segunda-feira, 21 de julho de 2008

A despedida de Patrícia

Ela havia escrito uma carta para mim."Manu.Eu não sei nem por onde começar a escrever esta carta. Ainda não acredito que você não ia me falar nada sobre sua ida, e se nós não nos encontrássemos no mercado? Eu ia ficar sabendo quando? Eu sei que fazia muito tempo que não nos falávamos, mas deixo bem claro que foi você quem quis assim. Você.. Sempre esta egoísta.Não repare nos borrões. Estou chorando. É Manuela, você sempre me fazendo chorar. Gostava mais quando este choro era de felicidade, das suas surpresas, dos seus presentes, da sua companhia. Sinto falta de você. Nunca encontrei ninguém que me completasse dessa maneira como você me completa. E você sabe disso. Acho que é por isso que você não quis mais saber de mim. Por que você é egoísta. Geminianas.. Todos iguais... Queria que você tivesse mudado nesse tempo que passamos longe uma da outra. Você mudou, mas continua a mesma. Mudou porque, eu sei que agora você vai dar aquele sorriso de canto, virar os olhos e coçar o nariz, como você sempre faz quando alguém lhe elogia, mas você está cada dia mais linda. Nem acreditei que era você no mercado. Está mais mulher. Mais decidida. Mas continua a mesma egoístasinha de sempre. Você me da raiva. E é por me dar raiva que eu te amo tanto. Eu não sei o que lhe dizer. Se o Dé não lhe deu a carta antes, você já deve estar a cada momento mais distante de mim. No ar frio do ônibus. Você pegou um casaco para não ficar doente? Sempre ficando gripada. Quem vai cuidar de você?Desculpa estar bancando a mãe.. É que foi só isso que você me permitiu ser na sua vida. Uma mãezinha chata. Nada de namorada, só uma irmãzinha. Para de vez em quando lhe satisfazer, matar as suas vontades. Você me usou e ainda teve a audácia de querer ir embora sem ao menos se despedir. Porque como você mesma me falou ontem à noite "eu não gosto de despedidas". Tudo deve ser feito da maneira como você gosta, se não, não está bom. Pois bem, estou fazendo mais uma vez as suas vontades. Não vou ir na rodoviária me despedir de você. Vou ficar aqui, na mesa do meu trabalho olhando o relógio imaginando onde você já está, com que roupa você está indo. Como lhe conheço bem, aposto que vai ir com aquela calça horrorosa preta, que você diz ser estilosa, só porque sabe que fica extremamente sexy com ela. E com aquele moletom desbotado que você tanto gosta. Deve estar com frio, pois você nunca se preocupa com sua saúde. Deve estar sem chorar, pois você às vezes mais parece uma pedra. Deve estar querendo tudo e nada. Porque você é assim mesmo. Tudo e nada, e azar de quem quiser lhe acompanhar. O Dé me contou que iriam fazer uma festa surpresa para você, e quer ver como eu lhe conheço? Aposto que a coisinha foi, e aposto que você não resistiu aos seus encantos. Eu gostaria de socar você nesse momento. Pelo menos ela teve você por alguns tempos. Ela pode ter a oportunidade de ficar com você e poder lhe chamar de minha namorada sem medo de você sair correndo. Criançona que você é. Nunca quer compromisso com nada. Egoísta que você é. Sempre com medo de desapontar os outros e por isso prefere ficar nesse seu mundinho. Eu já chorei muito por você, quis ligar para você hoje, mas para que? Ouvir suas desculpas esfarrapadas de novo? Se ao menos elas lhe trouxessem de volta. Meu chefe está me chamando. O Dé daqui a pouco está vindo aqui para pegar a carta. Você deveria aprender com ele, como ser uma pessoa mais amiga, mais fiel, mais companheira.Você agora deve estar com a sobrancelha arqueada, pois está brava comigo. Não fique. Pois hoje, eu não lhe dou mais o direito para isto. Não lhe dou direito para mais nada. Lembre-se que foi você quem quis assim. Eu sempre estive a sua disposição. Sempre. Agüentando suas ladainhas sobre a jeca lá, sobre a não sei quem, ouvindo seus comentários maliciosos sobre as menininhas. Todas, né? Sempre querendo tudo. Um dia você ainda vai ficar sem ninguém. Meu chefe gritando de novo. Que cara chato! Você deve estar ficando enjoada né? Não consegue ler em viagens, por isso nós tínhamos sempre que arranjar outra coisa para fazer enquato viajávamos. Você nunca me deixou ler um livro, sempre me chamando a atenção. No passeio do último ano do colegial. Nem acredito que fizemos aquilo com todos dormindo. Ainda acho que a Fê nos viu, mas com você nunca adiantou dizer "agora não", porque o agora sempre foi as suas vontades, o seu agora.Então Manu, aproveite o seu agora, a sua faculdade, a sua nova vida que faz tanto tempo que não faço mais parte. Eu ainda não sei o que eu lhe fiz de mal para tudo acabar assim. Mas deixa eu lhe contar uma coisa. Ontem à noite, eu lhe usei, porque dessa vez eu matei somente as minhas vontades, sem me importar com o que você queria. Só me importei com o que eu queria. Apesar de que, o que eu queria, e sempre quis, foi você."

