;- Mas ninguém termina namoro assim Carol.&lt;br /&gt;- Assim como?&lt;br /&gt;- Do nada.&lt;br /&gt;- Quem disse que foi do nada... – pareceu que falou mais para si do que pra nós, tentando talvez encontrar as suas razões para este fim. Olhava para a pista de dança do térreo.&lt;br /&gt;- Yumi, vem cá - disse quando Jéssica e Marta chegaram com as bebidas.&lt;br /&gt;- Que foi? - perguntava Yumi enquanto a puxava pelo braço para um local mais distante das meninas.&lt;br /&gt;- Pra que ficar fazendo este questionário com a Carol, você não percebe que ela ta triste.&lt;br /&gt;- Você acha que ela ta com cara triste?&lt;br /&gt;- Acho que não.&lt;br /&gt;- Eu também acho que ela não ta com cara triste e é por isso que eu to preocupada, acho que agora a coisa é pra valer. Nunca vi a Carol sem uma gota d'água nos olhos depois de terminar com a Má. Nem que fossem lágrimas de raiva.&lt;br /&gt;- Mas ficar fazendo perguntas não vai melhorar a situação.&lt;br /&gt;- E o que vai melhorar a situação Manuela?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- Aposto que essa sua cara de "não sei" ajuda muito menos.&lt;br /&gt;- O que foi?&lt;br /&gt;- Que foi o que?&lt;br /&gt;- O que você tem?&lt;br /&gt;- Eu não tenho nada, ta louca você também?&lt;br /&gt;- Porque você ta assim comigo?&lt;br /&gt;- Eu não to nada, você que ta me ignorando a noite toda.&lt;br /&gt;- Eu to te ignorando? Como eu vou falar com você se você está se agarrando com a Jéssica?&lt;br /&gt;- Vai você lá ficar com a Marta, não é assim que você vem fazendo desde sempre, ficando com todo mundo e não me contando nada?&lt;br /&gt;- Começou...&lt;br /&gt;- Começou o que? Eu não comecei nada, to até saindo daqui.&lt;br /&gt;Segurei-a pelos braços. Tive vontade naquele instante de lhe dar um beijo, podia ser roubado, podia ser inesperado, mas um beijo, ali, naquele lugar, naquele momento desde sempre. Olhei no fundo dos seus olhos e não vi hesitação nenhuma. Meu coração começara a disparar, o sentia bater forte dentro do meu peito.&lt;br /&gt;Passei minha mão sobre seu rosto, Yumi fechou os olhos. Me aproximei rapidamente dela, encostando meu corpo no seu. Olhava para seu rosto tão perto do meu, meu coração batia tão forte que mal conseguia ouvir a música alta que tocava. Fui em direção a sua boca, ainda com minha mão sobre seu rosto. Yumi abrira os olhos mirando diretamente para minha boca. Fechou-os novamente, pousando seus dedos sobre minha boca impedindo que eu lhe desse um beijo.&lt;br /&gt;- Manu...&lt;br /&gt;Ficamos assim por algum tempo que não sei quanto, nossas bocas separadas apenas pelos seus dedos. Ainda assim sentia seu hálito quente batendo na minha boca, sua respiração, seu corpo, Yumi. E de olhos fechados fez um gesto negativo com a cabeça.&lt;br /&gt;- Não posso... - falou, ainda com a sua boca muito próxima da minha. Nossos narizes encostaram.&lt;br /&gt;- Tudo bem... - respondi ficando inevitavelmente triste, evaporando toda a felicidade instantânea de outrora.&lt;br /&gt;- Você não entende...&lt;br /&gt;- Entendo sim, você gosta da Jéssica, tudo bem, não tem problema.&lt;br /&gt;- Você não entende.&lt;br /&gt;Me deixou sozinha. Na verdade eu e minha tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-6231223387926809763?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/re-cortes.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-5025986486961925561</guid><pubDate>Sat, 01 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-01T09:00:05.709-03:00</atom:updated><title>Namoros e rolos</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E aí meninas!? - falou Yumi animada pondo sua cadeira ao meu lado. Jéssica acompanhou sentando-se mais para perto de Marta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Oi, você lembra de mim né?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Lembro sim Marta, como você está?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- To bem - sorriu amistosamente. Havia alguma coisa no seu sorriso. Ela olhava para Jéssica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah sim - falou Yumi passando a mão na testa - essa é...  a minha... essa é a Jéssica - apresentou-a para Marta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sou a namorada dela, prazer - disse Jéssica ficando visivelmente chateada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que vocês estão achando daqui hoje? - perguntou Yumi talvez querendo mudar de assunto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ta cheio né?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Bastante...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- To ficando com muito calor aqui, vou querer ir para casa mais cedo eu acho – falou Jéssica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ahm - reclamou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Se você quiser ficar não tem problema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mesmo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você vai querer ficar mesmo sem estar comigo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Jéssica, a gente conversa isso depois - foi diminuindo o tom da conversa até não conseguir mais ouvir o que as duas conversavam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Marta voltou-se para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E você mora na Casa de Estudante, é isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sim - respondi ainda tentando ouvir o que Yumi e Jéssica conversavam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É, a Carol tava me contando, tenho uma amiga que mora lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sim a Débora, não sei se você conhece, ela faz jornal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não é possível? Minha colega faz jornal e se chama Débora - sorri daquela estranha coincidência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu sei - sorriu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sabe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu te conheço há mais tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Como assim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu lembro que uma vez ela nos apresentou quando você recém tinha chegado aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não consigo me lembrar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Foi na primeira vez que você foi dar uma volta pelo Campus com a Débora, lá no café - vendo meu esforço para tentar lembrar ainda disse - tinham várias meninas lá também, foi logo que você chegou...