quinta-feira, 14 de maio de 2009

O suspiro do silêncio

A hora da viagem chegara mais rápido do que gostaríamos. Pedi que Patrícia não fosse comigo para o aeroporto, apesar de sua relutância. Nunca gostei de despedidas, preferia não ter que dar tchau para ela, mesmo sabendo que a veria novamente em um mês.
Porém esse mês durante as duas primeiras semanas passou muito rápido. Dona Mírian havia planejado muitos passeios e escursões. Tudo era relacionado com a Igreja, com missas, com a paróquia da tia Med. Já estava de saco cheio no domingo, deitada no sofá ouvindo o Faustão na televisão ligada do quarto de minha tia, resolvi que iria andar um pouco por aí. Fazer alguma coisa que não tivesse planejada. Fazia poucos minutos que havia falado com Patrícia no telefone, e isso me deixara triste pois a saudade já não tinha mais tamanho.
Desci pelo elevador, estávamos no 12º andar. Ao chegar no 5º andar, uma menina que aparentava ter uns 17 anos entrou. Era loira com cabelo liso. Usava uma mini-saia verde escuro, e uma blusa branca regata. Ela sorriu pra mim perguntando se estava descendo. Seus olhos estavam marejados e seu nariz levemente avermelhado. Talvez estivesse com gripe ou acabara de chorar.
- Você acredita no amor? - disse ela repentinamente.
Levei um susto, pois estava pensando em Patrícia, bem longe dali.
Lembrando-me do seu rosto perto do meu, da última noite em que dormimos juntas, abraçadas, do seu cheiro, respondi timidamente que sim.
- Pois não deveria, ele só serve pra acabar com todo mundo, pra enlouquecer. - Uivou com raiva - Eu to puta da cara. A gente faz tudo pelos outros, tudo pela pessoa que a gente gosta, pra que? Hein, me responde, pra que? Pra ela ir lá e te trair com a primeira piranha que aparece?
- É complicado mesmo - não sabia o que dizer.
Chegamos ao térreo, segurei a porta para ela sair.
Já estava descendo a escadinha da entrada do hotel, quando ouvi alguém fazendo "psiu".
- Hei, menina.
Olhei para trás e vi a loira se aproximando.
- Oi.
- O que você vai fazer agora?
- Eu, bem.. - nem eu sabia para onde iria - eu queria dar uma volta, to com a minha tia aqui, é foda fazer passeio de velho - sorri - tava precisando espairecer - dei com os ombros.
- Posso te acompanhar?
- Claro.
Fomos caminhando vagarosamente até chegarmos na beira da praia. Em silêncio percebia que ela às vezes resmungava alguma coisa para ela mesma, fazendo que não com a cabeça, suspirando, bufando e rindo sozinha.
- Então, o amor é mesmo fogo né? - arrisquei.
- É muito! Nunca mais vou namorar ninguém!
- Ah, mas não tem mais volta mesmo?
- Se teu namorado te traísse, você voltaria com ele?
- Não sei, depende da situação, não sei. - Pensei em Patrícia, como ela estaria se virando por lá. Ela fora numa festa sábado passado, não tinha me falado muito, mas sabia que um menino que dava em cima dela havia ido também. Fiquei pensando se ele não chegara nela naquela noite, se não aproveitara que ela estava sozinha e provavelmente carente para dar o bote. Me subiu uma raiva súbita. E se eles tivessem ficado e ela não havia me falado? E se aquele cara nojento havia encostado na minha menina?
- É, eu não perdoaria se ela ficasse com outra pessoa - falei.
- Ela?
Depois que me dei conta que falara sobre a Patrícia.
- É, a bem, a pessoa que estivesse namorando né? - falei.
- Ah, sorriu ela.
Ficamos conversando até o sol se pôr. Era uma conversa amena, sem grandes pretensões. Ambas estavam tristes, ela por causa do namorado ou ex, e eu pela falta de Patrícia. Já começara a acreditar nas minhas próprias invensões, acreditando que ela havia me traído, apesar de não estarmos namorando.
- Mas fala Manu, quem é que é essa pessoa que você tanto fala? Que você deixou pra vir com a sua tia?
- Ah, é uma pessoa aí, acho que você não deve conhecer - ri.
- Hm, é um cara de sorte.
- Não, eu que sou uma menina de sorte de ter alguém tão especial - falei apaixonada.
- E como é o nome dele?
- Patrícia - falei meio sem pensar.
Ela ficou visivelmente desconfortável. Mas eu continuei olhando para o mar. Ele estava calmo, já não havia muitas pessoas pela praia, talvez mais uns dois casais de idosos e uns cachorros procurando comida no lixo.
Ficamos em silêncio durante quase 10 minutos. Vi que ela queria falar alguma coisa, mas sempre que fazia mensão de falar, voltava a ficar quieta.