domingo, 13 de julho de 2008

Adeus Cidade!

Já dentro do carro não pude conter minha curiosidade.
- Andrézinho..
- O que você quer agora - disse ele sorrindo para mim. Ele gostava de mim, era um amigo único.
- O que ela lhe disse? Só isso?
- Ok, ok menina. Ela contou que vocês passaram a noite juntas..
Alegrei-me.
- E para você aumentar este sorriso bobo, ela disse que foi uma das melhores vezes.
Não contive minha felicidade. Ela gostava de mim, disso eu sabia. E ontem, era impossível ela não ter gostado...
- Agora pare de se achar, ok?
- Mas ela lhe contou que foi embora sem me dizer nada?
- Ela me disse muitas coisas, mas assim como não contei a ela sobre sua ida e mantive o segredo, não vou lhe dizer mais nada, e agora me deixe dirigir - ainda continuava sorrindo.
- André, você realmente é um crápula. Fala logo o que ela te disse, poxa, você não tem coração mesmo? Eu estou indo embora.
- Está nada - interrompeu-me - Querida, deixa eu te contar uma coisa que pode ser que você ainda não saiba. - fez um silêncio de suspense - A capital não fica em outro planeta. - soltou uma gostosa gargalhada.
- André..
- É sério minha querida, vocês podem se encontrar sempre que quiserem.
- Mas você sabe que a faculdade dela é longe, e de lá até a minha leva muitas horas...
- E? Isso não quer dizer nada.. O grande problema é qual das duas você vai querer.
- Você é muito engraçadinho ?
- Sou realista minha querida. Até eu acho a Lu estonteante.
Deixei escapar um sorriso.
- Então vocês transaram na minha excelentíssima cama sem a minha autorização? Exijo detalhes.
- Nós nem fizemos nada..
- Acredito.
- Prometi guardar segredo - devolvi.
- Ok, ok. Não está mais aqui quem perguntou. Mulheres...
Dei um soquinho de leve no seu ombro. Ia sentir saudade da maneira que ele encontrava para resolver os prolemas.
Chegamos à rodoviária, mas ainda não estava acreditando que iria embora. Mal deu tempo de retirar as bagagens do carro, o ônibus já estava aguardando os passageiros.
Dei mais um abraço no André, agradeci a ele por tudo que ele sempre fez por mim e pela Patrícia.
- Menina, você sabe que mora no meu coração purpurinado para sempre ? - disse ele me estendendo os braços para mais um abraço apertado.
- E você também, vê se vai lá me visitar, já que não vou para outro planeta.
Despachei minhas bagagens. Olhei mais uma vez para a rodoviária. Essa cidadezinha nunca foi minha mesmo. Nunca pertenci a ela. Mas eu iria sentir falta de algumas coisas.. Principalmente dessas pessoas, André, Patrícia e porque não da Luciana também.. Pessoas que fizeram da minha vida algo real, não só expectativas. Estava esperando que a Patrícia aparecesse. Ela não precisava me dizer nada, bastava aparecer para eu poder ver seu rosto mais uma vez.
- Moça, está na hora - disse o motorista - garanto que seu namorado vai lhe esperar voltar - sorriu se referindo ao André.
Inevitável rir. Este ainda não sabia do André.
- E você, minha primeira dama - disse o André entrando na onda do motorista - cuide-se bem, ok? Estou de olho em você. Você sabe que eu não vou aprontar por aqui, vou trabalhar com o Beto em casa, nem vou sair lhe aguardando voltar. E me abraçou mais uma vez. - Isso aqui é para você. Mandaram lhe entregar - disse cochichando no meu ouvido.
Subi as escadas do ônibus. Abri o envelope que André havia me dado. Era a letra de Patrícia.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Tchau