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ahh sim, como poderia me esquecer - disse tentando fazer de tudo para me lembrar de quando ela estava falando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Na verdade - Marta se aproximara de mim - eu lembro muito bem de você. Você tinha uma carinha acuada, com certo quê de medo e de coragem vendo todo aquele mundo novo a sua volta - sorriu quase maternalmente - e eu não esqueci mais de você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Comecei a ficar levemente constrangida com tantas informações assim, despejadas de bandeja. Apenas lhe retribui o sorriso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas a Débora...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela tem as coisas dela e eu tenho as minhas - sorriu entendendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pois é, já me estressei um pouco com ela por causa disso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas ela não sabe nada de você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, pois ela me perguntou e eu disse que não sabia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas de você ela sabe? - tentei prolongar aquele assunto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sabe mais ou menos - sorriu também entendendo as minhas intenções.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu to morrendo de sede, alguém quer tomar alguma coisa? - perguntou Yumi do outro lado, dando praticamente as costas para Jéssica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A Carol ia trazer alguma coisa, mas acho que ela se perdeu junto com a Má - sorriu. Era enigmático seu sorriso, porém ele no fundo, bem no fundinho deixava transparecer alguma coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu to morrendo de sede também - falei me dando conta que estava ficando suada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então vai lá buscar alguma coisa pra nós - falou Yumi, me empurrando de leve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu não, vai você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, eu to cansadinha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pede pra Jéssica - falei um pouco irritada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu to com muito calor - retrucou também ficando irritada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Bom meninas é só uma bebida, eu busco pra vocês, o que vocês querem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Cerveja - Yumi e eu respondemos junto. Eu sorri, ela sorriu e Jéssica bufou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu quero uma vodka pura com gelo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ok, Manu você vem comigo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Claro - já estava me levantando quando senti a mão de Yumi me segurando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Jéssica, vai lá com ela que eu precisava falar uma coisinha aqui com a Manu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Depois da relutância de Jéssica ela por fim seguiu os passos de Marta sumindo entre a multidão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vai ficar com ela? - Yumi me perguntou quando teve certeza de que elas já não estavam mais perto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Por quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Pra saber.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não sei, não decido essas coisas assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas ela é legal pelo menos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Parece ser sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu se fosse você não ficaria com ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Porque?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Porque não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Se eu não te conhecesse melhor eu diria que você está com ciúme de mim - sorri.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você ta louca? Que ciúmes o que, to falando sério.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então me dá um motivo plausível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela terminou com a namorada dela faz pouquíssimo tempo. Foi bem feio, elas moravam juntas. Teve até roupa atirada pela janela do apartamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas o que eu tenho a ver com isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela deve ta querendo te usar pra esquecer a mulher dela - Yumi ultimamente não estava mais olhando nos meus olhos enquanto falava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas eu também to querendo esquecer a Patrícia, lembra? - sorri tentando ver até aonde Yumi iria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você quem sabe - deu com os ombros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Carol chegara sem a Má.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Onde ta a chata? - perguntou Yumi virando-se para ela, ignorando minha presença.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Sei lá, foi pra casa eu acho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Como assim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ah, ela é louca! E eu não caio mais nas loucuras dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas você não foi atrás dela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu não vou mais atrás dessa menina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Então vamos se divertir hoje Carol? - falei tentando animá-la.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vamos Manuzinha? É hoje que você vai me dar um beijo? - falou brincando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu não duvido - resmungou Yumi - a Manu fica com todo mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela não fica com todo mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não? Com quem que ela ainda não ficou?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Comigo - sorriu a Carol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas porque você tem namorada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Meu coração disparou, porque a Carol tinha que ser tão inconveniente naquele momento, mas instintivamente olhei para Yumi, esperando sua reação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu também estou namorando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você não está porcaria nenhuma - falou Carol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Claro que to.