domingo, 31 de agosto de 2008

Federal, aqui vou eu!

Cheguei na rodoviária e como previa não havia ninguém me esperando. Da carta que a Patrícia me escreveu, a única coisa que ela estava errada é em pensar que eu não me importava com ela. O resto, infelizmente era tudo verdade. Sou egoísta mesmo. Ela me conhece. Então para que me mandar uma carta? Para me xingar, me jogar na cara que eu consegui estragar algo que seria perfeito com ela, por causa dos meus mimos, minhas vontades.
Olhei para as pessoas a minha volta, cada uma no seu próprio mundinho, um rapaz ouvindo som no seu fone de ouvido, uma menina correndo atrás dos seus pais, alguns homens sentados lendo seus jornais, enquanto uma moça tentava recolher todas as suas moedas que haviam caído no chão, e ninguém se dispôs a ajudá-la. Todos pareciam estar imune a qualquer manifestação de humanidade ou solidariedade. Acho que cheguei à cidade que comporta pessoas como eu. Uma cidade egoísta.
Procurei um táxi, e dei o endereço a ele. Sabia mais ou menos onde era a faculdade. Uma das várias vezes que Patrícia e eu fugimos pra cá em busca de uma balada GLS havíamos passado por lá.
- É aqui moça - disse o taxista meio mal-humorado - quer ajuda com as malas?
- Não, obrigada - disse eu pagando pela corrida.
Retirei minhas bagagens e quando as coloquei nas minhas costas o táxi já não estava mais lá. E agora? Onde era o meu quarto? Estava eu e minhas malas que conforme o tempo passava ficavam mais pesadas, olhando para a entrada da faculdade. Mas aprendi com minha tia, que quando não sabemos para onde ir, o melhor a fazer é seguir a multidão, que sempre chegamos a algum lugar. Ok, decidido. Mas qual das várias multidões eu deveria seguir? Havia um grupo de meninos e meninas emos, vestidos de preto, com uma super produção, maquiagens e alguns seguravam garrafas peti, que provavelmente não continham apenas refrigerante dentro. Claro, era sábado, dia de balada. Primeiro alvo eliminado. Olhei para a direita havia um grupo de meninas que pareciam ser meio nerds. Perfeito, nada mais correto do que perguntar para elas. Fui andando em sua direção, quando topei com outras pessoas que estavam caminhando em sentido oposto ao meu. Lá se foram as bagagens para o chão. Bati em uma menina que estava na companhia de mais duas meninas que estavam com os braços dados. Será que eram namoradas? Logo assim a recepção calorosa da cidade? Fui recolhendo minhas bagagens que estavam espalhadas pelo chão, a que a princípio estava desacompanhada me ajudou pedindo desculpas. Era uma japonesinha da minha altura.
- Desculpe-me, é que eu cheguei agora aqui, ainda estou meio perdida, nem vi vocês.
Ela era realmente muito bonita.
- Que isso - disse ela me ajudando a levantar a mochila. - Você está carregando tudo isso sozinha?
Fiz que sim com os ombros. Olhei em direção onde o grupo de "nerds" estavam, mas elas haviam sumido.
- Olha, será que vocês podem me ajudar? Estou procurando meu quarto, não faço a mínima idéia onde fica.
- Em primeiro lugar, você tem nome por acaso? - sorriu ela.
Gaydar apitando. Gaydar apitando.
[Fazendo um à parte. Se existe ou não gaydar, segundo dizem por aí eu já não sei, mas sinto, e não sei se é assim com todas as pessoas gays, que tem certas pessoas que não adianta. Está na cara. Não por ser meninos que são afeminados de mais ou moças bofinhas. Mas algo além das aparências, talvez um jeito de olhar, de falar, de sorrir. Claro, tem vezes que nosso gaydar falha fazendo até pagarmos micos achando coisas que não são, levando um belo de um toco. Mas algo apitou. Ainda mais que ela estava acompanhada de duas meninas abraçadas. Claro, claro, poderiam ser amigas que estavam com frio? Sim, principalmente porque estávamos no verão. Mas quem sabe?]