- Vamos lá? O pessoal já foi embora, cansaram de esperar você.
- Mentira, sério?
- Seríssimo, eles sabem que você é a namorada da Luciana, expliquei a eles que vocês estavam se despedindo.
- Que namorada nada, ô!
Fomos conversando enquanto íamos para a garagem pegar o carro.
- Como não são namoradas? Agora você virou uma bicha libertina? - se deliciando com a minha raiva.
- Você sabe que eu não sou assim... Ela não veio - mudei de assunto.
- A Patrícia? O que, não me diz que você ia dar uma com as duas juntas? Está me saindo melhor do que a encomenda.
Para André tudo se resolvia com sexo. Homens.. Bicha, mais ainda assim, homem.
- Ela ficou muito magoada com você. Ligou-me sexta e hoje ao meio-dia.
- O que ela lhe falou? - perguntei com o coração batendo mais forte.
- Contou que você se tornou uma devassa louca por sexo - rindo.
- Pára de bobice André, eu estou falando sério. Você e suas piadas inoportunas.
- Ela me contou que vocês se viram sexta sem querer no mercado, que vocês conversaram que ela foi com você numa loja de não sei o que, e que quando você estava dirigindo ela atendeu o seu celular..
- Ela percebeu né? - falei entrando no carro.
- Sim, ela me disse que achou muito estranha a sua cara de pavor quando disse que era do frete, e que você inutilmente tentou enganá-la dizendo que eram as coisas para a sua tia.
- Mas você não falou nada né?
- Eu disse que na história de vocês eu não me metia, só se fosse para vocês namorarem - divertia-se conosco.
- E ela?
- Ela o que? Disse que ia resolver isso sozinha já que eu estava sendo segundo as palavras dela, um crápula manipulador, que só protegia você e suas besteiras sempre. E me contou que foi na sua casa e vocês conversaram. Repetiu que eu era do mal, que eu não deveria ter mentido para ela, me sentou os cachorros.
- E não disse mais nada? - perguntei com expectativa.
Ele sorriu, sabia o que eu estava querendo ouvir.
- Mulheres.. São todas iguais. Por isso que eu gosto de homem.
Descemos em frente à minha casa para pegar as bagagens. Enquanto colocávamos tudo dentro do carro expliquei a ele como seria com a casa, com tudo. Ele ainda se espantou que a Patrícia fosse esperar o frete terça-feira. Pegou umas revistas que estavam atiradas ao lado da pia do banheiro, disse que era sempre útil.

sábado, 28 de junho de 2008

Super Surpresa!