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E aonde ta a sua namorada agora? - sorriu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu sei lá, não sou dona dela. E a sua?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu não tenho mais namorada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Vocês terminaram pela milésima vez, é isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Essa foi a última.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você não está com cara de quem terminou um namoro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- É porque esse namoro já acabou a muito mais tempo do que você imagina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-5025986486961925561?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/08/namoros-e-rolos.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3074448317050299111</guid><pubDate>Fri, 31 Jul 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-31T09:00:02.121-03:00</atom:updated><title>Estranhas coincidências</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Chegamos ao bar e como sempre estava muito lotado. Muita gente bonita, mas em compensação, muita gente estranha também. Normal, mais uma sexta-feira à noite. Enquanto aguardávamos na fila, Yumi e Jéssica não se desgrudando, Carol e Má sem parar de discutir, Déia ainda arrumando a maquiagem, e Renata sumindo em meio à multidão, pois encontrara pessoas conhecidas, percebi um rosto passando por mim. Olhei mais atentamente, sorrindo para mim mesma. Era uma menina muito bonita que havia descido do ônibus junto com Micheli, lá na praia. Aquela que pensei ser a tal amiga de Micheli e que no fim era apenas mais uma passageira do ônibus. Forcei um pouco os olhos para ter certeza de quem era. Anotei mentalmente que precisava descobrir o seu nome, e quem sabe seu endereço futuramente. Sorri - cafajeste. Sim, as coisas poderiam voltar à sua normalidade. Assim esperei.&lt;br /&gt;- Pra quem você ta olhando com essa cara de cobiça? - senti Déia me perguntando ao pé do ouvido.&lt;br /&gt;- Eu? - me fiz de desentendida.&lt;br /&gt;- Você - sorriu gentilmente.&lt;br /&gt;- Cinco da tarde - falei tentando não mexer a minha boca.&lt;br /&gt;- Que?&lt;br /&gt;- Cinco da tarde.&lt;br /&gt;- Que porcaria é essa de cinco da tarde?&lt;br /&gt;- Você não conhece? - perguntou Jéssica se intrometendo na conversa após sair de um longo beijo com Yumi.&lt;br /&gt;- Que? - voltou-se para ela ainda sem entender.&lt;br /&gt;Após explicar que isto era uma maneira de mostrar alguém ou alguma coisa a partir dos ponteiros do relógio, Déia enfim olhou em direção à menina, porém ela já não estava mais lá.&lt;br /&gt;- Você achou que ela ia ficar te esperando? - falei um pouco braba - tenho que falar com essa menina, eu a vi lá na praia, sério, muito linda!&lt;br /&gt;- É?&lt;br /&gt;- Sim, perfeita - falei me animando um pouco.&lt;br /&gt;- Quem? - foi a vez de Yumi se intrometer.&lt;br /&gt;- Não sei, a Déia é pamonha de mais, me fez perder a menina de vista.&lt;br /&gt;- Uma menina?&lt;br /&gt;- Sim!&lt;br /&gt;- Onde?&lt;br /&gt;Déia e eu rimos, parecíamos loucas.&lt;br /&gt;Entramos com certa dificuldade. Muita gente bêbada, muita gente fumando, muita gente se pegando, tudo impedia qualquer tentativa de caminhada. Pedimos uma cerveja bem gelada, que apesar do frio na rua, estávamos morrendo de calor. Novamente avistei a menina-bonita-da-praia passando. Desta vez não iria perdê-la de vista.&lt;br /&gt;- Manu - senti uma mão me puxando - essa aqui é a Marta, minha colega da psico - sorriu Carol me dando uma piscadela.&lt;br /&gt;- Oi, Marta - dei um beijo em sua bochecha.&lt;br /&gt;Voltei rapidamente meus olhos para a direção da menina-bonita-da-praia, porém novamente ela havia sumido do meu campo de visão.&lt;br /&gt;- Oi Manu - sorriu. Ela não me era estranha. Fiquei pensando de onde eu conhecia aquela menina.&lt;br /&gt;Marta ficara sem assunto, e Carol logo tratou de falar qualquer coisa sobre como o bar estava cheio, que a música tava ruim, se nós não estávamos a fim de subir e ir a um lugar um pouco mais reservado. Fui empurrada gentilmente por ela para que saíssemos dali. No caminho fui procurando com os olhos qualquer vestígio da menina-da-praia, mas nada. Quando achava que estava vendo, Carol me puxava com um pouco mais de força, me empurrando para que ficasse mais perto de Marta.&lt;br /&gt;- E aí, o que você achou dela?&lt;br /&gt;- Mas Carol, eu nem conversei com ela, como vou saber?&lt;br /&gt;- Mas ela é gata né?!&lt;br /&gt;- Sim, ela é bonita.&lt;br /&gt;Era ruiva, tinha cabelos encaracolados bem compridos. Tinha olhos claros, e seus lábios eram muito grossos. Era no mínimo diferente. Só que havia alguma coisa de errada no seu sorriso, alguma tristeza encravada, quase distante.&lt;br /&gt;Sentamos em uma das poucas mesinhas que estava livre.&lt;br /&gt;- Vou buscar uma cerveja pra você Marta - disse, pegando a Má pela mão e levando-a consigo nos deixando sozinhas.&lt;br /&gt;Ambas perceberam a jogada de Carol. Ela riu encabulada, eu ri ainda com o canto do olho tentando encontrar a menina-da-praia.&lt;br /&gt;- Então você faz publicidade...&lt;br /&gt;- É - falei meio desatenta. Seria sacanagem com a menina não lhe dar atenção. Postei meus olhos novamente para os dela. Ela tinha alguma coisa muito profunda escondida, talvez alguma tristeza. Só podia ser isso.&lt;br /&gt;- E você é colega da Carol?&lt;br /&gt;- Não, quer dizer, mais ou menos, eu sou veterana dela.&lt;br /&gt;- Ah, que legal.&lt;br /&gt;- Sim, gosto muito delas... - ela hesitou nesse momento.&lt;br /&gt;- Eu também acho que a Má é meio inoportuna às vezes - soltei rindo.&lt;br /&gt;Ela concordou rindo também.&lt;br /&gt;- Eu conheço a Carol há um bom tempo, nunca vi as duas sem brigar, juro para você - ainda completou vendo minha cara de descrença.&lt;br /&gt;- Eu não sei como conseguem namorar desse jeito.&lt;br /&gt;- Mas elas se gostam, isso que é o mais louco de tudo.&lt;br /&gt;- Sim, só com muito amor pra aturar a Má - ela riu.&lt;br /&gt;- Pelo visto você não acredita muito em namoros né?! – me perguntou.&lt;br /&gt;- Ta tão na cara assim?&lt;br /&gt;- Mais ou menos - sorriu.&lt;br /&gt;- E você acredita?