- Sabe, nunca fiquei com uma menina.
- E eu nunca fiquei com um cara, acredita? - falei pensando que só havia beijado Patrícia.
- Nossa.. Mas acho que você não está perdendo muita coisa não, os que eu já beijei foram muito desajeitados - sorriu. Tive a impressão que ela queria parecer menos nervosa do que realmente estava.
Ficamos em silêncio novamente.
- Mas como é beijar uma menina? - perguntou ela. Percebi que agora ela se sentia um pouco mais aliviada.
- Olha - sorri olhando para a lua que começara a aparecer dentre as nuvens - é bom né?
Ela riu, passando a mão pelos cabelos. Me olhou nos olhos. Senti um leve desconforto.
- Eu sempre tive curiosidade de beijar meninas - continuando com os olhos posados sobre os meus.
Desviei o olhar, eu estava louca ou ela estava insinuando alguma coisa?
- Acho que está ficando meio tarde - falei levantando-me, e limpando a bermuda que estava cheia de areia.
- É sim.
Voltamos para o hotel em silêncio. Um silêncio mais pesado do que o da ida. Combinamos que amanhã iríamos jogar volei na praia, que eu era muito nova para estar fazendo passeios com minha tia de quase 70 anos.

[Pra entender do começo ]

Bom dia

Apesar dos gritos da minha tia, que achava que precisávamos de muito tempo para arrumarmos as malas para a viagem, conseguimos fazer com que Patrícia dormisse lá em casa. Jantamos o resto do almoço que minha tia fizera só para ela. Isso significava: comida a base de soja e sem sal.
Subimos para o quarto novamente. Peguei o colchão do quarto de Med. Me Certifiquei que a Tia estava dormindo e tranquei a porta do meu quarto ao entrar. Arrumei a sua cama como sempre fazia, no chão ao meu lado. Nunca havíamos dormido juntas. Creio que nunca tomamos a iniciativa talvez por medo que isso parecesse um grande passo para o nosso relacionamento, ainda que não tivesse nem nome.
Já passava da meia noite. Ela deitara no colchão no chão. Estava vestindo uma blusa que eu emprestara para ela. O verão chegara com força e meu quarto era muito abafado. Ela sempre dormia só de calcinha por baixo, mas hoje ela se explicara dizendo que estava muito quente, que não tinha roupa para usar - e eu fiz questão de não lhe oferecer algum shots meu.
Desliguei a televisão, ficamos em silêncio. A luz que entrava pela janela iluminava levemente o quarto.
Após 5 minutos, não aguentei o silêncio e falei:
- Pati..
- Oi - respondeu prontamente, como se esperasse eu falar alguma coisa.
- Você está com sono?
- Não - riu - e você?
- Eu também não.
- Hm.
- Você..
- Eu o que?
- Podia deitar aqui comigo um pouco né?
Mal terminara a frase e ela já estava deitada ao meu lado. Senti suas pernas encostarem nas minhas sem roupa. Pele com pele. Senti um forte frio na barriga. Ficamos deitadas de barriga para cima por mais alguns minutos em silêncio. Me virei para ela, apoiando minha cabeça na minha mão esquerda. Fitei-a. Ela estava completamente sexy com aquela roupa, ou com aquela falta de roupa. Com a mão direita, fui passando meus dedos pelo seu rosto, nariz, contornando sua boca. Sempre olhando-a nos olhos, fui descendo pelo seu pescoço, passando entre seus seios. Sua blusa preta fazia contraste com sua pele branca, mais excitante ainda. Ela deixava sua barriga aparecer. Minha mão queria seguir aquele caminho, meu corpo, todo meu ser. Continuei a descida, mas parei na altura do seu umbigo. Ela se virara de costas para mim, fazendo nos encaixarmos. Assim ficamos o resto da noite. Ela com sua mão em cima da minha que estava um pouquinho abaixo do seu umbigo, encostando de leve na sua calcinha. Foi difícil dormir naquela noite. Seu cheiro, seu corpo, sua pele. Tudo me chamava, me tentava. Mas assim dormimos.
Acordei-me com minha tia falando alguma coisa sobre "mercado" e "depois eu volto". Patrícia ainda dormia. Sua respiração estava em sintonia com a minha. Abracei-a mais forte, ela se acordara.
- Bom dia - falou sorrindo em meio de um bocejo.
- Bom dia minha linda - beijando seu pescoço.
Ela se virara para mim, abraçando-me forte, colocando sua cabeça no meu peito.
- Diz que foi um pesadelo, que você não vai ficar um mês longe de mim, diz?
- Ahh mas eu volto, não pretendo ficar morando lá não! - sorri um pouco triste.
Levei café da manhã para ela na cama. Dissera que ia ao banheiro e voltei com uma singela bandeija com um bolo de laranja e um leite, era o que tinha em casa. Ela soltara um gritinho quando apareci na porta. Ficamos alí no quarto até depois das 13 horas.