- Manuela, prazer - sorri meio encabulada.
- Hm, Manuela, você sabe qual prédio?
Tirei o papelzinho amassado de dentro do bolso e mostrei a ela.
- É perto do de vocês - disse ela referindo-se ao casal.
Elas estavam arrumadas, talvez também estivessem indo para alguma balada.
- Vem com a gente - disse a suposta namorada da mais baixa.
Sorri ainda encabulada. Se minhas suspeitas estivessem corretas, isto na minha cidade nunca aconteceria. Um casal aparecendo em plena "luz do dia" por aí.
- Hei, você é de onde mesmo? - perguntou a japonesinha sem-nome.
Enquanto eu contava resumidamente a minha história para elas, a mais baixa disse baixinho para a outra que iriam se atrasar. Mas a sua suposta namorada disse que não custava nada me acompanhar até lá. Gostei dela logo de cara. Ela fazia psicologia, a mais baixa matemática e a japonesa arquitetura. Todas no segundo semestre, menos a mais alta que já estava na metade do curso. Descobri também que a mais alta se chamava Carol e a mais baixa Ma. Foi o que eu ouvi quando elas conversavam entre si. A japinha estava me olhando, com um sorriso meio estranho. Sorri de volta.
- É aqui - disse ela apontando para um monstruoso prédio antigo.
- Boa sorte - disse a Carol com um largo sorriso - eu também já passei por isto, também sou do interior. Pode ser assustador no começo, mas depois você vai se amarrar. A sua faculdade não é longe da minha, a gente ainda se vê por aí. Qualquer coisa dá um grito.
A Ma concordou com um sorriso um pouco desgostoso e disse - Estamos indo agora que temos uma festa para ir.
- Você podia aparecer por lá, acho que você gostaria. Fica depois daquele prédio - apontando - já tem uma galera indo pra lá - disse Carol.
- Se eu conseguir eu vou, faz tempo que não saiu mesmo. Desculpa fazer vocês se atrasarem - falei olhando para a Ma - mas muito obrigada mesmo por tudo e prazer em conhecer vocês - disse dando um beijo na bochecha de cada uma. Quando chegou a vez da japonesa ainda falei - prazer em conhecer moça-sem-nome - sorrindo.
Ela apenas retribuiu o sorriso.
Subi as escadas um pouco mais animada. As meninas realmente me pareciam chegadas. Talvez fosse só impressão. Talvez não. Com a conversa parei de pensar um pouco na Patrícia. Ela disse que eu pareço pedra. Verdade, até aquele momento estava sem chorar, mas quando continuei lendo a carta, fui lembrando-me de todas as coisas boas que passamos juntas e não consegui conter.
Subi um lance de escadas, mais um, mais um, e cada vez as mochilas ficavam mais pesadas.
4° andar. É este.. Agora achar o número.. Ok, encontrado. Mas e a chave? Nossa.. Havia me esquecido completamente disso. O reitor combinou comigo que me daria ela na segunda de manhã. E agora?
Resolvi bater na porta, para ver se alguém atendia. Vi que havia um bilhete colado, perto da maçaneta.
"Olá Manuela
O reitor me avisou sobre a sua chegada. Como precisei sair, deixei a chave no quarto ao lado.
Seja bem-vinda.
Amanhã de manhã conversamos.
em comida dentro da geladeira, sinta-se a vontade para comer.
Ass: Débora"
Débora, essa seria minha futura colega de quarto por uns 5 anos. Legal. Bati na porta ao lado e uma menina de pijama me atendeu tirando os fones do ouvido.
- Sim? - disse ela com um visível desconforto.
- Hm, desculpa bater a essa hora, mas a Débora - mostrei o bilhete - deixou a chave aí?
- Ah sim, perai - fechando a porta na minha cara. Educadas as pessoas por aqui, pensei. Abriu novamente entregando-me as chaves com um chaveiro do Frajola.