&lt;br /&gt;- Mais ou menos - continuou a sorrir.&lt;br /&gt;- Acredito no amor, não no namoro.&lt;br /&gt;- E você acha que eles conseguem se distanciar tanto assim?&lt;br /&gt;- O amor e o namoro?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Eles por si só não...&lt;br /&gt;- Mas...?&lt;br /&gt;- Mas quando você namora e ama sim.&lt;br /&gt;Ela me olhou enigmática.&lt;br /&gt;- Não vai querer me analisar agora né? - falei brincando.&lt;br /&gt;- Você deixaria eu te analisar agora? - falou se aproximando de mim.&lt;br /&gt;Inevitavelmente eu ri. Ela sorriu de volta. Olhei para os lados em busca de qualquer coisa, dei de cara com Yumi e Jéssica que se aproximavam trazendo duas cadeiras consigo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3074448317050299111?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/07/estranhas-coincidencias.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3542690671139960595</guid><pubDate>Thu, 30 Jul 2009 12:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-30T09:40:00.253-03:00</atom:updated><title>De volta a volta</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;- Então ta tudo bem com vocês agora?&lt;br /&gt;- Agora sim, conversamos um pouco.&lt;br /&gt;- Um pouco? Pelo que eu entendi vocês passaram a noite toda juntas.&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- E não fizeram nada?&lt;br /&gt;- Como nada? A gente ficou conversando.&lt;br /&gt;- Não te faça de bobinha Manu, pegou ou não pegou?&lt;br /&gt;- Ai como você fala dela desse jeito, como se fosse uma coisa qualquer.&lt;br /&gt;- Sim ou não Manuela?&lt;br /&gt;- Claro que não né Déia!&lt;br /&gt;Renata apenas acompanhava nossa conversa pelos seus olhos que condenavam estar prestando atenção.&lt;br /&gt;- Não entendo porque você é tão fresca e demorada Manu, você já ficou com todo mundo menos com ela, não sei o que tanto espera.&lt;br /&gt;- Mas ela tem namorada.&lt;br /&gt;- E que importa?&lt;br /&gt;- Importa que ela gosta dela.&lt;br /&gt;- Gosta? Duvido muito.&lt;br /&gt;- Você acha?&lt;br /&gt;- Não interessa o que eu acho, me ajuda a fechar aqui - virou-se de costas para mim para eu fechar sua blusa - o que interessa hoje é que você vai sair desse zero a zero.&lt;br /&gt;- Quem disse que eu to no zero a zero?&lt;br /&gt;Déia voltara-se para Renata, ainda em silêncio.&lt;br /&gt;- Você precisa conhecer pessoas novas Manu.&lt;br /&gt;- Eu sei - falei me arrependendo, talvez eu estivesse sendo um pouco rude falando essas coisas com a Renata ali na minha frente. Mas ela parecia não se importar muito com isso.&lt;br /&gt;- Hoje eu não vou dormir em casa - falou surpreendentemente Renata.&lt;br /&gt;- Vai dormir onde, posso saber? - perguntou Déia passando lápis no seu olho.&lt;br /&gt;- Ainda não sei - riu-se de si mesma.&lt;br /&gt;- E a Malu?&lt;br /&gt;- O que tem ela?&lt;br /&gt;- Ela vem?&lt;br /&gt;- Sei lá, ela ta namorando uma menina aí.&lt;br /&gt;- Ta todo mundo namorando ou é impressão minha?&lt;br /&gt;- Não querida Manuzinha, só nós três estamos encalhadas.&lt;br /&gt;- Mas você quer namorar? - perguntei incrédula.&lt;br /&gt;- Claro que não - sorriu. Rimos as três. Enfim tudo aos poucos voltava ao normal.&lt;br /&gt;Tocou a campainha, era Yumi e as meninas - Jéssica, Carol e a cara fechada de Má.&lt;br /&gt;- E ai meninas mais lindas deste país, prontas? - falou Carol com um sorriso sempre muito simpático para todas.&lt;br /&gt;- Carol, agora que está tudo muito bem resolvido e informado, você bem que podia me apresentar alguma amiguinha né? - falei me aproximando dela com um sorriso - ouvi dizer que as meninas da psico são as melhores - olhei para a Má brincando. Como se fosse possível ela conseguiu fechar mais um pouco sua cara.&lt;br /&gt;- E são mesmo, pena que não são todas que dão o seu devido valor a elas - olhou cansada pra Má - mas eu tenho uma amiga sim pra te apresentar.&lt;br /&gt;- Sério? - Yumi perguntou se intrometendo.&lt;br /&gt;- Sim! - se aproximou de mim - eu mesmo ia dizer isso, a chameiela pra ir lá com a gente, ela disse que vai aparecer. Mostrei o teu orkut pra ela, ela te achou bem gatinha.&lt;br /&gt;- Ah!, mas não era pra ser assim tão milimetricamente calculado.&lt;br /&gt;- Mas não foi você que disse que é um jogo de estratégia? - Yumi voltou-se para mim.&lt;br /&gt;- É, mas quando eu dito as regras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3542690671139960595?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/07/de-volta-volta.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-7432007714045044682</guid><pubDate>Wed, 29 Jul 2009 12:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-29T09:40:00.185-03:00</atom:updated><title>Xadrez</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;- Desculpa - quebrou o silêncio.&lt;br /&gt;- Pelo que?&lt;br /&gt;- Por tudo, eu sei, eu fui uma idiota, é que sei lá, não sei o que me deu, e quando vi foi tudo aquilo, desculpa mesmo - falou muito rápido, sem ousar a me olhar nos olhos. Mexia no cadarço do tênis.&lt;br /&gt;Sorri satisfeita.&lt;br /&gt;- Tudo bem, eu também fui muito idiota com você.&lt;br /&gt;- Foi mesmo.&lt;br /&gt;- Brigada, pisa em mim, aproveita que eu to impotente mesmo - falei fazendo beiço.&lt;br /&gt;- Ah, olha o drama Manu.&lt;br /&gt;- Drama?&lt;br /&gt;- Não... Eu sei que isso é importante pra você, mas drama por você achar que eu to... enfim, você entendeu - se enrolou. Era engraçado vê-la assim, novamente perto de mim, tentando se explicar.&lt;br /&gt;- Eu só não entendo porque nunca havíamos conversado sobre isso antes.&lt;br /&gt;- Eu também não.&lt;br /&gt;- Mas você achava que eu...&lt;br /&gt;- Sim, sempre achei.&lt;br /&gt;- E porque nunca me perguntou nada?&lt;br /&gt;- Porque eu não acho que isso seja coisa a ser perguntado, não é como você perguntar qual é a comida preferida da pessoa... - sorriu ainda olhando para os seus pés.&lt;br /&gt;- Eu sei, mas me pergunto como a gente nunca chegou nesse assunto.&lt;br /&gt;- Eu nunca cheguei nesse assunto com você porque não quis, porque pensei que talvez você fosse se sentir invadida, sei lá, você é do interior.&lt;br /&gt;- Mas eu sempre andei com vocês.&lt;br /&gt;- Ué, mas isso não quer dizer né?!, não foi você mesma que me falou do Luiz... Aliás, o Luiz - sorriu enfim voltando seus olhos para mim.&lt;br /&gt;- O que tem ele? - perguntei já imaginando sua resposta.&lt;br /&gt;- Ele ficou muito triste, coitado, não dá uma dentro.