Luciana. Sim, depois de um mês sem vê-la, ela estava alí parada na minha frente. Vendo minha cara de espanto, sorriu:
- Surpresa!!
- É - disse eu embaraçada com a situação.
Mas fomos interrompidas pelo resto do pessoal que estava na festa, André extravagante como nunca tinha visto veio me dar um abraço me tirando do chão. Em seguida Beto, Cátia, Leila, Marcelo, Diego, .. Todo o pessoal do cursinho e da escola. Procurei mas a Patrícia não estava no meio do grupo.
- Então você achava que ia embora assim? - falou André me servindo um copo de cerveja - Mas nunca!!!
Conversamos sobre a viagem, o cursinho, quem havia passado nas faculdades, de como era bom rever o pessoal, que tínhamos que marcar alguma coisa um dia desses, enfim, aquele papo de sempre.
- Antes de você ir, gostaria de falar com você - disse Luciana pertinho do meu ouvido. - E dessa vez você não me escapa!
Resolvi então conversar com ela, afinal o que poderia acontecer? Que falasse então de uma vez que não queria mais nada com ela, que achava ela muito legal mas que não dava mais.. Todo aquele meu repertório decorado e redecorado que nunca havia dito a ela. Por medo, por preguiça, por sei lá o que só havia dito uma vez a ela para me deixar em paz. Na verdade Patrícia estava certa, eu gostava dela correndo atrás de mim, saber que depois de tanto tempo ela estava na minha mão. Maldosa ou não levei o nosso fim do namoro assim, me fazendo de morta, que não estava nem aí, até que um dia realmente parei de estar.
Pegando na minha mão ela me levou até o quarto do André.
- Calma, é só para conversarmos melhor - disse ela vendo a minha expressão ao fechar a porta trancando-a.
Indo mais para longe dela, disse:
- Então, - sem olhar para ela - o que você quer conversar?
- Que bicho lhe picou que você está mal educada? Você não era assim quando lhe conheci - sorriu.
- Eu - paralisando ao vê-la. Esse um mês a fez ficar ainda mais deslumbrante. Estava com um vestido que eu adorava que tinha um decote que mostrava o suficiente para qualquer pessoa ficar louca - Eu não fui picada por ninguém não - sorri voltando ao posto de quem comandava a situação - só que daqui a pouco já tenho que ir para não perder o ônibus.
- Sei - disse chegando mais perto de mim - Eu só queria saber porque você não atende mais as minhas ligações, finge que eu não existo mais. Você sumiu sem me dizer nada..
- Eu disse sim Luciana, eu falei com você, você que não acreditou no que eu disse.
- Mas estava tudo tão bem.. Não entendo o que aconteceu.
- Estava tudo bem com você, comigo não. E estava falando isso para você há tempos, mas você nunca me deu ouvidos. Sempre achou que eu estaria a disposição para tudo. Cansei disso..
- Foi a Patrícia né?
- O que? Não coloca ela no meio da história que ela não tem nada a ver.
- Não? - sorrindo - bem se vê que não, então para que ficar tão nervosa?
- Não estou nervosa Luciana.
- É ela sim.. Você e essa sua "amiguinha" que nunca deixaram de se gostar.
- Olha Luciana, se era isso que você queria falar comigo, então com licença que eu vou me despedir do pessoal.