- Tchau - fechando a porta mais uma vez.
Ok, ela deve estar de TPM.
Abri o quarto. Estava levemente bagunçado. Casacos e calças em cabides em cima da cama. Acho que a Débora havia mandado lavar. Olhei para a mesinha de cabeceira e tinha uma xícara em cima juntamente com um livro. Algo sobre Marketing e Comunicação. Larguei minhas mochilas no chão ao lado da cama.
Estava começando uma nova jornada na minha vida. Federal aqui foi eu.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A despedida de Patrícia

Ela havia escrito uma carta para mim."Manu.Eu não sei nem por onde começar a escrever esta carta. Ainda não acredito que você não ia me falar nada sobre sua ida, e se nós não nos encontrássemos no mercado? Eu ia ficar sabendo quando? Eu sei que fazia muito tempo que não nos falávamos, mas deixo bem claro que foi você quem quis assim. Você.. Sempre esta egoísta.Não repare nos borrões. Estou chorando. É Manuela, você sempre me fazendo chorar. Gostava mais quando este choro era de felicidade, das suas surpresas, dos seus presentes, da sua companhia. Sinto falta de você. Nunca encontrei ninguém que me completasse dessa maneira como você me completa. E você sabe disso. Acho que é por isso que você não quis mais saber de mim. Por que você é egoísta. Geminianas.. Todos iguais... Queria que você tivesse mudado nesse tempo que passamos longe uma da outra. Você mudou, mas continua a mesma. Mudou porque, eu sei que agora você vai dar aquele sorriso de canto, virar os olhos e coçar o nariz, como você sempre faz quando alguém lhe elogia, mas você está cada dia mais linda. Nem acreditei que era você no mercado. Está mais mulher. Mais decidida. Mas continua a mesma egoístasinha de sempre. Você me da raiva. E é por me dar raiva que eu te amo tanto. Eu não sei o que lhe dizer. Se o Dé não lhe deu a carta antes, você já deve estar a cada momento mais distante de mim. No ar frio do ônibus. Você pegou um casaco para não ficar doente? Sempre ficando gripada. Quem vai cuidar de você?Desculpa estar bancando a mãe.. É que foi só isso que você me permitiu ser na sua vida. Uma mãezinha chata. Nada de namorada, só uma irmãzinha. Para de vez em quando lhe satisfazer, matar as suas vontades. Você me usou e ainda teve a audácia de querer ir embora sem ao menos se despedir. Porque como você mesma me falou ontem à noite "eu não gosto de despedidas". Tudo deve ser feito da maneira como você gosta, se não, não está bom. Pois bem, estou fazendo mais uma vez as suas vontades. Não vou ir na rodoviária me despedir de você. Vou ficar aqui, na mesa do meu trabalho olhando o relógio imaginando onde você já está, com que roupa você está indo. Como lhe conheço bem, aposto que vai ir com aquela calça horrorosa preta, que você diz ser estilosa, só porque sabe que fica extremamente sexy com ela. E com aquele moletom desbotado que você tanto gosta. Deve estar com frio, pois você nunca se preocupa com sua saúde. Deve estar sem chorar, pois você às vezes mais parece uma pedra. Deve estar querendo tudo e nada. Porque você é assim mesmo. Tudo e nada, e azar de quem quiser lhe acompanhar. O Dé me contou que iriam fazer uma festa surpresa para você, e quer ver como eu lhe conheço? Aposto que a coisinha foi, e aposto que você não resistiu aos seus encantos. Eu gostaria de socar você nesse momento. Pelo menos ela teve você por alguns tempos. Ela pode ter a oportunidade de ficar com você e poder lhe chamar de minha namorada sem medo de você sair correndo. Criançona que você é. Nunca quer compromisso com nada. Egoísta que você é. Sempre com medo de desapontar