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Ah, sempre que chega uma menina nova para o grupo ele acha que ela vai ser diferente, que ele vai ter chance, coitado.&lt;br /&gt;Ri.&lt;br /&gt;- Mas ele realmente achou que eu ia gostar dele?&lt;br /&gt;- Nossa que maldade.&lt;br /&gt;- Não... To falando porque sei lá, nunca demonstrei nada, de onde ele tirou isso?&lt;br /&gt;- Ué, você era a única menina que poderia ficar com ele, ele era o único menino que poderia ficar com você, ele usou a lógica.&lt;br /&gt;- A lógica dele tava errada.&lt;br /&gt;- Que bom - falou baixinho.&lt;br /&gt;- Que bom por quê?&lt;br /&gt;- Ah - ela ficara constrangida - sei lá.&lt;br /&gt;- Hm - fiquei olhando-a sem falar mais nada. Me divertia com o seu constrangimento.&lt;br /&gt;- Enfim, eu sei que no final do ano tem praia de novo, e eu vou estar lá e você também, né?!&lt;br /&gt;- Vou?&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;- Mas isso é um convite?&lt;br /&gt;- Não, é uma intimação!&lt;br /&gt;- Então eu vou...&lt;br /&gt;Ficamos novamente em silêncio. Não queria pensar em Patrícia, tentei puxar um assunto qualquer, mas como sempre, o primeiro que me viera à cabeça foi Jéssica.&lt;br /&gt;- E como vai o seu namoro?&lt;br /&gt;- Ah, como eu te disse no carro, ta indo.&lt;br /&gt;- Mas vocês tão se vendo sempre?&lt;br /&gt;- O suficiente pra minha mãe começar a suspeitar.&lt;br /&gt;- Mas suspeitar de que?&lt;br /&gt;- Ah, não sei, ela é louca. É que a gente se fala todos os dias no telefone.&lt;br /&gt;- Mas eu também falo todos os dias com você no telefone e a tua mãe nunca achou que eu fosse alguma coisa tua.&lt;br /&gt;- É, mas ela dorme na minha casa direto.&lt;br /&gt;- Mas eu também dormia direto lá na tua casa e ela nunca falou nada.&lt;br /&gt;- Eu sei, mas é diferente.&lt;br /&gt;Sim, pensei, era diferente, eu não era nada de Yumi. Aliás, eu era, eu era uma amiga qualquer que lhe dava atenção quando precisava, triste constatação.&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;- Pois é.&lt;br /&gt;- Enfim...&lt;br /&gt;- É... Mas e você e a Renata?&lt;br /&gt;Soltei uma risada involuntária.&lt;br /&gt;- Eu e a Renata?&lt;br /&gt;- Sim, não sei pra que esse riso.&lt;br /&gt;- Porque não existe eu e a Renata.&lt;br /&gt;- Como não? - deixou escapar um sorriso.&lt;br /&gt;- Não existindo, simples assim.&lt;br /&gt;- Mas vocês não tão ficando?&lt;br /&gt;- Ficamos, sei lá, mas não ficando no sentido ficar.&lt;br /&gt;- Então o que?&lt;br /&gt;- Eu dei uns beijinhos nela, só isso.&lt;br /&gt;- Mas não ta dando mais?&lt;br /&gt;- Ah, não sei, não posso prever o futuro né?!&lt;br /&gt;- Hmm - desfez um pouco o sorriso.&lt;br /&gt;- E outra, eu não sou muito de ficar só com uma pessoa assim, me sinto meio presa.&lt;br /&gt;- Então você ta ficando com outras pessoas, é isso?&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;- Porque você não me conta as coisas?&lt;br /&gt;- Mas que coisas que eu tenho pra te contar?&lt;br /&gt;- Não sei, que coisas você tem pra me contar?&lt;br /&gt;- Sei lá.&lt;br /&gt;- Porque tudo bem que você não me contava nada porque achava sei lá porque que eu não entenderia se você me dissesse que gostava de meninas... Mas agora que eu sei, me conta tudo que eu não sei - sorriu.&lt;br /&gt;- Bom vamos ver... Não tenho nada pra contar, minha vida ultimamente anda meio assim mesmo, sem muitas cores.&lt;br /&gt;- Mas não é possível que você não esteja interessada em ninguém.&lt;br /&gt;Tive medo que meu sorriso me delatasse.&lt;br /&gt;- Ué, eu fiquei com a Renata.&lt;br /&gt;- Então você gosta dela.&lt;br /&gt;- Não! Mulheres são muito complicadas pra se gostar.&lt;br /&gt;- Mas como você faz então?&lt;br /&gt;- Não sei, não faço nada - sorri. Realmente eu precisava conhecer pessoas novas - não apareceu ninguém que me fizesse ver cores – menti um pouco desolada. Ela concordou em silêncio, voltando a olhar para seus tênis.&lt;br /&gt;- Mas enfim, eu sei que final de semana que vem vou me acabar - tentei forçar mais um sorriso, inevitavelmente lembrando de Patrícia.&lt;br /&gt;- A Jéssica vem pra cá final de semana que vem.&lt;br /&gt;- Mas ela não tava vindo direto pra cá? Porque ela não ta aqui hoje?&lt;br /&gt;- Ah, sei lá.&lt;br /&gt;- Você é muito estranha...&lt;br /&gt;E linda. A sua simplicidade era bonita. Era uma beleza simples, assim como Patrícia.&lt;br /&gt;Estávamos sentadas ainda na praça de alimentação, com os pratos vazios a nossa frente.&lt;br /&gt;- Às vezes eu penso que não sou uma pessoa para namorar também - falou.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque encho o saco das pessoas muito rápido.&lt;br /&gt;Apenas ri.&lt;br /&gt;- E sei lá, não sinto aquela coisa sabe? Eu esperei de mais pra ficar com ela e agora nem é tudo isso.&lt;br /&gt;- E eu continuo me perguntando por que você ainda está namorando com ela.&lt;br /&gt;- Porque é fácil.&lt;br /&gt;- Que mania que você tem, não acho que seja fácil namorar com uma pessoa que mora em outra cidade.&lt;br /&gt;- É mais fácil do que você imagina... Só que mesmo de longe ela consegue me sufocar e isso me irrita.&lt;br /&gt;- E você já falou alguma coisa com ela?&lt;br /&gt;- Claro que não né?!&lt;br /&gt;- Porque não?&lt;br /&gt;- Porque ela é minha namorada, acho que ela não gostaria de ouvir isso.&lt;br /&gt;- Mas justamente por ela ser a tua namorada que você deve falar as coisas.&lt;br /&gt;Inevitavelmente a Patrícia aparecia em minha mente. Yumi cortou meus pensamentos.&lt;br /&gt;- Mas não é assim que se trata mulher.&lt;br /&gt;- Você fala como se eu não soubesse tratar bem uma mulher.&lt;br /&gt;- E não sabe mesmo.&lt;br /&gt;- Como não?&lt;br /&gt;- Ué, não sabendo.&lt;br /&gt;- Claro que sei, eu sempre te tratei bem.&lt;br /&gt;- Ah, mas eu sou tua amiga.&lt;br /&gt;- Sim, mas ainda assim uma mulher.&lt;br /&gt;- Mas namoradas querem flores, amor, carinho, amigas querem um ombro e um par de ouvidos à disposição.&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;- Na verdade que namorar é tudo um jogo de estratégia. E quando se namora com uma menina então, você precisa planejar cada jogada, porque se não, bum, cheque mate. Ela descobre alguma coisa, ela encobre alguma coisa. Cada palavra que você diz precisa ser muito bem pensada, porque se não ela vira o tabuleiro, atira tudo pro alto, acaba com você ali mesmo, com as tuas próprias peças do jogo. É por isso que eu não entendo como pode ser fácil namorar Jéssica.