- Calma Manuzinha - segurando meu braço - eu não quero brigar com você. Eu gosto tanto de você. - me puxando para mais perto. Confesso que ela ainda conseguia me atrair. Com seu jeito. Seu jeito era inexplicável. Ela conseguia seduzir qualquer pessoal. Até quem não era muito chegado na fruta. Com seus cabelos sempre muito bem arrumados, seu perfume, sua maquiagem, suas roupas ou com a falta delas.
- Quero ouvir você dizer que não sente falta de mim - disse ela chegando tão perto que conseguia sentir a sua respiração.
Como dizer não para uma mulher como ela? Mas para que prolongar uma coisa que não ia durar? Mas porque não aproveitar já que eu estava indo embora?
- Lulu, você continua a mesma né? - disse olhando para os seus olhos. Não poderia deixar meus olhos chegarem a sua boca, porque rapidamente estaria envenenada pela sua estonteante beleza e sexualidade. Tudo com ela era sexy. Já estava ficando atordoada com o seu corpo virado contra o meu, roçando a cada movimento que ela fazia. Suas mãos já estavam enlaçadas na minha cintura. A hora era essa, ou eu saía, ou eu me entregava. Não pelo amor, não pelo namoro mal acabado, mas pelo prazer que ela me proporcionava. Não, eu não sou uma cafajeste, não sou uma pilantrinha, mas tem certas coisas na vida que aprendi que não precisam de muita razão para acontecer.
- Só mais um beijo, e deixo você em paz - disse ela aproximando sua boca da minha me beijando. Para que? Com ela a combustão era imediata. Ela me tocou na cama, subindo em cima de mim não dando espaço para eu me mexer. Forçou seu ventre contra o meu. Nossos beijos ganhavam cada vez mais intensidade. Fazia tempo que não ficávamos juntas, mas era como se tivesse sido ontem que havíamos nos visto. Veio uma lembrança de Patrícia, que logo foi apagada pelos beijos de Patrícia que já ultrapassavam minha calcinha. O sexo aconteceu em poucos minutos, com a mesma avidez de sempre. Sexo, só sexo.
Fechei o resto da roupa que ainda estava aberto, mas ela permanecia deitada na cama me olhando.
- Acho que nem a Patrícia é capaz de fazer o que eu faço com você - sorriu ela presunçosa.
- Você que continua a mesma, sempre colocando a Patrícia no meio da história.
Mas era incrível como essa menina conseguia ser tão sensual. Repito que não sou uma infamezinha qualquer. Mas a sua sensualidade. Gostaria de lhe mostrar ela para ver se você não concordaria comigo.
Mas além de sensual, ela era insaciável. Ainda sem a parte de baixo da roupa fez menção de que iria se tocar, ali na minha frente.
- Vem cá que meu assunto com você ainda não acabou - sorriu maliciosamente para mim.
Fiquei extasiada olhando-a. Olhei para o relógio e já eram 16:34.
- Pelo amor de Deus, pára com isso - disse eu torturando-me para não ir em sua direção e tocá-la também - eu tenho que ir, meu ônibus.. Ele não vai me esperar.
Mas ela continuava me deixando hipnotizada. Para findar com o meu suplício bateram na porta. Era o André.
- Mocinhas, não quero incomodá-las mas Manu, se você não vir logo, irá perder o ônibus. Temos que pegar as suas coisas ainda.
Luciana parou. Levantou-se da cama, caminhando em minha direção. Olhou-me profundamente e me deu um beijo. Colocou o restante de suas roupas e abriu a porta, saindo sem olhar para trás.
André entrou no quarto olhando para a cama e sorrindo soltou um suspiro.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Surpresa!