os outros e por isso prefere ficar nesse seu mundinho. Eu já chorei muito por você, quis ligar para você hoje, mas para que? Ouvir suas desculpas esfarrapadas de novo? Se ao menos elas lhe trouxessem de volta. Meu chefe está me chamando. O Dé daqui a pouco está vindo aqui para pegar a carta. Você deveria aprender com ele, como ser uma pessoa mais amiga, mais fiel, mais companheira.Você agora deve estar com a sobrancelha arqueada, pois está brava comigo. Não fique. Pois hoje, eu não lhe dou mais o direito para isto. Não lhe dou direito para mais nada. Lembre-se que foi você quem quis assim. Eu sempre estive a sua disposição. Sempre. Agüentando suas ladainhas sobre a jeca lá, sobre a não sei quem, ouvindo seus comentários maliciosos sobre as menininhas. Todas, né? Sempre querendo tudo. Um dia você ainda vai ficar sem ninguém. Meu chefe gritando de novo. Que cara chato! Você deve estar ficando enjoada né? Não consegue ler em viagens, por isso nós tínhamos sempre que arranjar outra coisa para fazer enquato viajávamos. Você nunca me deixou ler um livro, sempre me chamando a atenção. No passeio do último ano do colegial. Nem acredito que fizemos aquilo com todos dormindo. Ainda acho que a Fê nos viu, mas com você nunca adiantou dizer "agora não", porque o agora sempre foi as suas vontades, o seu agora.Então Manu, aproveite o seu agora, a sua faculdade, a sua nova vida que faz tanto tempo que não faço mais parte. Eu ainda não sei o que eu lhe fiz de mal para tudo acabar assim. Mas deixa eu lhe contar uma coisa. Ontem à noite, eu lhe usei, porque dessa vez eu matei somente as minhas vontades, sem me importar com o que você queria. Só me importei com o que eu queria. Apesar de que, o que eu queria, e sempre quis, foi você."

domingo, 13 de julho de 2008

Adeus Cidade!

Já dentro do carro não pude conter minha curiosidade.
- Andrézinho..
- O que você quer agora - disse ele sorrindo para mim. Ele gostava de mim, era um amigo único.
- O que ela lhe disse? Só isso?
- Ok, ok menina. Ela contou que vocês passaram a noite juntas..
Alegrei-me.
- E para você aumentar este sorriso bobo, ela disse que foi uma das melhores vezes.
Não contive minha felicidade. Ela gostava de mim, disso eu sabia. E ontem, era impossível ela não ter gostado...
- Agora pare de se achar, ok?
- Mas ela lhe contou que foi embora sem me dizer nada?
- Ela me disse muitas coisas, mas assim como não contei a ela sobre sua ida e mantive o segredo, não vou lhe dizer mais nada, e agora me deixe dirigir - ainda continuava sorrindo.
- André, você realmente é um crápula. Fala logo o que ela te disse, poxa, você não tem coração mesmo? Eu estou indo embora.
- Está nada - interrompeu-me - Querida, deixa eu te contar uma coisa que pode ser que você ainda não saiba. - fez um silêncio de suspense - A capital não fica em outro planeta. - soltou uma gostosa gargalhada.
- André..
- É sério minha querida, vocês podem se encontrar sempre que quiserem.
- Mas você sabe que a faculdade dela é longe, e de lá até a minha leva muitas horas...
- E? Isso não quer dizer nada.. O grande problema é qual das duas você vai querer.
- Você é muito engraçadinho ?
- Sou realista minha querida. Até eu acho a Lu estonteante.
Deixei escapar um sorriso.
- Então vocês transaram na minha excelentíssima cama sem a minha autorização? Exijo detalhes.
- Nós nem fizemos nada..
- Acredito.
- Prometi guardar segredo - devolvi.
- Ok, ok. Não está mais aqui quem perguntou. Mulheres...
Dei um soquinho de leve no seu ombro. Ia sentir saudade da maneira que ele encontrava para resolver os prolemas.