[Pra entender do começo ]

Voando alto

Dezembro estava quase acabando quando decidimos ir ao cinema em uma tarde ensolarada, pois em ambas as casas tinham visitas. Fomos supostamente assistir a um filme infantil, contando conosco havia 5 pessoas na sala. Sentamos lá no fundo onde pode tirar a divisória do banco. Naquele dia eu estava com mais vontade do que o normal de Patrícia. Eu precisava, eu queria. Não sabia direito o que nem como, mas tinha certeza de que queria, e muito.
Ao sentarmos, passei meu braço esquerdo sobre o seu ombro e assim ficamos abraçadas assistindo o filme que não me recordo o nome. Entediada pelo filme e atordoada por Patrícia estar ao meu lado, pertinho de mim coloquei minha boca perto da sua orelha.
- Você está linda - falei baixinho e fui beijando sua orelha descendo pelo seu pescoço. Ela se arrepiara.
Com a minha mão direita encostei na sua coxa. Envolvida pela excitação que isso me causava fui passando minha mão em direção ao seu ventre. Delicadamente Patrícia repousou sua mão sobre a minha. Mas meu desejo de tocá-la era mais forte. Continuei subindo até encaixar minha mão no meio de suas pernas. Ela mordeu o lábio inferior. Mesmo com ela vestindo uma calça jeans que dificultava qualquer tentativa mais profunda de toque, continuei acariciando-a, ganhando maior intensidade conforme sua respiração acelerava. Sentia o calor do seu corpo em meus dedos, aquilo era muito prazeroso, apesar de desconhecido.
- Pára Manu - falou tentando conter seu rosto que revelava seu gozo pela situação - eu vou ganhar um treco aqui!
Sorri maliciosamente para ela. Queria beijá-la, mas as luzes acenderam. O filme acabara e eu não havia conseguido terminar o que me propunha. Fazer ela sentir o que eu sentia quando ficava perto dela. Um clima diferente pairava no ar. Algo além de um namoro de andar por aí de mãos dadas e olhar filme da Sessão da Tarde. Voltamos para casa assim, sem falar nada, apenas com um sorriso querendo desabrochar no canto da boca.
Quando cheguei em casa, tentei inutilmente subir sem ser notada, mas minha tia me chamou na cozinha.
- Manuela, isso é jeito de tratar as visitas? Nem vai cumprimentá-la?
- Desculpa Dona Mirian, eu nem vi a senhora. Tudo bem?
- Tudo ótimo minha filha - disse ela levantando-se para me beijar. Essa senhora gostava de mim, sempre que vinha em nossa casa me trazia um saquinho com marshmallows coloridos. Não sabia de onde ela tirara que eu gostava deles, mas como eram docinhos eu comia com o maior agrado.
Ela me falara que tinha um presente para mim em cima da minha cama. Subi com a certeza de que eram os marshmallows. Mas quando entrei no quarto vi que em cima da cama estava apenas um envelope amarelo. Abri-o cautelosamente para não rasgá-lo. Dentro havia uma passagem de avião para o Rio de Janeiro, com uma revista de lugares para visitar e itinerário de um mês na cidade maravilhosa. A passagem era para a semana que vem.
Desci as escadas sem entender o que queria dizer aquilo.
- Dona Mirian, essa passagem é de verdade? - perguntei num tom de brincadeira.
- Claro que sim minha filha, gostou da surpresa que resolvi dar a vocês duas?
- Duas?
- É sim, sua tia também vai para lá.
Me explicou demoradamente que era um passeio da paróquia, que haviam conseguido um desconto nas passagens e que ela resolvera comprar pois minha tia sempre se queixava que nunca parava de trabalhar. Disse que era um presente muito caro, que não poderia aceitá-lo, mas minha tia chamou minha atenção imediatamente me chamando de mal educada, quase retruquei que fora ela que me educara. Fui dormir pensando nessa viagem repentina. Não queria por hipótese nenhuma ficar tanto tempo longe de Patrícia.
No dia seguinte não falei nada para ela, notando minha expressão preocupada no rosto, me preguntou se havia acontecido alguma coisa. Provavelmente pensara que eu havia me arrependido da tarde anterior. Disse que estava com dor de cabeça apenas e que nesse dia não poderia almoçar na sua casa, que iria fazer umas coisas para a minha tia. Talvez eu estivesse sendo grosseira com ela, mas preferia acreditar que conversando com minha tia eu poderia ficar em casa, enquanto ela viajava. Cheguei em casa sem fome. Pedi a ela para conversarmos. Mal havia tocado no assunto e ela já me proibiu peremptoriamente de ficar em casa durante a viagem. Disse novamente que seria uma falta de educação para com a Dona Mirian e que fecharia com as férias de verão. Fim de papo. Argumentei inutilmente para a parede, pois ela me deixara falando sozinha. No dia seguinte era sexta-feira e como sempre fazíamos almoçamos no restaurante de sua tia. Depois do almoço fomos para a minha casa. Minha tia não estava, havia saído atrás de novas roupas para ela, afinal iríamos para o Rio de Janeiro, a tal cidade maravilhosa que de maravilhosa não tinha nada, pensei raivosa. Fomos diretamente para o meu quarto. Ela ligou a televisão e deitou-se na minha cama, fazendo um gesto para que me deitasse ao seu lado.