Acordei com a respiração de Patrícia no meu ouvido. Suas pernas estavam entrelaçadas nas minhas. As nossas roupas permaneciam atiradas pelo chão. Sentia seu gosto em mim. Olhei-a e continuava dormindo, com seu semblante revelando um leve sorriso. Procurei o meu celular em cima da cabeceira, para saber que horas já eram. Da última vez que tinha visto já passavam das 5. Com dificuldade de enxergar, ainda com os olhos doloridos de sono - 6:45. Não sabia que horas ela iria para o seu trabalho, mas acordei-a com um abraço apertado. Ela apenas me olhou. Desvencilhou-se dos meus braços delicadamente, checando as horas no seu relógio de pulso. Levantou-se da cama ainda em silêncio, e assim permaneceu enquanto colocava suas roupas. Fiquei estática acompanhando os seus movimentos. Colocou seus sapatos fazendo em seguida um rabo de cavalo. Virou-se para mim, mas não disse nada, apenas ficou me olhando. Senti-me embaraçada com a situação, pensando que talvez tivesse feito alguma coisa errada. Quando abri a boca para falar ela fez sinal com seus dedos para que continuasse em silêncio.
Pegando o casaco, o celular e sua bolsa foi em direção à porta, olhou mais uma vez para mim e saiu. Ainda paralisada pelo seu silêncio ouvi o barulho de chaves na porta da casa. Levantei colocando a primeira peça de roupa que vi e desci as escadas correndo em sua direção. Mas ela já havia partido. Olhei para os dois lados da rua e não a enxerguei. Como ela sumiu? Ainda arrisquei em gritar "Patrícia", mas foi em vão. Não faço idéia de quanto tempo fiquei parada na porta esperando ela voltar. Não estava acreditando que ela simplesmente havia partido sem um tchau, sem falar nada, e eu pateta, ainda envolvida pelo sono e pelas lembranças da noite passada continuei deitada parada, esperando-a ir embora. As pessoas já estavam acordadas na rua, percebi olhares curiosos sobre mim, me dando conta que estava com "pouca" roupa, entrei em casa.
Peguei o telefone para ligar para ela, mas na quinta tentativa desisti de vez. Quem sabe não seria melhor assim, sem despedidas, sem choro, apenas com lembranças da noite que passamos juntas.
Tomei um banho demoradamente, ainda não acreditava em tudo que havia acontecido.
8:15 marcava o relógio. Ainda precisava embalar o resto das coisas, rádio, televisão, tirar as últimas coisas das gavetas, levar o canarinho para a vizinha, prometi dar a seu filho, já que um passarinho não teria uma boa moradia comigo, recolher o resto das roupas que ainda estavam atiradas pela casa, ir me despedir do Dé.
Já eram 15h quando consegui terminar as últimas coisas e ir ao André para me despedir dele. Como na minha pequena cidade tudo era muito perto, resolvi ir caminhando, assim espairecia um pouco, em uma tentativa meio frustrada de parar de pensar na Patrícia.
Chegando ao seu prédio, vi que havia alguns carros parados na entrada. Toquei a campainha que logo foi atendida com um "Entra". Subi pelo elevador e quanto este abriu vieram me receber várias pessoas com chapeuzinhos e apitos. Sim, uma festa de despedida. Ainda não acreditando no que via, senti uma mão me puxando. Atordoada pelo barulho dos apitos, segui aonde a mão me levava. Em meio de tapas nas costas e "E aiii meninaa", cheguei ao apartamento do André. Então pude ver de quem era a mão que me puxava, e não acreditei no que vi.