Chegamos à rodoviária, mas ainda não estava acreditando que iria embora. Mal deu tempo de retirar as bagagens do carro, o ônibus já estava aguardando os passageiros.
Dei mais um abraço no André, agradeci a ele por tudo que ele sempre fez por mim e pela Patrícia.
- Menina, você sabe que mora no meu coração purpurinado para sempre ? - disse ele me estendendo os braços para mais um abraço apertado.
- E você também, vê se vai lá me visitar, já que não vou para outro planeta.
Despachei minhas bagagens. Olhei mais uma vez para a rodoviária. Essa cidadezinha nunca foi minha mesmo. Nunca pertenci a ela. Mas eu iria sentir falta de algumas coisas.. Principalmente dessas pessoas, André, Patrícia e porque não da Luciana também.. Pessoas que fizeram da minha vida algo real, não só expectativas. Estava esperando que a Patrícia aparecesse. Ela não precisava me dizer nada, bastava aparecer para eu poder ver seu rosto mais uma vez.
- Moça, está na hora - disse o motorista - garanto que seu namorado vai lhe esperar voltar - sorriu se referindo ao André.
Inevitável rir. Este ainda não sabia do André.
- E você, minha primeira dama - disse o André entrando na onda do motorista - cuide-se bem, ok? Estou de olho em você. Você sabe que eu não vou aprontar por aqui, vou trabalhar com o Beto em casa, nem vou sair lhe aguardando voltar. E me abraçou mais uma vez. - Isso aqui é para você. Mandaram lhe entregar - disse cochichando no meu ouvido.
Subi as escadas do ônibus. Abri o envelope que André havia me dado. Era a letra de Patrícia.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Tchau

- Vamos lá? O pessoal já foi embora, cansaram de esperar você.
- Mentira, sério?
- Seríssimo, eles sabem que você é a namorada da Luciana, expliquei a eles que vocês estavam se despedindo.
- Que namorada nada, ô!
Fomos conversando enquanto íamos para a garagem pegar o carro.
- Como não são namoradas? Agora você virou uma bicha libertina? - se deliciando com a minha raiva.
- Você sabe que eu não sou assim... Ela não veio - mudei de assunto.
- A Patrícia? O que, não me diz que você ia dar uma com as duas juntas? Está me saindo melhor do que a encomenda.
Para André tudo se resolvia com sexo. Homens.. Bicha, mais ainda assim, homem.
- Ela ficou muito magoada com você. Ligou-me sexta e hoje ao meio-dia.
- O que ela lhe falou? - perguntei com o coração batendo mais forte.
- Contou que você se tornou uma devassa louca por sexo - rindo.
- Pára de bobice André, eu estou falando sério. Você e suas piadas inoportunas.
- Ela me contou que vocês se viram sexta sem querer no mercado, que vocês conversaram que ela foi com você numa loja de não sei o que, e que quando você estava dirigindo ela atendeu o seu celular..
- Ela percebeu né? - falei entrando no carro.
- Sim, ela me disse que achou muito estranha a sua cara de pavor quando disse que era do frete, e que você inutilmente tentou enganá-la dizendo que eram as coisas para a sua tia.
- Mas você não falou nada né?
- Eu disse que na história de vocês eu não me metia, só se fosse para vocês namorarem - divertia-se conosco.
- E ela?
- Ela o que? Disse que ia resolver isso sozinha já que eu estava sendo segundo as palavras dela, um crápula manipulador, que só protegia você e suas besteiras sempre. E me contou que foi na sua casa e vocês conversaram. Repetiu que eu era do mal, que eu não deveria ter mentido para ela, me sentou os cachorros.
- E não disse mais nada? - perguntei com expectativa.
Ele sorriu, sabia o que eu estava querendo ouvir.
- Mulheres.. São todas iguais. Por isso que eu gosto de homem.