- Eu te conheço muito bem Manu - disse passando sua mão pelo meu rosto - o que aconteceu?
Vendo meu silêncio continuou - foi por causa do que aconteceu no cinema né? Você.. você achou estranho, tudo bem, a gente não precisa.. - interrompi sua fala com um beijo.
- Preciso te contar uma coisa, duas na verdade.
- Ai que medo - falou brincando.
- Mas primeiro tenho um presente para você.
- Comprei isso para você - entreguei um pacote em prata. Era um ursinho de pelúcia, segurando um coração escrito "Eu te amo" - brega. Mas dentro do coração havia chocolates, ele podia soltar-se do ursinho.
- O coraçãozinho sai - falei fitando-a. Ela estava com um sorriso de orelha a orelha - assim você não precisa ficar escondendo ele e pode dormir com ele abraçada, como se fosse eu - brega².
Ela pulou em meus braços. Com os olhos cheios d'água disse que ela sempre quisera ganhar um ursinho de alguém.
- Ainda mais de você, que é tão especial para mim - falou me beijando. - O que você queria falar?
- A primeira coisa..
- Hm - sua expressão ficara mais séria.
- É que eu estou completamente apaixonada por você - sorri inocentemente - brega³.
- Eu não consigo mais ficar longe de você Pati.
- Mas você não está assim comigo - me puxando para mais perto dela - pertinho de mim?
Seu olhar estava radiante. Seu sorriso brilhava.
- A segunda coisa é que quarta..
- Você não gostou né? - falou fazendo beicinho.
- Não! Não é isso. Depois daquilo - sorri - quando cheguei em casa a Dona Mirian estava aqui.
- E o que tem ela?
- Ela me trouxe um presente.
- Eu quero os marshmallows! - riu ela - dessa vez você não comeu tudo sozinha, é gulosa?
- Foi outro presente.
Mostrei a ela o envelope. Ela leu tudo com atenção.
- O que é isso?
- Uma passagem para o Rio.
- Eu sei Manu. Mas isso quer dizer que você vai viajar?
- Sim, eu tentei dizer para a tia Med que eu não queria mas ela me obrigou a ir. Você viu a data? Semana que vem eu viajo.
- Mas e a gente? - falou enquanto me abraçava forte.
- Eu não sei minha linda.. Eu não sei.. Mas não vamos pensar nisso, né? Um mês passa rapidinho.
- Passa? Você comeu o que de almoço? Como vou ficar longe de você um mês? Me diz, como?
E me puxava mais. Ficamos abraçadas o resto da tarde.
- Eu não quero você triste, ok? Não deixo você ficar - sorri.
- Mas...
- Mais nada. Gostei do cinema - mudei de assunto para ela não voltar a chorar - o filme foi bem legal né?
- Que filme? - sorriu ela maliciosamente.
Ficamos nos olhando durante um longo tempo.
- Posso te pedir uma coisa?
- Claro - falei enquanto passava minhas mãos nas suas costas.
- Deixa eu dormir aqui com você hoje?
- E pra isso precisa perguntar?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

As coisas como foram

Acordei sorrindo. Não tinha fome, não tinha sono. Queria chegar logo na escola. Precisava beijá-la novamente. Precisava dar mais um abraço naquela menina linda. Queria sentir seu cheirinho mais uma vez. Toquei os livros dentro da mochila, tive a impressão de ter colocado o livro de matemática, mas nem tinha matemática naquele dia. Mas quem se importava com os livros de matemática? A báskara que ficasse para a próxima. Eu precisava mesmo era de Patrícia. Tomei um banho demorado, queria ficar cheirosa para ela. Demorei mais tempo do que o normal para escolher uma roupa, no fim fui com a mesma de sempre, sabe aqueles uniformes que todo mundo tem? A melhor blusa, a calça nova e o tênis novo, pois então, esses mesmos. O colégio não era muito longe de casa, mas precisava pegar ônibus. Ele não chegava, olhava para o relógio de trinta em trinta segundos, e nada dele chegar. Parecia que haviam feito de propósito, se atrasar tanto só por minha causa.