domingo, 22 de junho de 2008

Quando palávras são desnecessárias

Toque, carícia, pressão, atrito, carinho, suor, gemido, mordida, beijo, lambida, coxa, com coxa, boca, na boca, movimento, movimento, gemido, mãos e dedos, corpo e corpo, olho, no olho, língua, chupão, gemido, desejo, pedido, sexo com sexo, sexo mais sexo,pele, na pele, boca, sem boca, língua, com língua, gemido, suor, carinho, atrito, movimento, movimento, suspiro gemido, sexo, e sexo, sexo, sexo, gemido, gemido, movimento, gemido, movimento, sexo, gemido, mordida, gemido, movimento, lambida, gemido, gemido, gemido, gemido... Puxando sentindo, sentindo passando, passando tremendo, tremendo sentindo, querendo pedindo, passando mais rápido, mais rápido gemendo, gemendo suando, passando tremendo, sentindo mexendo, sentindo tremendo, tremendo mais rápido, mais rápido sentindo, sentindo tremendo, tremendo gozando.

sábado, 21 de junho de 2008

Patrícia e eu

- Então você já tinha tudo planejado é? - levantando-se da cama e passando suas mãos pela minha cintura.
Eu não respondi. Palavras são desnecessárias em certos momentos. Empurrei-a para a cama.
Ela estava deslumbrante. Como havia saído do trabalho e vindo direto para cá, ainda estava com o uniforme. Ela de camisa ficava absurdamente sexy. Começamos a nos beijar e não resisti, desci minha mão pela sua barriga e coloquei-a embaixo da camisa, sentindo que ela se arrepiara. Mas a camisa era justa de mais e não acompanhava meus movimentos, que insistiam em continuar subindo. Após mais um longo beijo, abri meus olhos e os dela ainda permaneciam fechados. Tinha um leve sorriso no canto da boca. Tanto tempo eu fiquei sem ele. Quanta falta ele me fez. Comecei a beijar o seu pescoço enquanto minhas mãos iam desabotoando sua blusa. Senti o seu sorriso nos nossos beijos. Ela estava com o sutiã que eu havia dado para ela.
- Eu também tinha os meus planos - falou esperando a minha reação.
Eu simplesmente ficava louca quando ela usava ele. Preto e liso. O contraste perfeito com sua pele branquinha. É humanamente impossível ficar apenas olhando para o desenho do seu corpo, mas também é impossível não repará-lo. Desde pequena, ela se achava o patinho feio da rua, sempre jogando futebol entranhada no meio dos meninos. Nunca ninguém dava valor a sua beleza. Nunca ninguém reparava no seu sorriso, no seu jeitinho de morder os lábios quando queria alguma coisa. Mas esse "problema" segundo a sua mãe denominava o futebol, se tornou em uma arma infalível para a sua beleza. Ainda praticante de esportes, o seu corpo a cada dia ficava mais lindo. E mesmo suada após os jogos, continuava provocante na simplicidade dos seus movimentos. Por sempre se achar inferior aos outros, não se dava conta que aquele patinho feio havia se tornado numa linda mulher. Não percebia os vários olhares que a acompanhava quando passava pelas pessoas. Talvez esse fosse seu ponto fraco, seu segredo. No dia em que se desse conta da sua beleza, perderia a sua magia. Na verdade as situações, piadas, músicas, momentos e beijos são muito mais gostosos quando são inesperados. Ela é assim. Surpreendente. Cada nova descoberta que ela faz de si mesma, é mais um motivo para se apaixonar por ela. A sua ingenuidade é apaixonante. Mas a sua beleza não transparece para ela mesma, pois toda a Patrícia se esconde atrás de sua timidez. Por ser gay, sempre se achou no "dever" de não aparecer muito. Já eu, sempre me achei na "obrigação" de fazer alguma coisa para mudar isso. Mas a situação que mais me interessava no momento era ver ela deitada, me olhando, calculando com os olhos cada novo movimento que eu fazia. Fui beijando seu colo nu, abrindo seu sutiã devagarzinho (confesso que nunca me dei bem com ele, a Ana Carolina que me perdoe repetir suas palavras sem autorização prévia, mas "mulher, melhor sem sutiã", ele só atrapalha). E lá estavam eles, seus seios perfeitos me aguardando depois de tanto tempo. Mordi, lambi, chupei, e ela gemeu, tremeu e me puxou mais forte. Quando ficamos muito tempo sem sexo parece que temos nossas sensações dobradas, mas quando essa falta é com a pessoa que gostamos, os sentidos e suas respostas vêm com a tríplice força. No êxtase de sentir o seu gosto, abri o zíper da sua calça e com a mesma facilidade, a retirei. Ela me virou, subiu em cima de mim e me trancou com suas coxas fortemente presas nas minhas.
- É minha vez - disse baixinho ao pé do meu ouvido. Beijando minha barriga, foi retirando lentamente minha blusa. Quando sua pele nua encostou-se à minha tive a melhor sensação do mundo percorrendo pelo meu corpo inteiro. Com uma sessão de longos beijos molhados e mordidas, as nossas roupas já estavam atiradas para qualquer canto do quarto. Ah esse quarto!, como havia feito companhia para nós. Do primeiro beijo a última transa. Sua mão não se conteve e desceu pelo meio das minhas pernas, mas sem entregar o ouro, ficou apenas naquele - vai-não-vai esperando meu pedido. Ela gostava desses joguinhos. Sempre me chamou de "homenzinho", pela rapidez com que as coisas aconteciam comigo. Aprendi com ela que sexo não é só mão aqui e ali, acabou, boa noite, passar bem. Aprendi a ter mais calma, a curtir mais os momentos. Mas aquilo já era tortura. Ela se divertia com isso. Se divertia ao me ver implorando pelo seu toque. Então ela cedeu meus pedidos silenciosos, desceu novamente sua mão e pude sentir a segunda melhor sensação da noite, sua mão encostando em mim, no único lugar onde não existiam mentiras, que era impossível "dizer" que eu não era dela, que eu não a desejava loucamente...