&lt;br /&gt;- É fácil porque ela me entende.&lt;br /&gt;- Por enquanto...&lt;br /&gt;- Mas é por enquanto que eu to namorando né?!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-7432007714045044682?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/07/xadrez_29.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-2851203350841194864</guid><pubDate>Tue, 28 Jul 2009 12:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-28T09:38:00.727-03:00</atom:updated><title>O crime</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Cheguei com certa dificuldade na casa de André, nunca havia ido a pé para sua casa. Foi difícil encontrar o número de seu prédio, mas quando o avistei reconheci algumas pessoas ali na frente, mas nada de Patrícia. Beto estava ansioso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Até que enfim você chegou, cadê a sua mulher? - disse isso muito rápido, entre dois beijos na bochecha, me levando pela mão para dentro do prédio - vamos todos, ele já deve estar chegando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A Pati ainda não chegou?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, eu pensei que ela viria junto com você! - abriu a porta do apartamento, muito bem decorado, deixando que todos os convidados entrassem. Já havia algumas pessoas esperando, havia uma mesinha com um bolo em cima e alguns salgadinhos. Fizeram uma espécie de festinha de criança, com balões, faixas, pomponzinhos. Tudo muito André.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela viria, mas a mãe dela... - me calei. Ele consentiu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Dei oi para o Marcelo e para a Cláudia, eram os únicos na verdade que eu conhecia. Ajudei ainda a colocar os copinhos da Barbie (sim!) na mesa, deu o tempo do porteiro avisar que o André estava subindo. Todos se esconderam. Nada de Patrícia. Apagamos a luz. Aguardávamos em silêncio qualquer manifestação de barulho de André. Ele demorou mais do que o esperado. Abriu a porta. Quando acendeu a luz todos cantaram aquela maldita musiquinha "parabéns a você tra lá lá". Foi engraçado porque ele interpretou muito bem que estava surpreso de verdade com aquela festa. Depois de canto, ele disse que já sabia de tudo, mas que não ia deixar seu amor, o Beto, triste. Já o meu amor, a Patrícia, ainda não havia dado nenhum sinal de vida. Já passava muito tempo depois da meia noite quando enfim tocaram a campainha novamente. Meu coração pulou forte, esperava (e muito) que fosse Patrícia, afinal já fazia um dia (inteiro) que não nos víamos, estava preocupada e mais do que isso, com muita saudade. Era estranho sentir tanta saudade e tanta vontade de ficar com uma única pessoa. Aquela coisa que vinha de dentro de não querer desligar o telefone, de nunca ser a hora certa de dar tchau, de querer estar sempre junto dela. Era estranho me sentir tão presa a sua presença. Mas era assim que eu me sentia, presa. Completamente presa pela pessoa Patrícia. Independente do que ou onde, precisava estar perto dela, nem que fosse para ficar olhando-a. Isso era estranho, pois não gostava de me sentir presa em nada, gostava muito daquela sensação de liberdade, por isso que nas tantas vezes que Patrícia tocava no assunto "namoro", eu mudava rapidamente para esportes, televisão, último filme em cartaz, qualquer coisa que me livrasse daquela quebra de liberdade. Mas naquele instante eu não estava nem aí para minha tal liberdade, para a prisão que eu estava entrando cada dia que ficava mais um pouco com Patrícia. Eu queria justamente aquela prisão, aquele se perder olhando para uma pessoa, aquilo que só aquilo já bastava. A porta demorou para ser aberta, talvez André não tivesse ouvido tocar. Talvez ele estivesse fazendo de propósito abrir tão devagar, pois sabia da minha angústia. Quando enfim a porta se abrira avistei Patrícia sorrindo, com seus cabelos esvoaçantes, quase uma propaganda de Shampoo. Sorri satisfeita, era minha. Ela dera oi para todo mundo antes de vir em minha direção, quando enfim chegou perto de mim pude sentir seu perfume vindo junto com ela. Cheguei a fechar os olhos de êxtase. Ela estava simplesmente linda. Nunca havia visto de vestido e salto alto, parecia uma princesa. Ela mal abrira a boca para se explicar pelo atraso, logo se calara em meio aos meus beijos. Estava fascinada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No final da festa estávamos só nós quatro, os de sempre, Beto e André num sofá, e Patrícia e eu no outro, olhávamos qualquer coisa na televisão. Eles bebiam um vinho que Beto havia trazido da Itália, quando fora na semana passada, nós uma batida estranha que André havia preparado que tinha mais gosto de tudo do que de abacaxi que de fato era. André estava radiante com aquela noite, por mais que já tivesse suspeitado da surpresa, no fim ele confessara ao Beto que ficara por alguns segundos triste, aquilo fora a coisa mais maravilhosa que já haviam feito pra ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu nunca ganhei uma festa surpresa também - falei, engolindo mais um gole daquela bebida estranha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- No seu aniversário a gente faz uma festa surpresa então - riu-se André.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mocinhas, vocês vão dormir aqui?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Nos olhamos, já era tarde, provavelmente pegaríamos um táxi para ir para casa, mas aquela hipótese de dormir com ela sem Tia Med e Dona Amélia por perto era tentadora de mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, que isso... Não queremos atrapalhar vocês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Imagina, coloquem um colchão aqui na sala, fiquem a vontade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não, não... - falava sem vontade Patrícia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Claro que sim! - afirmou André - está muito tarde para vocês irem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- A gente pega táxi - já estava me irritando por Patrícia querer ir para casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que táxi o que menina, você está louca? Gastar dinheiro a toa se pode ficar aqui de boa com a sua namorada?