Entrei no ônibus e tinha pouca gente, uma senhora, talvez mais um ou dois meninos no fundão. Não me importava, só queria chegar logo até Patrícia. O ônibus parou no vermelho, mas se era possível uma coisa dessas, agora todos os sinais estariam fechados para gente?
O ônibus parecia que sabia da minha vontade de Patrícia, porque conseguia andar mais devagar do que de costume, quase perguntei se ele tava apostando corrida com uma tartaruga.
Cheguei à escola mais cedo, como havíamos combinado. Encontrei-a sozinha na sala. Encostei a porta e a beijei ali mesmo. Ela logo se soltou de mim, disse que ali não podia, que precisávamos ter cuidado. Retruquei que o que eu precisava era de mais um beijo dela. Peguei-a pela mão e entramos no banheiro. Não havia ninguém. Empurrei-a gentilmente para dentro de uma das cabines, e a beijei com vontade. Seu corpo chegou a ir para trás com a força do meu beijo. Forcei meu corpo contra o dela e encostei-a contra a parede. Cada toque me impulsionava a querer tocá-la ainda mais. Não sabia direito o que nem como. A única coisa que eu sabia é que eu não sabia de nada, só queria ela toda para mim. Desci minha mão pelas suas costas, mas ela parou meu movimento segurando minha mão. Enquanto a beijava ela disse "Calma" baixinho e sorrindo. Passou a mão pelo meu rosto e por entre meus cabelos pela nuca. Me arrepiei toda.
- Nós poderíamos ter ido direto para a minha casa né? Para que vir na aula? - falei beijando-a novamente.
- Acho melhor nós sairmos daqui Manu, daqui a pouco entra alguém - disse em meio aos meus beijos.
Ela era assim, tinha medo de tudo. Está certo de que eu estava fascinada com esse novo mundo, mas o que poderia acontecer? No exato momento em que saímos da cabine, a "tia" da limpeza entrou para colocar uma sacola no lixo. Nos Perguntou "O que essas moças tão fazendo aqui tão cedo? Isso que é gosto de estudar!". Saímos rindo do comentário da senhora. Não conseguimos ficar juntas no intervalo e o restante da aula passou tremendamente devagar.
Era a aula de Química sobre o sei lá quem de potássio, era a aula de Português sobre o texto de um tal carinha lá que nunca tinha ouvido falar, nada de Matemática e nada do fim da aula chegar.
Quando enfim aquele suplício acabou, Patrícia arrumou a sua mochila vagarosamente. Eu já estava impaciente. Pedi para que fôssemos para o banheiro, mas ela me lembrou que há essa hora o pessoal da limpeza estava trabalhando, mas disse que iríamos para a sua casa. Almocei junto com ela. Amélia estava lá e o irmão caçula de Patrícia também. Ele se chamava Vinícius. Tinha 8 anos e era muito chato. Por sorte a Patrícia não dormia mais com ele, terminaram de construir a última peça da casa. Era o quarto dela, ainda com cheiro de reforma entramos rapidamente para Vinícius não entrar junto. Ele começou a gritar para a mãe Amélia que queria entrar junto conosco, mas ela disse que íamos estudar.
- Então foi isso que você disse pra ela? Que íamos estudar - falei já puxando-a para mim.
- Você ta animada hoje hein? - falou ela sorrindo.
Foi assim que passamos o resto do ano até dezembro, sem deixar de se ver um único dia. Ficando juntas na casa dela, no meu quarto, no banheiro da escola, no corredorzinho que dava para a biblioteca, quando saíamos para o shopping no escurinho do cinema ficávamos apenas segurando a mão da outra. Mas era uma sensação tão pura e de extrema felicidade que já valia à pena. Tudo com ela valia.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O segundo primeiro beijo

As sextas-feiras me acompanham com acontecimentos inesquecíveis. Estávamos saindo de mais um almoço no restaurante. Já era meados de novembro e o calor estava insuportável. O tempo estava fechando para uma forte chuva. Ainda precisávamos comprar algumas coisas no mercado para a minha tia. Na volta, após um trovão, começou a chover. Descemos a ladeira correndo para casa. Mas nosso esforço foi em vão. Chegamos ensopadas. Largamos as compras em cima da mesa da cozinha e subimos para o meu quarto. A chuva marcara seu corpo na sua camiseta branca. Eu percebia. Ela entendia. Eu senti. Ela retribuia. Por mais que combinássemos esquecer daquele beijo, ela fazia questão de mostrar que aquele desejo de outrora ainda existia.
- Você não pode ficar com essa roupa molhada - e se aproximando de mim tentou me ajudar a tirar a blusa.
Encabulada falei - Não precisa não, eu estou bem assim.