Descemos em frente à minha casa para pegar as bagagens. Enquanto colocávamos tudo dentro do carro expliquei a ele como seria com a casa, com tudo. Ele ainda se espantou que a Patrícia fosse esperar o frete terça-feira. Pegou umas revistas que estavam atiradas ao lado da pia do banheiro, disse que era sempre útil.

sábado, 28 de junho de 2008

Super Surpresa!

Luciana. Sim, depois de um mês sem vê-la, ela estava alí parada na minha frente. Vendo minha cara de espanto, sorriu:
- Surpresa!!
- É - disse eu embaraçada com a situação.
Mas fomos interrompidas pelo resto do pessoal que estava na festa, André extravagante como nunca tinha visto veio me dar um abraço me tirando do chão. Em seguida Beto, Cátia, Leila, Marcelo, Diego, .. Todo o pessoal do cursinho e da escola. Procurei mas a Patrícia não estava no meio do grupo.
- Então você achava que ia embora assim? - falou André me servindo um copo de cerveja - Mas nunca!!!
Conversamos sobre a viagem, o cursinho, quem havia passado nas faculdades, de como era bom rever o pessoal, que tínhamos que marcar alguma coisa um dia desses, enfim, aquele papo de sempre.
- Antes de você ir, gostaria de falar com você - disse Luciana pertinho do meu ouvido. - E dessa vez você não me escapa!
Resolvi então conversar com ela, afinal o que poderia acontecer? Que falasse então de uma vez que não queria mais nada com ela, que achava ela muito legal mas que não dava mais.. Todo aquele meu repertório decorado e redecorado que nunca havia dito a ela. Por medo, por preguiça, por sei lá o que só havia dito uma vez a ela para me deixar em paz. Na verdade Patrícia estava certa, eu gostava dela correndo atrás de mim, saber que depois de tanto tempo ela estava na minha mão. Maldosa ou não levei o nosso fim do namoro assim, me fazendo de morta, que não estava nem aí, até que um dia realmente parei de estar.
Pegando na minha mão ela me levou até o quarto do André.
- Calma, é só para conversarmos melhor - disse ela vendo a minha expressão ao fechar a porta trancando-a.
Indo mais para longe dela, disse:
- Então, - sem olhar para ela - o que você quer conversar?
- Que bicho lhe picou que você está mal educada? Você não era assim quando lhe conheci - sorriu.
- Eu - paralisando ao vê-la. Esse um mês a fez ficar ainda mais deslumbrante. Estava com um vestido que eu adorava que tinha um decote que mostrava o suficiente para qualquer pessoa ficar louca - Eu não fui picada por ninguém não - sorri voltando ao posto de quem comandava a situação - só que daqui a pouco já tenho que ir para não perder o ônibus.
- Sei - disse chegando mais perto de mim - Eu só queria saber porque você não atende mais as minhas ligações, finge que eu não existo mais. Você sumiu sem me dizer nada..
- Eu disse sim Luciana, eu falei com você, você que não acreditou no que eu disse.
- Mas estava tudo tão bem.. Não entendo o que aconteceu.
- Estava tudo bem com você, comigo não. E estava falando isso para você há tempos, mas você nunca me deu ouvidos. Sempre achou que eu estaria a disposição para tudo. Cansei disso..
- Foi a Patrícia né?
- O que? Não coloca ela no meio da história que ela não tem nada a ver.
- Não? - sorrindo - bem se vê que não, então para que ficar tão nervosa?
- Não estou nervosa Luciana.
- É ela sim.. Você e essa sua "amiguinha" que nunca deixaram de se gostar.
- Olha Luciana, se era isso que você queria falar comigo, então com licença que eu vou me despedir do pessoal.
- Calma Manuzinha - segurando meu braço - eu não quero brigar com você. Eu gosto tanto de você. - me puxando para mais perto. Confesso que ela ainda conseguia me atrair. Com seu jeito. Seu jeito era inexplicável. Ela conseguia seduzir qualquer pessoal. Até quem não era muito chegado na fruta. Com seus cabelos sempre muito bem arrumados, seu perfume, sua maquiagem, suas roupas ou com a falta delas.