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Houve alguns minutos de silêncio. De onde André tirara a ideia de que éramos namoradas? Beto o olhou rapidamente tentando entender aquele comentário. Beto na verdade era o único que parecia entender a minha posição, pois inacreditavelmente ele nunca tocara nesse assunto comigo, mesmo quando todos estávamos falando sobre relacionamento. Talvez ele não falasse, pois não tinha tanta intimidade comigo, mas achava que não. André sempre nos dava indiretas e eu sempre saia pela tangente. Desta vez não ia ser diferente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Não posso Dé, minha mãe pensaria que eu estou dormindo na casa do meu namorado - frisou o último o do namorado. Me olhou pelo canto do olho, talvez se deliciando com o meu pânico da palavra namoro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- E o que tem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- O que que tem é que ela vai achar que eu e você realmente estamos namorando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas qual é o problema nisso, assim a sua vida e a da Manu, né Manu - se virou para mim - vai ficar muito mais fácil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Você acha?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Tenho certeza, assim vocês podem vir dormir aqui em casa quando quiserem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Mas tem um problema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Qual?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Ela vai querer te conhecer, querer te apresentar para toda a família, afinal você é o homem que está tirando minha virgindade - sorriu ficando levemente corada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Que nojo - brincou rindo - e qual é o problema? - falou levantando parando-se na nossa frente erguendo sua mão em direção à Patrícia - venha comigo madame - curvou-se fazendo uma reverência muito exagerada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Para com bobice Dé, to falando sério,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Eu sei me comportar como um hetero querida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- To vendo pela sua voz - deliciou-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Menina, você acha que eu não consigo, aposto o que você quiser que eu consigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Nossa, isso é uma posta muito boa para ser negada assim - falou levantando e ficando ao seu lado. Saíram caminhando levantando as pernas muito altas, como se estivesse marchando em um casamento. Todos riram um tanto quanto embriagados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Por mais que fosse engraçado tudo aquilo, os pensamentos de outrora voltaram. Eu é que deveria estar indo na casa de Patrícia para apresentar-me para a sua família como sua namorada, e não o André. Era para minha casa que ela deveria estar indo agora depois da festa, e não ficar clandestinamente, como se novamente estivéssemos cometendo um delito. Era triste pensar nisso. Enquanto eles brincavam que eram um casal "normal", eu desejava por tudo que aquilo que a gente tinha pudesse um dia ser visto assim, com tanta normalidade, com indiferença. Mas era trágico de mais, era pecaminoso de mais, era proibido, era escondido, era um delito de fato. Patrícia vendo o meu silêncio se aproximou novamente de mim. Me perguntou baixinho, perto do meu ouvido se estava tudo bem. Sorri meio sem força e disse que sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Bom meninas, a gente vai dormir - disse André se desvencilhando das várias mãos de Beto, ele parecia um polvo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Patrícia sorrira maliciosamente para ele. Entendi. Foram para o quarto e nos deixaram em um colchãozinho na sala. A sala era grande, suas janelas era de vidro muito grande, o que fazia com que toda a luz da rua entrasse no cômodo. A lua iluminava o ambiente. Conseguia ver todos os seus traços de seu corpo perto do meu. Nos olhamos por longos minutos do mais puro silêncio. O silêncio que precede o crime. Que cometêssemos então o crime da qual éramos culpadas. Que cometêssemos o amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-2851203350841194864?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/07/o-crime.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-3717531361152684559</guid><pubDate>Mon, 27 Jul 2009 12:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-27T09:38:27.067-03:00</atom:updated><title>Feliz aniversário</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;- To pronta, cadê você meu amor?&lt;br /&gt;- To quase, em 15 minutinhos eu chego aí.&lt;br /&gt;- Você me disse isso faz meia hora Pati.&lt;br /&gt;Riu um pouco nervosa - é que minha mãe - abaixou a voz - ta me enchendo o saco, porque ela acha que o André, sabe?&lt;br /&gt;- Sei amor.&lt;br /&gt;- Pois é, ela quer que eu me arrume toda, e você sabe que eu não gosto dessas coisas - riu novamente.&lt;br /&gt;- Sei.&lt;br /&gt;- Ela quer que eu use vestido Manu - falou manhosamente.&lt;br /&gt;- Eu nunca vi você de vestido, deve ficar linda - sorri para mim mesma.&lt;br /&gt;- E salto alto.&lt;br /&gt;Soltei uma risada gostosa. Não cabia a imagem de Patrícia, uma menina que jogava futebol com os meninos, que andava de calça jeans surrada, pudesse usar um vestido e salto alto.&lt;br /&gt;- Vai ficar linda, só anda logo que a festa dele é pra ser surpresa, fica chato nós chegarmos depois dele né?!&lt;br /&gt;- Eu sei, mas esse vestido ta justo de mais - continuou rindo - ai, minha mãe, tchau.&lt;br /&gt;- Tchau.&lt;br /&gt;Depois de mais vinte minutos de espera, o telefone novamente tocou. Ouvi algum resmungo da minha tia, subi o quarto para poder falar melhor com Patrícia.&lt;br /&gt;- Você está vindo? - perguntei.&lt;br /&gt;- Como você sabia que era eu?&lt;br /&gt;- Porque você já deveria estar aqui.&lt;br /&gt;- Acho melhor nos encontrarmos na casa dele mesmo, vou me atrasar mais um pouco, minha mãe...&lt;br /&gt;- Não acredito, eu estou te esperando faz um tempão pra isso? Você ir sozinha?&lt;br /&gt;- Manui... - abaixou a voz - desculpa, mas minha mãe ainda está me enchendo o saco... Sabe como é, faz parte do jogo né?!