Mas ela me puxou e tirou minha camiseta de uma só vez. Sua mão encostou na minha pele e senti um forte desejo de encostar nela. De fazer qualquer coisa com ela. Mas de fazer. Aquela vontade estranha que sentia dela e que ia me consumindo. Que fazia com que ficasse horas me virando de um lado para o outro da cama antes de dormir. Nosso rosto ficou muito próximo. Ela me olhava com aquele brilho no olhar. Aquele brilho que eu já conhecia. Aquele brilho que depois do nosso beijo, sempre esteve presente.
Percebi que ela me olhara sem camiseta e tão logo ficara vermelha, foi em direção ao guarda-roupa pegar uma camiseta para mim. Escondeu-se atrás da porta. Ela provavelmente acreditou que eu não havia reparado. Fingindo procurar uma camiseta. Acabou pegando a primeira da pilha e tocou em mim.
- Posso pegar uma para eu usar?
- Claro - falei já esperando ela se vestir ali, na minha frente, para mim. Se eu estava sendo pervertida ou sei lá o que, não sei, talvez sim. O seu corpo era lindo. E isso era outra coisa que me encomodava, enquanto as meninas do colégio ficavam folhando suas revistas Capricho a procura de atores lindos e sem camiseta, daqueles posters de página inteira, eu só queria saber daqueles momentos com Patrícia.Ela me olhava enquanto trocava de camiseta. Na verdade ela me provocava. Ela sabia disso. Olhei para a rua, fingindo me interessar pela chuva que caía lá fora. Qualquer coisa para não acabar ganhando um colapso. Vê-la daquela maneira, me deixava completamente excitada. Eu precisava esclarecer certas coisas com ela. Era difícil me conter quando ela na sala de aula, onde sentávamos uma ao lado da outra, colocava sua mão na minha cadeira, fazendo ela encostar sem querer na minha coxa. Ou quando me abraçava forte fazendo sua respiração chegar aos meus ouvidos. Quando se despedia de mim com um demorado beijo na bochecha. Ou apenas quando ficava me olhando, sem falar uma única palavra.
- Pati precisamos conversar - falei enquanto me encostava na janela. Aquela frase saíra tão rápida, tão mais rápida que meus pensamentos, que por um momento fiquei na dúvida se tinha pensado, ou se tinha falado de verdade.
- Fala Manuzinha - voltou-se ela rindo para mim. E parou-se ao meu lado na janela. Seu corpo encostou no meu. Fechei os olhos. Era uma sensação tão magnífica que era inexplicável o que eu sentira naquele momento. Quando abri novamente meus olhos percebi que ela me olhava sorrindo.
- Essa chuva é gostosa né? - falei tentando camuflar a minha timidez. Meu coração já havia começado naquela corrida de sempre, batendo forte, e cada vez mais rápido.
- É ótima.
Ficamos alguns minutos sentindo o vendo frio que vinha junto com a chuva.
- Mas o que você queria me falar mesmo Manu?
- Eu.. - olhei para ela, queria dizer que... Dizer o que? Que gostava dela? Não, isso era impossível, eu não podia estar gostando da minha melhor amiga. A gente tinha combinado que aquele beijo, e nessas horas eu o amaldiçoava, deveria ser esquecido. Mas eu não conseguia tirá-lo da minha cabeça, do meu coração. Aquela vontade de mais um beijo, de mais uma dose de Patrícia. E se aquilo não era amor, então eu não sabia o que era. Mas eu não podia estar gostando dela. Aquilo seria o fim da nossa amizade. Mas alguma coisa eu tinha que fazer, aquilo não podia continuar daquele jeito, já estava me fazendo mal tanta vontade sem saber do que.
- Fala Manu, parece até que o gato comeu a sua língua - sorriu ela.
Mas minha voz não saía.
- Fala Manu, eu to aqui.
E esse era o problema, ela estava alí ao meu lado. E isso me encomodava. Não no seu sentido ruim, mas me deixava nervosa, fazia eu esquecer do mundo e só pensar nela. Fazia com que eu agisse como uma idiota, falando besteiras e um monte de coisas sem nexo. Mas que se fosse para falar alguma coisa, que falasse alguma coisa de útil, que tomasse alguma atitude. Que fizesse alguma coisa acontecer, independente do que fosse, mas acontecer.
- Eu-acho-que-estou-gostando-de-uma-pessoa - novamente as palavras saíram mais rápido do que meu cérebro pode acompanhar, mais rápido do que minha timidez pudesse me conter. Virei meu rosto ruborizado para a rua.
- É? Quem? - falou ela colocando o seu corpo mais próximo do meu, sentia seu braço colado no meu.
- Quer dizer, eu não sei né? Você não ta percebendo o que está acontecendo?
- Com quem?
- Com a gente! Não desgrudamos mais um minuto se quer, ficamos conversando a aula inteira, depois de tarde você vem para cá, a noite conversamos pelo MSN, antes de dormir ficamos até altas horas da madrugada conversando pelo telefone. Eu não consigo mais ficar longe de você.