- Quero ouvir você dizer que não sente falta de mim - disse ela chegando tão perto que conseguia sentir a sua respiração.
Como dizer não para uma mulher como ela? Mas para que prolongar uma coisa que não ia durar? Mas porque não aproveitar já que eu estava indo embora?
- Lulu, você continua a mesma né? - disse olhando para os seus olhos. Não poderia deixar meus olhos chegarem a sua boca, porque rapidamente estaria envenenada pela sua estonteante beleza e sexualidade. Tudo com ela era sexy. Já estava ficando atordoada com o seu corpo virado contra o meu, roçando a cada movimento que ela fazia. Suas mãos já estavam enlaçadas na minha cintura. A hora era essa, ou eu saía, ou eu me entregava. Não pelo amor, não pelo namoro mal acabado, mas pelo prazer que ela me proporcionava. Não, eu não sou uma cafajeste, não sou uma pilantrinha, mas tem certas coisas na vida que aprendi que não precisam de muita razão para acontecer.
- Só mais um beijo, e deixo você em paz - disse ela aproximando sua boca da minha me beijando. Para que? Com ela a combustão era imediata. Ela me tocou na cama, subindo em cima de mim não dando espaço para eu me mexer. Forçou seu ventre contra o meu. Nossos beijos ganhavam cada vez mais intensidade. Fazia tempo que não ficávamos juntas, mas era como se tivesse sido ontem que havíamos nos visto. Veio uma lembrança de Patrícia, que logo foi apagada pelos beijos de Patrícia que já ultrapassavam minha calcinha. O sexo aconteceu em poucos minutos, com a mesma avidez de sempre. Sexo, só sexo.
Fechei o resto da roupa que ainda estava aberto, mas ela permanecia deitada na cama me olhando.
- Acho que nem a Patrícia é capaz de fazer o que eu faço com você - sorriu ela presunçosa.
- Você que continua a mesma, sempre colocando a Patrícia no meio da história.
Mas era incrível como essa menina conseguia ser tão sensual. Repito que não sou uma infamezinha qualquer. Mas a sua sensualidade. Gostaria de lhe mostrar ela para ver se você não concordaria comigo.
Mas além de sensual, ela era insaciável. Ainda sem a parte de baixo da roupa fez menção de que iria se tocar, ali na minha frente.
- Vem cá que meu assunto com você ainda não acabou - sorriu maliciosamente para mim.
Fiquei extasiada olhando-a. Olhei para o relógio e já eram 16:34.
- Pelo amor de Deus, pára com isso - disse eu torturando-me para não ir em sua direção e tocá-la também - eu tenho que ir, meu ônibus.. Ele não vai me esperar.
Mas ela continuava me deixando hipnotizada. Para findar com o meu suplício bateram na porta. Era o André.
- Mocinhas, não quero incomodá-las mas Manu, se você não vir logo, irá perder o ônibus. Temos que pegar as suas coisas ainda.
Luciana parou. Levantou-se da cama, caminhando em minha direção. Olhou-me profundamente e me deu um beijo. Colocou o restante de suas roupas e abriu a porta, saindo sem olhar para trás.
André entrou no quarto olhando para a cama e sorrindo soltou um suspiro.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Surpresa!

Acordei com a respiração de Patrícia no meu ouvido. Suas pernas estavam entrelaçadas nas minhas. As nossas roupas permaneciam atiradas pelo chão. Sentia seu gosto em mim. Olhei-a e continuava dormindo, com seu semblante revelando um leve sorriso. Procurei o meu celular em cima da cabeceira, para saber que horas já eram. Da última vez que tinha visto já passavam das 5. Com dificuldade de enxergar, ainda com os olhos doloridos de sono - 6:45. Não sabia que horas ela iria para o seu trabalho, mas acordei-a com um abraço apertado. Ela apenas me olhou. Desvencilhou-se dos meus braços delicadamente, checando as horas no seu relógio de pulso. Levantou-se da cama ainda em silêncio, e assim permaneceu enquanto colocava suas roupas. Fiquei estática acompanhando os seus movimentos. Colocou seus sapatos fazendo em seguida um rabo de cavalo. Virou-se para mim, mas não disse nada, apenas ficou me olhando. Senti-me embaraçada com a situação, pensando que talvez tivesse feito alguma coisa errada. Quando abri a boca para falar ela fez sinal com seus dedos para que continuasse em silêncio.