&lt;br /&gt;Sim fazia parte do jogo. Esse jogo sujo que jogávamos. Esse jogo que nenhuma das duas gostava, mas que éramos obrigadas a jogar. Obrigadas no sentido de que eu não tinha nada a perder em expor nossa relação, minha tia não dava a mínima para o que eu fazia ou deixasse de fazer. Para ela eu era apenas alguém que coabitava a sua casa, pois assim que eu fizesse 18 anos (coitada) eu iria sair e viver a minha vida bem longe dela. Já Patrícia tinha todo o apoio de sua família abalado se no fim eles ficassem sabendo de nós. Pelo menos era isso que achávamos que aconteceria quando descobrissem nosso crime. Fui pensando em todas essas coisas a caminho da casa de André, o tal namorado da minha menina. No fim éramos nós que deveríamos estar ganhando parabéns, afinal nos escondíamos com unhas e dentes de todos e de tudo, entranhadas apenas com o nosso amor, aquele amor puro e sujo ao mesmo tempo. Que merda de vida era aquela que vivíamos, tendo que usar o André para ilustrar o nosso relacionamento ao invés de simplesmente chegar na casa de Dona Amélia, e ir buscar a sua querida filha pela mão, levando-a para a festa.&lt;br /&gt;Doce ilusão. Que seja doce então. A ilusão, o André, o nosso amor, enfim que seja um parabéns para nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-3717531361152684559?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/07/feliz-aniversario.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-8702131228041228341.post-6844090447617833331</guid><pubDate>Fri, 24 Jul 2009 23:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-24T20:10:00.224-03:00</atom:updated><title>Mais uma vez afim</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;- Mas a gente precisa mesmo ir?&lt;br /&gt;- Claro né Manu, é o aniversário dele!&lt;br /&gt;- Mas... queria ficar com você.. - tentei puxá-la inutilmente.&lt;br /&gt;- Pára, Manu - ela não conseguia desfazer seu sorriso.&lt;br /&gt;- Ok, ok. Mas é amanhã, não sei por que você não vem e deita aqui ao meu ladinho - bati com a mão no colchão, acenando com a cabeça.&lt;br /&gt;Ela sorriu.&lt;br /&gt;Já estávamos a duas horas naquele impasse. Quando a coisa ia, aquela coisa que não acontecia, mas que a todo momento voltava e pedia para que acontecesse, alguém chegava, ou acontecia outra coisa, mas acontecia alguma coisa. Várias coisas.&lt;br /&gt;- Não! Você vai ficar bem longe de mim, precisamos estudar Manu.&lt;br /&gt;- Vem estudar aqui ao meu ladinho, vem? - tentei novamente pegar sua mão, mas ela foi mais rápida e se desvencilhou de mim mais uma vez.&lt;br /&gt;- Não Manu - no canto de sua boca havia um sorriso tímido. - Nós precisamos estudar meu amor, agora fique quieta aí, matemática.&lt;br /&gt;- Eu não quero saber de matemática, quero saber de você.&lt;br /&gt;Me levantei da cama e fui em sua direção decidida. Passei meus braços sobre os seus que tentavam inutilmente me empurrar para longe, ela rapidamente se deixou levar pelo meu abraço e meus beijos. Empurrei-a contra a cama, seus joelhos se dobraram, caímos deitando. Ela tentava me empurrar com suas mãos, apesar do seu sorriso inevitável entre nossos beijos. Segurei seus braços acima de sua cabeça, o peso do meu corpo sobre nossas mãos a imobilizava. Ela sorriu vencida me olhando nos olhos.&lt;br /&gt;- O que você quer Manuela? - seus olhos eram cúmplices da nossa vontade mútua.&lt;br /&gt;Olhei para sua boca, seus lábios tão ali para mim, seu pescoço que descendo chegavam à sua blusa, seu decote, seu tudo. Agora era eu que estava vencida pela sua beleza e pela minha vontade. Ela sorriu de volta, se entregando para mim. Mas nada disso foi dito, nada disso poderia se quer ser dito. Mas tudo, tudo mesmo, era sentido. No seu sentido mais puro que poderia ser. Mas como sempre era, também era impossível que qualquer coisa acontecesse. Pois foi assim que não aconteceu então, mais uma vez para a tristeza e irritação de ambas. Ela saiu pelo lado da cama, me olhando com um ar de raiva, como se eu tivesse culpa que sua mãe batia vorazmente a porta.&lt;br /&gt;- O que vocês estavam fazendo meninas? - perguntou nos olhando atenta.&lt;br /&gt;- Estudando mãe, como sempre estudando - mas Patrícia não ousava a olhar para sua mãe, ela voltava a sentar na sua mesinha, onde lá estavam pousados vários livros de matemática.&lt;br /&gt;- Hmm - desconfiou. Não sei precisamente do que, pois ela não poderia saber que éramos namoradas, ou sei lá-o-que. Que tínhamos enfim alguma coisa, pois para ela... Ah sim, o André.&lt;br /&gt;- Tia, amanhã é aniversário do André - falei tentando desfazer aquele olhar severo de Dona Amélia sobre nós. Instantaneamente ela abrira um sorriso satisfeito.&lt;br /&gt;- Aé Patizinha (era assim que ela a chamava quando queria alguma coisa), você nem me contou que seu namoradinho estava de aniversário.&lt;br /&gt;- Mãe, ele não... - mas Patrícia se calara. Era melhor deixar que sua mãe continuasse achando que eles estavam juntos, pelo menos assim não corria o risco dela descobrir qualquer coisa sobre nós. Vi que seus olhos estavam tristes, era ruim negar para sua mãe, a pessoa mais importante da sua vida, tudo que tínhamos. Era triste negar o que tínhamos, uma das coisas mais importantes que existia na nossa vida, para a pessoa mais importante da sua vida. Era triste no fim. E era irremediável por enquanto. Então que André fosse seu namorado, pois seria pior se Dona Amélia descobrisse qualquer coisa, (falsa) puritana do jeito que era, religiosa do jeito que era, não, sua filha não poderia ser por hipótese alguma lésbica. Ou os tais nomes feios que ela falava quando surgia esse assunto na mesa, ou na sala olhando televisão.&lt;br /&gt;- Você vai ir né?!&lt;br /&gt;- Claro mãe - falou com um sorriso chocho.&lt;br /&gt;- Que bom minha filha, e você nem tem uma roupa bonita para ir, o que os pais dele vão pensar?&lt;br /&gt;- Vão pensar que eu sou assim e que não tenho porque ficar me enfeitando para estar junto dele - ela me lançou um olhar baixo. Via essa sua tristeza, e essa tristeza me deixava triste. Não gostava de vê-la assim, tendo que inventar histórias em cima de histórias para esconder nosso relacionamento. Esconder. Me sentia como uma fugitiva, como se tivesse cometido o pior erro que alguém poderia cometer. Esse crime que era amar. Então nos escondíamos atrás de um cara, o André. O cara mais gay que a gente já havia conhecido. Mas que fosse ele o seu namorado. E era isso que Amélia acreditava. Era isso que ela queria, era isso que a gente então confirmava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8702131228041228341-6844090447617833331?l=ocantodoconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ocantodoconto.blogspot.com/2009/07/mais-uma-vez-afim.html</link><author>noreply@blogger.com (Peka_)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item></channel></rss>