- E você acha isso ruim? - falou ela fazendo beicinho.
- Não - falei um pouco mais alto do que gostaria. Estava muito nervosa. Comecei a andar de um lado para o outro, não conseguia manter meus olhos fixos nela, não conseguia fazer meu coração se acalmar, minhas mãos ficaram suadas e frias. Minha razão ia se perdendo aos poucos, me sentia louca, uma completa louca.
- Então o que é?
Por uns instantes eu vacilei. Mas ela sabia, dava a intenção que também gostava de mim. Colocava frases como "não paro de pensar em você" e essas breguices de apaixonados no MSN. Mandava mensagens de celular dizendo que estava pensando em mim e em seguida me convidava para fazer alguma coisa, ou me perguntava se podia ir na minha casa, dizia que estava com saudade. Eu pelo menos não fazia isso com mais ninguém, por mais amiga que fosse.
- Eu não sei, é normal isso?
- Mas nós somos amigas - dizia ela, mas começara a ficar nervosa também. - Eu gosto de ficar com você - ruborizando.
- Eu também gosto. Só que você já reparou que não conseguimos ficar longe uma da outra?
Sorriu.
- É verdade. Mas não entendo qual é o problema disso.
- Eu devo ta ficando louca! É isso, esquece o que eu falei.
- Mas o que tem a ver com você estar gostando de alguém? - nessa hora tive certeza que ela sabia do que eu estava falando. Ela não era tão tonta assim.
Eu precisava tomar coragem e falar. Se ela já sabia, e não havia falado nada, nem brigado comigo, era porque algo tinha, ou pelo menos não se preocupava com a idéia da sua melhor amiga gostar dela.
Ela estava ali, na minha frente, parada me olhando. Aproximou-se de mim.
- Vem cá Manu - abriu os braços em minha direção - me da um abraço. Não precisa ficar nervosa.
Seu abraço... Perfeito, simplesmente perfeito. Ele era quente e frio, forte e fraco, era na medida certa do meio termo mais completo e cheio que poderia existir. Mas que me dava uma vontade... Uma vontade tão voraz que ia me consumindo, me angustiando, me matando de desejo. Seu abraço era forte, firme, apertado. Sentia cada parte do seu corpo colado no meu. Era um abraço que dava certo. Sentia seu perfume, seu calor, seu coração batendo junto com o meu. Sua respiração estava ritmada com a minha.
Após o abraço, ela continuou com as mãos em volta de mim. Seu olhar condenava um sorriso. Me olhava diretamente nos olhos.
- Manu, você sabe que pode confiar em mim né?
- Mas eu confio em você, não é isso..
- É o que então? - tentou olhar nos meus olhos mas eles estavam baixos.
- É isso aqui, é agora.
Me lembrei do que havia prometido para mim mesma. E do que meu pai me falara. Lute pelas coisas que você acredita. Eu no momento estava acreditando na minha louca vontade de beijar Patrícia.
Olhei para os seus olhos - coração batendo forte - para o seu nariz - coragem, mais forte - boca. Tudo parou. Me inclinei levemente para perto do seu rosto. Nossos lábios se tocaram. Depois de tanto tempo. Sua língua rapidamente encontrou a minha, e assim ficamos um longo tempo, sentindo, beijando. De uma forma mágica a intimidade se criara instantaneamente. Parecia que nos beijávamos desde sempre. O beijo perfeito, molhado e demorado. No restante do dia não nos falamos, ficamos apenas nos beijando.
À noite, como comumente fazíamos, ela me ligou, mas ao invés de ficarmos falando sem parar como sempre, apenas ficamos longos minutos em silêncio. Eu conseguia sentir o seu sorriso e o seu coração.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Metamorfose

Mas a nossa amizade estava se transformando, depois das férias de inverno no primeiro ano do colegial, o que eu sentia ganhava mais intensidade ainda. E ela correspondia sem falar nada, apenas querendo estar comigo a todo instante e ficando brava quando alguém falava sobre meninos para mim. Anos depois fiquei sabendo que ela interceptara uma carta que um colega nosso havia escrito para mim pedindo para ficar comigo. Eu também tinha ciúme delas. O filho da tia do restaurante que agora voltara a ser nosso ponto de encontro nas sextas-feiras, gostava dela e sempre ficava atrás de nós quando íamos almoçar lá. Eu morria de raiva dele e fazia de tudo para despachar o menino para o mais longe possível. Ela se divertia com o jeito como eu falava dele, às vezes parecia que ela sabia do meu ciúmes, porque falava coisas só para me provocar, e dizia que eu ficava engraçadinha quando brava, passando a mão sobre meu rosto, fazendo eu ficar mais envergonhada ainda. Seu toque me causava coisas indescritíveis, coisas que só estando na minha pele para saber. E eu gostava de estar alí naquele momento. Era uma coisa boa. Sem nome, mas boa. Mais do que boa, ótima.