Pegando o casaco, o celular e sua bolsa foi em direção à porta, olhou mais uma vez para mim e saiu. Ainda paralisada pelo seu silêncio ouvi o barulho de chaves na porta da casa. Levantei colocando a primeira peça de roupa que vi e desci as escadas correndo em sua direção. Mas ela já havia partido. Olhei para os dois lados da rua e não a enxerguei. Como ela sumiu? Ainda arrisquei em gritar "Patrícia", mas foi em vão. Não faço idéia de quanto tempo fiquei parada na porta esperando ela voltar. Não estava acreditando que ela simplesmente havia partido sem um tchau, sem falar nada, e eu pateta, ainda envolvida pelo sono e pelas lembranças da noite passada continuei deitada parada, esperando-a ir embora. As pessoas já estavam acordadas na rua, percebi olhares curiosos sobre mim, me dando conta que estava com "pouca" roupa, entrei em casa.
Peguei o telefone para ligar para ela, mas na quinta tentativa desisti de vez. Quem sabe não seria melhor assim, sem despedidas, sem choro, apenas com lembranças da noite que passamos juntas.
Tomei um banho demoradamente, ainda não acreditava em tudo que havia acontecido.
8:15 marcava o relógio. Ainda precisava embalar o resto das coisas, rádio, televisão, tirar as últimas coisas das gavetas, levar o canarinho para a vizinha, prometi dar a seu filho, já que um passarinho não teria uma boa moradia comigo, recolher o resto das roupas que ainda estavam atiradas pela casa, ir me despedir do Dé.
Já eram 15h quando consegui terminar as últimas coisas e ir ao André para me despedir dele. Como na minha pequena cidade tudo era muito perto, resolvi ir caminhando, assim espairecia um pouco, em uma tentativa meio frustrada de parar de pensar na Patrícia.
Chegando ao seu prédio, vi que havia alguns carros parados na entrada. Toquei a campainha que logo foi atendida com um "Entra". Subi pelo elevador e quanto este abriu vieram me receber várias pessoas com chapeuzinhos e apitos. Sim, uma festa de despedida. Ainda não acreditando no que via, senti uma mão me puxando. Atordoada pelo barulho dos apitos, segui aonde a mão me levava. Em meio de tapas nas costas e "E aiii meninaa", cheguei ao apartamento do André. Então pude ver de quem era a mão que me puxava, e não acreditei no que vi.

domingo, 22 de junho de 2008

Quando palávras são desnecessárias

Toque, carícia, pressão, atrito, carinho, suor, gemido, mordida, beijo, lambida, coxa, com coxa, boca, na boca, movimento, movimento, gemido, mãos e dedos, corpo e corpo, olho, no olho, língua, chupão, gemido, desejo, pedido, sexo com sexo, sexo mais sexo,pele, na pele, boca, sem boca, língua, com língua, gemido, suor, carinho, atrito, movimento, movimento, suspiro gemido, sexo, e sexo, sexo, sexo, gemido, gemido, movimento, gemido, movimento, sexo, gemido, mordida, gemido, movimento, lambida, gemido, gemido, gemido, gemido... Puxando sentindo, sentindo passando, passando tremendo, tremendo sentindo, querendo pedindo, passando mais rápido, mais rápido gemendo, gemendo suando, passando tremendo, sentindo mexendo, sentindo tremendo, tremendo mais rápido, mais rápido sentindo, sentindo tremendo, tremendo gozando.