E essas coisas só aumentavam. Tudo de mais normal que fazíamos, parecia ser um espetáculo. Tudo que envolvia a presença de Patrícia me encantava. Era sem graça olhar televisão sem ela. Era triste ouvir meus CDS favoritos sem ter aquela menina ao meu lado, encostando em mim de vez enquando para me mostrar uma nova música. E tudo que fazíamos juntas fazia com que o que eu sentia aumentasse mais ainda. E se até nas coisas simples eu sentia tudo que eu sentia, mesmo sem saber exatamente o que era, quando ela trocava de roupa na minha frente, eu sentia meu coração saindo pela boca. Era uma estranha exitação. Não conseguia tirar os olhos do seu corpo. Às vezes ela percebia meu olhar sobre ela e fingia que não via, fazendo a troca de roupa demorar mais ainda. Com ela meu pacto comigo mesma de não ter vergonha para nada, não valia. Com ela eu me perdia enquanto falava e ela mordia os lábios, ou quando passava a língua sobre eles. A essa altura eu já sabia o que era gay. Se eu me considerava? Não. Mas sabia que "normal" eu não era, pois todas as noites eu ia dormir pensando no dia do meu aniversário que ganhara o melhor presente da minha vida.

E quem um dia irá dizer...

Ficamos muito tempo sem conversar. O verão já estava chegando, quando a professora de Literatura nos colocou para fazermos um trabalho em dupla juntas. Ela protestou, mas a professora disse que era para respeitar o que ela decidia. Combinamos de fazer o trabalho na Biblioteca Municipal. Era sexta-feira. Nunca mais havia almoçado no restaurante da tia dela. Minha sexta-feira ultimamente era passar a tarde inteira pensando nela enquanto apenas olhava para a televisão que passava um filme qualquer. O trabalho já estava quase pronto e ela ainda não havia olhado para mim. Ela me tratava com indiferença, ignorando todas as minhas tentativas de conversa além do estritamente necessário. Necessário para ela, pois para mim aquele assunto me corroia. Mas me corroia mais ainda não poder conversar com ela, não ter a sua companhia, não ter seus olhos sobre os meus.
Nossas pernas se tocaram por baixo da mesa. Vi que seu rosto assumira um rosa-avermelhado.
- Pati, você é a única pessoa que faz essa cidade não ser um inferno para mim. Você é a única com quem me divirto como nunca, que consigo ver cores além do cinza[!]. As coisas com a minha tia estão cada vez mais difíceis, ela briga comigo toda hora, por qualquer coisa. Eu não agüento ficar sem a minha amiga, sem as piadas que só a gente entende, sem achar graça dos filmes toscos da Sessão da Tarde. To indo passar meus finais de semana na casa do Rogério, fico lá olhando televisão e filmes com eles. É tudo tão monótono, me sinto tão sozinha.
Ela largara a caneta em cima do caderno. Seus olhos estavam fixados naquela BIC azul.
- Eu não sei por que aconteceu aquilo tudo. Juro para você que já pensei muito e não sei explicar. Mas para que explicar né - vendo que sua expressão se fechara - não precisamos explicar nada, porque aquilo não aconteceu, certo? Fazemos assim, nada aconteceu e vamos voltar a ser o que éramos antes. Eu simplesmente não agüento ficar sem a minha melhor amiga.
- Eu.. - mas calara-se novamente. Depois de meses seus olhos pararam sobre os meus. Senti um aperto estranho no coração. Era como se tivesse conseguido a maior vitória que alguém pudesse ter, seus olhos nos meus. Assim, simplesmente assim, nos meus. Um prêmio indescritivel da mais pura alegria que senti.
- Eu também não entendo o que aconteceu, mas sinto a falta da nossa amizade. Essas meninas da nossa turma são um saco! - finalmente pude ver seu sorriso. E mais uma vez meu coração apertou, a segunda vitória que eu poderiar querer ganhar, seu sorriso, assim pra mim e só pra mim.
Saímos da biblioteca com a promessa de que nunca mais iríamos nos separar e que nada abalaria a nossa amizade.
Tudo voltara ao normal e melhor do que antes. O nosso beijo aparentemente havia sido esquecido, mesmo ainda sentindo coisas estranhas quando nossos olhos se encontravam ou quando sem querer encostávamos uma na outra. Talvez esse problema só estivesse acontecendo comigo. Talvez eu estivesse pensando de mais nisso e por isso essa "coisa" não saia de mim. E se fosse para ficar perto dela e ter que fingir que nada acontecia, então eu fingiria, daria tudo de mim para não demonstrar absolutamente nada, mas que tivesse sua companhia. Que tivesse seus olhos e seu sorriso voltados para mim. Aquilo sim valia a pena, o resto eu daria um jeito.